CARDOSO, Ciro do Espírito Santo
| Tipo | Biográfico |
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| Cargos |
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| Autor(es) | Amélia Coutinho |
Ciro do Espírito Santo Cardoso nasceu em Lapa (PR) no dia 24 de agosto de 1898, filho do então tenente Augusto Inácio do Espírito Santo Cardoso e de Ana Fernandes Cardoso. Seu pai veio a ser ministro da Guerra de Getúlio Vargas de junho de 1932 a dezembro de 1933.
Em 1915, Ciro Cardoso ingressou na Escola Militar do Realengo, formando-se aspirante a oficial em 1918. Promovido a segundo-tenente em 1919, serviu no 7º Regimento de Infantaria em Santa Maria, e no 54º Batalhão de Caçadores em São Gonçalo (RJ). Em 1921, foi promovido a primeiro-tenente.
Em julho de 1922, era instrutor da Escola Militar do Realengo quando se preparou e desencadeou a insurreição no estabelecimento. No dia 4, o líder dos revolucionários, coronel João Maria Xavier de Brito Júnior, encarregou-o de impedir a chegada à escola do general Eduardo Monteiro de Barros, que viria assumir o comando da unidade em nome das forças legalistas. Debelado o movimento no dia 5, Ciro Cardoso foi preso e condenado a um ano e quatro meses de reclusão.
Devido à atividade sua e de vários membros de sua família nos movimentos revolucionários da década de 1920, o tenente Ciro Cardoso, considerado figura suspeita pelas autoridades, teve sua carreira militar praticamente paralisada. Somente após a vitória da Revolução de 1930 e a anistia concedida no dia 8 de novembro de 1930, foi promovido a capitão (15/11/1930).
Entre 1931 e 1932, serviu no 11º Regimento de Infantaria, em São João del Rei (MG), e entre 1932 e 1933 serviu como ajudante-de-ordens, sem remuneração, no gabinete do ministro da Guerra, o general Augusto Inácio Cardoso, seu pai. Em outubro de 1934 foi promovido a major, enquanto fazia o curso de aperfeiçoamento.
Em 1935, voltou a servir no 11º RI em São João del Rei, e de 1935 a 1936 cursou a Escola de Estado-Maior, terminando o curso em segundo lugar. Em 1937, foi durante algum tempo instrutor-chefe de infantaria na Escola Militar do Realengo.
Ainda em 1937, foi servir no estado-maior da 2ª Região Militar, em São Paulo, trabalhando ao mesmo tempo na Secretaria Estadual de Segurança Pública, de que era titular na época seu irmão, o major Dulcídio do Espírito Santo Cardoso.
Em 1938, passou a servir no Estado-Maior do Exército e de 1939 a 1940 foi chefe do estado-maior da 7ª Região Militar, em Recife. Promovido a tenente-coronel em 1940, foi nomeado comandante do Batalhão de Guardas, no Rio. Em 1942, foi promovido a coronel e, a partir de março, esteve à disposição do Segundo Grupo de Regiões Militares. Entre julho de 1943 e fevereiro de 1946, foi chefe do gabinete da secretaria geral do Conselho de Segurança Nacional, no Rio de Janeiro.
Em 1946, foi promovido a general-de-brigada e, após servir no Estado-Maior do Exército, assumiu o comando do Núcleo de Recomplemento das Unidades-Escola, no Rio. De 1947 a 1948, foi subcomandante da 3ª Divisão de Infantaria, em Santa Maria, e entre 1948 e março de 1950 comandou a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende (RJ). Em maio, foi transferido para Fortaleza, onde permaneceu até 20 de janeiro de 1951 como comandante da 10ª Região Militar.
A vitória de Getúlio Vargas nas eleições de 1950 desencadeou, em parte da grande imprensa, uma campanha contra a posse do candidato eleito. O general Ciro Cardoso, entretanto, pronunciou-se em Fortaleza a favor da posse de Vargas. Graças a essa atitude, foi convidado pelo presidente para assumir a chefia do Gabinete Militar da Presidência da República, cargo em que permaneceu de 31 de janeiro de 1951 a 10 de abril de 1952. Ao mesmo tempo, como atribuição do cargo, ocupava a função de secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional, presidindo ainda a Comissão Especial de Faixa de Fronteiras.
Ainda no início da década de 1950, convidado a paraninfar uma turma da Escola Superior de Guerra (ESG), pronunciou um grave discurso de conteúdo anticomunista que alcançou grande repercussão. Na época, o Brasil negociava um acordo de defesa do hemisfério ocidental com os EUA, e o ministro da Guerra, general Newton Estillac Leal, colocou-se radicalmente contra os termos deste compromisso.
Com a assinatura do acordo, o ministro da Guerra demitiu-se e o general Ciro Cardoso foi chamado para ocupar seu cargo no dia 26 de março de 1952, passando a exercer uma atuação efetiva de combate ao comunismo. Em agosto, foi promovido a general-de-divisão, e entre setembro e novembro foi ministro interino da Marinha.
Em fevereiro de 1954, ocupava ainda a pasta da Guerra quando ocorreu a divulgação do Manifesto, ou Memorial dos coronéis. No dia 8, 82 coronéis e tenentes-coronéis lançaram um manifesto dirigido à alta hierarquia militar. Entre outros protestos, os oficiais enfatizavam o inconformismo quanto ao fato de a dotação orçamentária destinada ao Exército ser inferior à das outras forças armadas, o que gerava sério descontentamento profissional, principalmente entre os oficiais menos graduados. Criticavam ainda o aumento do salário mínimo, que sofrera um reajuste de 100%, considerando-o uma “aberrante subversão de todos os valores profissionais”. Apelavam em favor do reaparelhamento do Exército, alegando que os quadros institucionais estavam ameaçados pelos comunistas, apontados como aproveitadores da desordem reinante.
O ministro Ciro Cardoso não havia transmitido ao presidente da República uma visão suficientemente clara do ponto a que chegara o descontentamento no Exército, e este fato custou-lhe o cargo. No dia 23 de fevereiro, foi exonerado e substituído pelo general Euclides Zenóbio da Costa.
Voltando à caserna, Ciro Cardoso ocupou até o final de 1954 o cargo de diretor de Ensino do Exército, no Rio de Janeiro. Entre janeiro de 1955 e fevereiro de 1956, comandou a 4ª Região Militar, em Juiz de Fora (MG).
Retornando ao Rio de Janeiro, assumiu o cargo de diretor-geral do Serviço Militar em março de 1956, passando, em dezembro do mesmo ano, a diretor-geral de Material Bélico, cargo em que permaneceu até maio de 1957.
Em novembro de 1956, na qualidade de diretor-geral do Serviço Militar, determinou a prisão do coronel Nemo Canabarro Lucas, acusando-o de ter infringido os dispositivos que vedam a manifestação política de militares da ativa. O coronel Canabarro era considerado líder da Frente de Novembro, que em 1955 defendeu a legalidade constitucional sob o comando do marechal Henrique Teixeira Lott.
Entre março e maio de 1957, Ciro Cardoso fez o estágio do curso superior de guerra, e entre junho de 1957 e março de 1959 comandou o IV Exército, sediado em Recife. Em agosto de 1958, foi promovido a general-de-exército.
De volta ao Rio em abril de 1959, assumiu a chefia do Departamento Geral de Pessoal do Exército, permanecendo no cargo até passar para a reserva, no dia 27 de julho, no posto de marechal.
A partir de então, retirou-se para São João del Rei, onde passou a dirigir a universidade local.
Faleceu em Belo Horizonte no dia 31 de agosto de 1979.