AGNELO, Geraldo Magela

Geraldo Magela Agnelo nasceu em Juiz de Fora (MG) no dia 19 de outubro de 1933, filho de Antônio Agnelo e de Sílvia Agnelo.

Fez os estudos primários em sua cidade natal entre 1942 e 1947. Com a mudança da família para Pirapora do Bom Jesus (SP), fez o ginásio nessa cidade de 1948 a 1950. Cursou filosofia e teologia no Seminário Central em Ipiranga (SP). Em 1957, foi ordenado presbítero em São Paulo, onde trabalhou por dez anos. Foi assistente da Juventude Estudantil Católica Feminina, professor e diretor do Seminário Cura d'Ars, do Seminário Filosófico de Aparecida, de 1960 e 1963, e do Seminário Teológico, em São Paulo, de 1964 a 1967. Nesse último ano foi para Roma e doutorou-se em teologia, com ênfase em liturgia, no Pontifício Ateneu de Santo Anselmo.

De volta ao Brasil, foi nomeado coordenador de pastoral da Arquidiocese de São Paulo em 1970. Entre 1975 e 1978, dirigiu a Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção e participou de dois o conselhos: o Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes e o Conselho dos Bens Culturais da Igreja. No dia 6 de agosto de 1978, mesmo dia em que faleceu o papa Paulo VI, recebeu a ordenação episcopal na catedral de São Paulo pelas mãos do cardeal dom Paulo Evaristo Arns. Nesse mesmo ano, foi nomeado bispo da diocese de Toledo, no Paraná. Aí trabalhou até 1983, quando foi designado arcebispo de Londrina (PR).

Ao lado da médica pediatra e sanitarista Zilda Arns, irmã de dom Paulo Evaristo Arns, fundou a Pastoral da Criança, que em setembro de 1983 iniciou suas atividades em Florianópolis com o objetivo de diminuir a alta taxa de mortalidade infantil no município. Com o apoio da Igreja Católica, a iniciativa foi levada a todos os 27 estados do país. Ainda em 1983, criou o Jornal da Comunidade, órgão de comunicação oficial da Arquidiocese de Londrina.

Em 1991, foi convidado a assumir o cargo de secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, no Vaticano, onde trabalhou diretamente com o papa João Paulo II. Três anos depois, foi nomeado membro da Pontifícia Comissão para a América Latina. Em 1995, o papa o designou membro do Comitê Central do Grande Jubileu do ano 2000 e presidente da Comissão de Liturgia do mesmo comitê. Integrou em 1997 o Pontifício Comitê dos Congressos Eucarísticos Internacionais.

Em 1999, foi designado por João Paulo II arcebispo primaz de Salvador e do Brasil. Dois anos depois foi nomeado cardeal, e em 2003 assumiu a presidência da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Nesse ano, recebeu o troféu “Triângulo Rosa” por sua declaração: “É legítima a reivindicação dos homossexuais de viver na sociedade sendo respeitados em suas diferenças, sem discriminações ou perseguições que os oprimam.” Em fevereiro de 2004, visitou a Missão Indígena do Surumu, que havia sido invadida e destruída em janeiro por um grupo de fazendeiros contrários à homologação da reserva indígena Raposa Serra do Sol em área contínua. Na última assembleia geral da entidade, realizada em 2003, foi criada uma secretaria especial para tratar de assuntos relacionados à Amazônia.

Em 2005, reafirmou a posição da Igreja Católica contrária ao aborto e participou do conclave que elegeu o papa Bento XVI. No ano seguinte, defendeu a participação das forças armadas na luta contra o crime organizado em São Paulo por ocasião dos ataques empreendidos pelo autointitulado “Primeiro Comando da Capital” (PCC), em que dezenas de pessoas morreram, entre policiais civis, militares, bombeiros, agentes penitenciários, criminosos e civis.

Em 2007, tornou-se suplente do delegado da V Conferência Episcopal Latino-Americana (Celam), realizada em Aparecida do Norte (SP). A conferência teve como tema “Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que n’Ele nossos povos tenham vida” e como lema “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Seguindo o costume, a V Celam foi convocada pelo papa João Paulo II, a pedido de um grupo de conferências episcopais, como a CNBB. O papa Bento XVI acolheu a reunião, aprovou o tema e abriu a V Celam, orientando a conferência com seu discurso inicial. Em maio de 2009, na 32ª Assembleia Ordinária do Celam, em Manágua, capital da Nicarágua, participou como delegado eleito pela CNBB.

Publicou as obras Liturgia, serviço cultual do povo de Deus (tese de doutorado), Pastoral dos sacramentos (1964), Os sacramentos e os mistérios de Santo Ambrósio, Com coração de pastor – no caminho de Jesus. O último livro foi editado pela Universidade Católica do Salvador e reúne artigos publicados de 1999 a 2002. Escreveu ainda artigos nas revistas Teologia do Diálogo e Revista de Liturgia.