ANANIAS, Patrus
| Tipo | Biográfico |
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| Cargos |
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| Autor(es) | Augusto Gomes |
Patrus Ananias de Sousa nasceu em Bocaiúva (MG) no dia 26 de janeiro de 1952, filho de Jair Ananias de Sousa e de Maria Teresa Patrus Ananias.
Em 1972 transferiu-se para Belo Horizonte e iniciou o curso de direito na Universidade Federal de Minas Gerais, graduando-se em 1976.
Entre 1975 e 1977 foi assessor da Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais, durante a gestão de José Fernandes Filho, no governo de Aureliano Chaves, da extinta Aliança Renovadora Nacional (Arena). Ligado à ala progressista da Igreja Católica, atuou como advogado nas áreas trabalhista e previdenciária e de 1979 a 1983 assessorou movimentos sociais, pastorais e sindicatos. Também em 1979 tornou-se professor da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Em 1982 foi aprovado em concurso para a Assembleia Legislativa do estado.
Tendo participado do processo de discussão que resultou na formação do Partido dos Trabalhadores (PT), de 1983 a 1987 foi secretário-geral do diretório estadual do PT em Minas Gerais, e de 1986 a 1987 foi membro da direção nacional do partido. Em 1988 foi eleito vereador em Belo Horizonte na legenda do PT, e em 1990 foi relator da Lei Orgânica do Município e presidente da Comissão de Legislação e Justiça da Câmara Municipal. No mesmo ano candidatou-se ao Senado, mas não se elegeu. Em 1992 foi eleito prefeito do município de Belo Horizonte no segundo turno nas eleições, vencendo Maurício de Freitas Teixeira Campos, do Partido Liberal (PL). Foi o primeiro prefeito eleito pela legenda do PT na capital mineira, e exerceu o mandato entre 1993 e 1996. Em 1995 implantou o Orçamento Participativo e reformulou as políticas de habitação da cidade. Seu governo desenvolveu políticas de combate à fome e à desnutrição, criando o restaurante popular, ampliando a merenda escolar e desenvolvendo programas como “Safra” e “Direto da Roça”, que visavam a reduzir a ação de atravessadores e especuladores presentes na comercialização de produtos agrícolas.
Em 1996, foi eleito membro da Academia Mineira de Letras. No ano seguinte participou de vários eventos contra a privatização da empresa Companhia Vale do Rio Doce, que reuniram importantes lideranças políticas mineiras, como o ex-governador Aureliano Chaves e o ex-presidente Itamar Franco. Apesar da intensa mobilização, o passo final para a privatização ocorreu em leilão realizado na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro em 6 de maio de 1997. Nesse mesmo ano foi eleito presidente do diretório estadual do PT em Minas.
Em 1998 candidatou-se ao governo de Minas Gerais, ficando em terceiro lugar no primeiro turno, com 1.122.007 votos. Perdeu para os candidatos Itamar Franco, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), e Eduardo Azeredo, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que disputaram o segundo turno com a vitória do primeiro.
Em 1999 iniciou na PUC Minas o mestrado em direito processual, que iria concluir em 2001. Também em 1999 iniciou o doutorado em “Filosofia, tecnologia e sociedade” na Universidad Complutense de Madrid (UCM). Em 2000 concluiu na PUC Minas o curso de especialização sobre “Poder Legislativo”, e em 2002 integrou a equipe que elaborou o programa de governo do PT para as eleições presidenciais, tendo sido um dos responsáveis pelas propostas para a área social. Nessa eleição, a vitória coube ao candidato petista Luís Inácio Lula da Silva.
Também em 2002 foi eleito deputado federal com 520.048 votos, a maior votação da história de Minas Gerais. Assumiu o mandato em fevereiro de 2003 e nessa legislatura foi membro do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar e vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Redação da Câmara. No mesmo ano votou a favor da polêmica proposta de reforma da Previdência do governo federal.
Em 23 de janeiro de 2004, o presidente Lula criou o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, com o objetivo de integrar e facilitar o acompanhamento dos diversos programas de assistência social, segurança alimentar e transferência de renda, até aquele momento dispersos nos mais diversos órgãos do governo federal. O principal instrumento para a realização desse projeto foi o Bolsa Família, programa de transferência de renda criado pela Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004, que se tornou uma das principais ações do governo Lula, beneficiando milhões de famílias. Patrus Ananias foi o primeiro titular do novo ministério.
Publicou o livro Em nome da vida (1994) e foi coautor dos livros Belo Horizonte: poder político e movimentos sociais (1996) e Desafios do governo local: o modo petista de governar (1997).
Casou-se com Vera Ananias, com quem teve dois filhos.