CARNEIRO, Cleuber
| Tipo | Biográfico |
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| Cargos |
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| Autor(es) | Letícia Nunes de Moraes |
Cleuber Brandão Carneiro nasceu em Paratinga (BA) no dia 27 de janeiro de 1940, filho de Mário Carneiro da Silva e de Dulce Brandão Carneiro.
Formou-se pela Faculdade de Direito de Goiânia em 1964. Após a instauração do bipartidarismo pelo Ato Institucional nº 2 (AI-2) em 27 de outubro de 1965, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido político de apoio ao governo militar instaurado no país a partir de abril de 1964. Transferindo-se para Januária, no norte de Minas Gerais, foi vereador (1969-1973) e prefeito do município (1973 a 1979).
A partir de 1979 exerceu cinco mandatos consecutivos como deputado estadual em Minas. Foi eleito para o primeiro (1979-1983) ainda na legenda da Arena, mas, com o fim do bipartidarismo em novembro de 1979 e a consequente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS). Nessa legenda foi eleito para o segundo mandato (1983-1987). Em 1985, como outros dissidentes do PDS, filiou-se ao Partido da Frente Liberal (PFL) e nessa legenda disputou e exerceu os três últimos mandatos na Assembleia mineira: de 1987 a 1991, quando participou da Constituinte que promulgou a Constituição mineira em 1989, de 1991 a 1995, e de 1995 a 1999. Durante os 20 anos em que atuou na Assembleia Legislativa foi primeiro vice-presidente da mesa diretora, presidente da Comissão de Abastecimento e vice-presidente da Comissão de Assuntos da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e Estímulos Fiscais. Participou ainda da Comissão de Defesa do Meio Ambiente e da Comissão de Redação. Foi suplente da Comissão de Agropecuária e Política Rural e da Comissão de Segurança.
Nas eleições de 1998, candidatou-se à Câmara dos Deputados na legenda do PFL com o apoio do Partido Progressista Brasileiro (PPB) e do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Eleito, tomou posse em fevereiro de 1999. Membro da bancada ruralista, participou da Comissão de Agricultura e Política Rural, foi suplente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, e presidiu também a Comissão de Seguridade Social e Família. Foi vice-líder do PFL e do bloco parlamentar formado pelo PFL e pelo Partido Social Trabalhista (PST), que seria incorporado ao Partido Liberal (PL) em 2003. Em julho de 2001, recebeu concessão de TV educativa para a cidade de Januária, sua base eleitoral, por decreto assinado pelo então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. A concessão foi dada em nome da Fundação Cultural de Januária, dirigida por filhos do deputado.
Candidato à reeleição nas eleições de outubro de 2002, obteve uma suplência. Encerrou seu mandato em janeiro de 2003, e na condição de suplente voltou a assumir uma cadeira na Câmara de fevereiro de 2003 a novembro de 2004. Em 2005 filiou-se ao PTB, e entre julho e outubro de 2006 reassumiu mandato, em substituição do deputado federal Danilo de Castro. Participou da Comissão de Turismo e Desporto e da Comissão de Viação e Transportes e foi suplente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e da Comissão de Desenvolvimento Urbano e Interior.
Em 2006, teve seu nome citado em processo aberto pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados por envolvimento no “escândalo dos sanguessugas”, como ficou conhecida a atuação da empresa Planam, que, com apoio de deputados federais e senadores que apresentavam emendas ao orçamento da União, obtinha recursos para fraudar licitações e vender ambulâncias para prefeituras com valores superfaturados. Após a Polícia Federal ter descoberto o esquema, uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) foi instalada no Congresso Nacional para investigar o envolvimento de parlamentares no caso. Foi acusado por um dos sócios da Planam, em depoimento a CPI, de ser um dos chefes do esquema. Candidato à reeleição em outubro de 2006 na legenda do PTB, não conseguiu se reeleger. Nas eleições de 2008 não concorreu a cargo eletivo.
Em 2010, foi o único dentre os mais de 70 denunciados a ser punido criminalmente pelo envolvimento no chamado “escândalo dos sanguessugas”, eclodido cinco anos antes. Recorreu da condenação a dois anos de prisão, tendo convertido a pena em prestação de serviços comunitários. Com os direitos políticos suspensos, sua atuação neste sentido ficou restrita à política partidária.