CARVALHO, Gilberto
| Tipo | Biográfico |
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| Cargos |
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| Autor(es) | Cechine Sinclair |
Gilberto Carvalho nasceu em Londrina (PR) no dia 21 de janeiro de 1951.
Iniciou os estudos em uma escola pública e, ao concluir a quarta série do antigo curso primário, decidiu tornar-se padre. Sem consultar os pais, matriculou-se em 1962 no internato do seminário da Ordem dos Palotinos, em sua cidade natal. Aos 13 anos, participou com a família da Marcha da Família com Deus, organizada pela igreja local e pelo seminário, em apoio ao regime militar instaurado em abril de 1964. Terminou o ginásio e o colegial em 1968, recebeu batina de noviço e passou quase dois anos em semirreclusão.
Aprovado no vestibular para o curso de filosofia na Universidade Federal do Paraná em 1969, mudou-se para o seminário de Curitiba. Na universidade, conviveu com situações que o fizeram mudar a maneira de ver o sacerdócio, a Igreja e a política, tais como a prisão e expulsão de professores e alunos e a resistência do movimento estudantil. Participou ainda do Projeto Rondon em Imperatriz, no Maranhão.
Já formado, em 1973 iniciou o curso de teologia em seu seminário e interessou-se pelos manifestos de dom Helder Câmara, de dom Paulo Evaristo Arns, de dom Pedro Casaldáliga e dos “padres operários” europeus, bem como por documentos da Igreja Católica progressista. Em 1975 abandonou o curso e, junto com dois outros seminaristas, foi viver em uma favela e trabalhar em uma fábrica seguindo preceitos da pastoral operária. Em 1977 participou, no Rio de Janeiro, da criação da Comissão Nacional da Pastoral Operária. Foi contratado pela indústria de refrigeradores Prosdócimo como soldador e, nessa função, estabeleceu contato com Waldemar Rossi, líder metalúrgico católico e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, além de sindicalistas de Osasco e do ABC paulista, entre eles Luís Inácio Lula da Silva. Organizou reuniões clandestinas para a formação de uma comissão de fábrica em seu local de trabalho e, em 1979, participou da deflagração da primeira greve operária no Paraná desde o início do regime militar, tendo sido denunciado pelo sindicato oficial da categoria e demitido junto com outros líderes. Em 1980, apoiado por uma organização belga, participou da instalação de uma serralheria em regime de autogestão operária, que se manteve em atividade por mais de quatro anos.
Ainda em 1979, dedicou-se à estruturação do Partido dos Trabalhadores (PT) no Paraná. Em 1981, indicado pela Pastoral Operária, viajou para a Europa a fim de conhecer experiências sindicais e fortalecer intercâmbios com a Pastoral. No ano seguinte, participou da direção estadual do PT, identificando-se com o manifesto “dos 113”, liderado por Lula, que defendia o “não alinhamento” interno a organizações político-partidárias. Em 1983 participou, em São Bernardo do Campo (SP), da fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), e no ano seguinte foi eleito membro da direção nacional do PT, assumindo a Secretaria de Formação Política. De 1984 a 1987 representou a Pastoral Operária junto à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e em 1985 foi eleito coordenador nacional da Pastoral Operária sediada em Duque de Caxias (RJ), para onde se mudou.
De regresso a Curitiba em 1986, foi eleito presidente estadual do PT e candidatou-se a deputado federal. Obteve expressiva votação, mas não se elegeu, pelo fato de sua legenda não ter alcançado o coeficiente eleitoral. Em 1989 participou da campanha de Luís Inácio Lula da Silva para presidente da República. Foi também sequestrado e ameaçado de morte, o que levou a direção nacional do PT a afastá-lo do Paraná e nomeá-lo coordenador do Instituto Cajamar, no interior de São Paulo, voltado para a formação política dos militantes de base. Aí permaneceu até 1993, quando assumiu a secretaria-geral do partido.
Em 1994, integrou novamente a coordenação da campanha de Luís Inácio Lula da Silva para a presidência da República, atuando na mobilização nas áreas de cultura e de comunicação. De 1995 a 1997, tornou-se secretário de comunicação do PT, sempre em sintonia com a tendência majoritária Articulação. Em fevereiro de 1997 foi nomeado secretário de Comunicação de São Bernardo do Campo pelo prefeito Celso Daniel e, em julho, deixou a direção nacional do PT. Com a reeleição do prefeito, em janeiro de 2001 tornou-se secretário de Governo, cargo que exerceu até o trágico assassinato de Daniel em janeiro de 2002. Dedicou-se então à nova campanha de Lula para a presidência, dessa vez como seu assessor mais próximo. Eleito, Lula convidou-o para ser chefe do gabinete pessoal do presidente da República.
Na chefia do gabinete
Ao assumiu o cargo em janeiro de 2003, recebeu as atribuições oficiais de organizar a agenda e as viagens do presidente, supervisionar a segurança, cuidar do cerimonial e administrar as despesas presidenciais. Os meios políticos e de comunicação lhe atribuíram um importante papel de conselheiro do presidente, que a ele delegava missões de articulação política internas e externas ao PT. Seu nome foi citado nas diversas comissões parlamentares de inquérito (CPIs) criadas para investigar denúncias de irregularidades envolvendo o governo federal e o PT. Durante a CPI dos Bingos, em 2005, em que se apuraram denúncias sobre a existência de arrecadação ilegal de recursos financeiros para cooptar parlamentares para a base de apoio ao governo federal, foi acusado de ter conhecimento de desvio de dinheiro de contratos da prefeitura de São Bernardo do Campo. Na CPI dos Sanguessugas, de 2006, foi citado por envolvimento na tentativa de compra de dossiê prejudicial ao principal concorrente de Lula nas eleições daquele ano. Apesar de ser recorrentemente citado em CPIs, em nenhum as acusações foram comprovadas, e com isso teve seu nome excluído dos relatórios finais, devido à ausência de provas.
Com a reeleição de Lula em 2006 e o início de seu novo governo em janeiro de 2007, permaneceu na função de chefe de gabinete. Em junho de 2008, acusado por órgãos da imprensa colombiana de manter contato com a organização guerrilheira Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), divulgou nota explicando tratar-se de assunto de natureza humanitária, ligado ao estado de saúde de um religioso vinculado ao grupo. Nesse mesmo ano, transferiu-se para São Paulo a fim de reforçar a campanha de Marta Suplicy no segundo turno da eleição para a prefeitura.
Nos primeiros meses de 2009, os líderes da tendência majoritária do PT, Construindo um Novo Brasil (CNB), sucessora das antigas Articulação, Campo Majoritário, Articulação de Esquerda e Mensagem ao Partido, propuseram seu nome, como candidato capaz de unificar o partido, nas eleições de novembro para a presidência do PT e a renovação de 75% da direção nacional. O presidente Lula reagiu à iniciativa, afirmando não poder abrir mão de seu trabalho à frente do gabinete pessoal. Em meados de 2009, teve êxito em duas questões, uma delas de caráter pessoal, com a adoção de duas meninas, irmãs, após quatro anos de espera, e a promulgação de uma lei na qual se empenhou durante anos, a Lei Nacional de Adoção, que simplificou e agilizou os procedimentos de adoção de crianças no Brasil.
Engajado na pré-campanha da ministra Dilma Rousseff para a presidência da República, em 2009 trabalhou para aproximá-la mais da Igreja Católica por meio de encontros com parlamentares e líderes, comparecimento a atos religiosos e entrevistas aos meios de comunicação do catolicismo.
Foi casado com Maria do Carmo Alves de Albuquerque, com quem teve três filhos. Do segundo casamento, com Floripis, teve duas filhas.