CASSEL, Guilherme

Guilherme Cassel nasceu em Santa Maria (RS) em 6 de outubro de 1956, filho de Flávio Cassel e de Norma Cassel.

Estudou no Colégio Santa Maria e ingressou a seguir na Universidade Federal de Santa Maria, formando-se engenheiro civil. Depois de concluir a faculdade fez pós-graduação em recursos humanos.

Durante o período em que esteve na faculdade iniciou a militância política no movimento estudantil. Na metade dos anos 1980 filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT), onde integrou a corrente Democracia Socialista (DS). Tendo iniciado a vida profissional como agente fiscal do Tesouro do Rio Grande do Sul, em Santa Maria, em 1986 mudou-se para Porto Alegre e tornou-se funcionário da Secretaria Estadual da Fazenda. Com a eleição de Olívio Dutra (PT) para prefeito de Porto Alegre em 1988, foi nomeado secretário adjunto de João Verle na pasta da Fazenda. Ao final do mandato de Olívio Dutra, passou a trabalhar no gabinete do então deputado estadual Flávio Koutzii (PT).

Após a eleição de Olívio Dutra para o governo estadual em 1998, foi nomeado subchefe da Casa Civil, e depois chefe de gabinete do vice-governador Miguel Rossetto. Este último, no início do primeiro governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva em janeiro de 2003, foi nomeado ministro do Desenvolvimento Agrário. Entre 2003 e 2006, Cassel ocupou o cargo de secretário-executivo do ministério. Nesse período, ganhou destaque o enfoque dado pelo governo à agricultura familiar, mas também surgiram críticas à relação do governo federal com os movimentos sociais e ao número de novos assentamentos patrocinados pelo governo Lula. Com a saída de Miguel Rosseto do ministério, em março de 2006, Cassel assumiu seu lugar de forma interina.

Reeleito em outubro de 2006, ao iniciar seu segundo governo em janeiro de 2007 Lula manteve Guilherme Cassel como ministro do Desenvolvimento Agrário. No início de 2008 o ministro teve seu nome citado no escândalo que envolveu o uso inapropriado de cartões corporativos, por parte de ministros e outros ocupantes de cargos de confiança do governo federal, para pagar despesas pessoais entre os anos de 2007 e 2008. Cassel assumiu o uso inadequado do cartão corporativo e decidiu não mais usá-lo, de acordo com a recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU), sendo mantido no cargo pelo presidente da República.

No ministério, continuou a enfrentar severas críticas de setores antagônicos da sociedade. Os deputados da chamada “bancada ruralista”, ligada aos interesses do empresariado rural, o criticavam pela suposta complacência com que trataria os movimentos sociais ligados à questão da propriedade agrária, em especial o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST). Por outro lado, os porta-vozes dos movimentos sociais o acusavam de conduzir de forma muito lenta a reforma agrária no governo Lula e questionavam sua nomeação, pedindo outro nome.

A questão da relação do governo com o MST ganhou maior notoriedade a partir de outubro de 2009, quando ocorreu a invasão, pelo MST, da fazenda Santo Henrique, na divisa dos municípios de Iaras e Lençóis Paulista, em São Paulo, o que teria resultado na destruição de parte do laranjal da propriedade. Imagens aéreas que comprovariam a ação foram repetidamente exibidas na televisão, chamando a atenção de grande parte da opinião pública para o fato. Nessa ocasião, o ministro teve que defender publicamente tanto a política agrária adotada pelo governo quanto refutar as acusações de repasse ilegal de verbas públicas para o MST, por intermédio de organizações não governamentais (ONGs).

Com a eleição de Dilma Vana Rousseff no pleito de Outubro de 2010 para a sucessão presidencial, deixou o Ministério ao fim do governo Lula, em Dezembro, quando foi sucedido na pasta por Afonso Florence. Fora do governo federal, foi nomeado pelo então governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, para cargo na diretoria do banco do mesmo estado, o Banrisul, do qual veio a ser eleito vice-presidente três anos depois.

Casou-se com a engenheira civil Regina Maria Pozzobon, com quem teve um filho.