CARLOS, Emílio

Emílio Carlos Kyrillos nasceu em Catanduva (SP) no dia 23 de março de 1917, filho de Antônio Carlos Kyrillos e de Emília Carlos, imigrantes libaneses. Seu irmão Fauze Carlos foi secretário de Saúde do estado de São Paulo. Outro irmão, Nassib Carlos, foi prefeito de Duartina (SP).

Fez os estudos iniciais no Ginásio São Luís, em Jabuticabal (SP), e no Colégio Mackenzie, em Araraquara (SP), ingressando no jornalismo em 1936 como redator da seção de assuntos internacionais de O Estado de S. Paulo. Em 1941 bacharelou-se pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi correspondente de guerra na British Broadcasting Corporation (BBC), em Londres, onde frequentou também a London School of Economics, datando dessa época a popularidade de que desfrutaria ao longo de sua vida pública.

Ao retornar da Inglaterra em 1945, filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Deixando O Estado de S. Paulo em 1946, elegeu-se deputado federal por seu estado na legenda desse partido nas eleições suplementares de janeiro de 1947. Assumindo o mandato em março seguinte, em seguida acompanhou Hugo Borghi, então expulso do PTB, na criação do Partido Trabalhista Nacional (PTN), de cuja bancada na Câmara dos Deputados foi líder. Em janeiro de 1948 votou a favor da cassação dos mandatos dos parlamentares comunistas e, ainda nesse ano, considerou injusta a criação do Estado de Israel, por não se encontrar na Palestina vestígio algum da civilização judaica. Julgou também precipitado o reconhecimento do novo Estado pelo governo brasileiro.

Reeleito deputado federal por São Paulo na legenda do PTN nos pleitos de outubro de 1950 e de 1954, acompanhou seu partido quando este, em março de 1955, decidiu apoiar a candidatura de Juscelino Kubitschek à presidência da República. Assim, em novembro do mesmo ano votou no Congresso a favor do impeachment do presidente João Café Filho, acusado de tentar articular um golpe que impediria a posse de Kubitschek, vitorioso nas eleições de outubro. Derrotado por Lino de Matos em maio de 1955 nas eleições para a prefeitura de São Paulo, tornou-se em abril do ano seguinte vice-líder da maioria na Câmara dos Deputados, ocupando ainda a liderança de seu partido nessa casa de maio de 1957 até o fim da legislatura em janeiro de 1959.

Reeleito em outubro de 1958, foi novamente líder do PTN a partir de maio do ano seguinte, tendo apoiado a candidatura de Jânio Quadros por ocasião dos debates em torno da sucessão de Kubitschek. Nesse sentido, ainda em 1959, viajou a Salvador para convencer Juraci Magalhães a candidatar-se à vice-presidência da República na chapa de Jânio, o que não conseguiu. Em março de 1961 foi novamente derrotado nas eleições para prefeito de São Paulo, dessa vez por Francisco Prestes Maia. Ainda neste último ano deixou a presidência do PTN, por ele ocupada durante a maior parte da década anterior, Elegeu-se deputado federal pela quinta e última vez, sempre na legenda do PTN, no pleito de outubro de 1962, tendo falecido em Brasília em 24 de janeiro do ano seguinte, sem chegar, portanto, a iniciar o novo período legislativo.

Além de parlamentar, foi comerciante e industrial.

Era casado com Ester Chammas de Carlos.