CARMO, Sousa

Juarez de Sousa Carmo nasceu em Amparo da Serra, então distrito de Ponte Nova (MG), no dia 30 de abril de 1907, filho do funcionário público Benjamim do Carmo e de Teolinda de Sousa Carmo. Seu pai foi vereador em Ponte Nova e em Raul Soares (MG). Seu irmão, Elias de Sousa Carmo, foi deputado federal de 1954 a 1955, de 1961 a 1962 e, finalmente, de 1963 a 1975.

Juarez de Sousa Carmo cursou o secundário no Colégio de Viçosa (MG), município onde, de setembro de 1928 a dezembro de 1929, trabalhou como escrivão de cartório. Já estudante universitário, apoiou a Revolução Constitucionalista de 1932, tendo participado da chamada Revolta de Araponga. Em consequência destas atividades, foi preso em Viçosa e enviado ao Rio de Janeiro.

Após ser libertado, formou-se, em 1934, em direito pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil. De volta a Minas, dedicou-se à advocacia em Viçosa e elegeu-se vereador na cidade pela legenda do Partido Republicano Mineiro (PRM) em outubro de 1935. Empossado no cargo, foi presidente da Câmara Municipal durante a legislatura. Encerrou o seu mandato e, por causa de sua oposição ao golpe do Estado Novo (10/11/1937), foi novamente detido pelas forças governistas.

Nas eleições de dezembro de 1945, comandou, juntamente com Felipe Balbi e José André de Almeida, a campanha presidencial na Zona da Mata mineira do brigadeiro José Eduardo Gomes, candidato da União Democrática Nacional (UDN). Em 1947, elegeu-se deputado à Assembleia Constituinte de Minas Gerais pela legenda do Partido Republicano (PR). Neste mandato, integrou a comissão encarregada de elaborar o projeto da nova Constituição do estado e foi segundo-vice-presidente da Comissão Executiva da Assembleia. Durante o funcionamento da legislatura ordinária, foi membro de várias comissões e ocupou a vice-presidência da Comissão de Constituição, Legislação e Justiça, Comissão de Leis Complementares e da Comissão de Agricultura, Indústria e Comércio.

Reeleito em 1950, tornou-se no ano seguinte presidente da Comissão de Constituição, Legislação e Justiça. Foi ainda membro das comissões de Energia e Transportes e de Serviço Público e Civil. Líder da bancada do PR de 1951 a 1953, licenciou-se do mandato, em 15 de abril deste último ano, para ocupar a Secretaria de Agricultura, Indústria, Comércio e Trabalho no governo mineiro de Juscelino Kubitschek (1951-1955). Ao deixar o cargo em agosto de 1954 - ano em que também ocupou interinamente as secretarias de Viação e Obras Públicas e de Saúde -, retornou à Assembleia Legislativa mineira, para a qual se reelegeu em outubro seguinte. Na nova legislatura, presidiu a Comissão de Finanças, Orçamento e Tomada de Contas e foi titular da Comissão de Segurança Pública do Legislativo mineiro.

No pleito de outubro de 1958, elegeu-se deputado federal por Minas Gerais pela legenda do PR, deixando o mandato estadual em janeiro de 1959 para assumir, no mês seguinte, uma cadeira na Câmara dos Deputados. Licenciou-se, em 13 de março de 1959, para assumir o cargo de secretário do Interior de Minas Gerais no governo de José Francisco Bias Fortes (1956-1961), retornando à Câmara no dia 30 de janeiro de 1961. Tentou a reeleição em 1962, conseguindo apenas uma suplência e, ao final da legislatura (31/1/1963), deixou a Câmara para não mais voltar.

Com a instauração do bipartidarismo pelo Ato Institucional nº 2 (AI-2) de 27 de outubro de 1965, filiou-se, no ano seguinte, à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação ao regime militar instaurado no país em abril de 1964.

Afastado da carreira parlamentar, tornou-se membro do conselho superior das caixas econômicas federais, no Rio de Janeiro, função que exerceu entre 1967 e 1970. De 1971 a 1974, foi presidente da Cooperativa Habitacional (Cohab) de Minas Gerais e, entre 1976 e 1978, ocupou a vice-presidência do conselho administrativo do Banco de Crédito Real de Minas Gerais S.A. A partir de então passou a advogar em seu escritório, na capital mineira.

Faleceu em Belo Horizonte no dia 22 de outubro de 1991.

Era casado com Violeta Vasconcelos de Sousa Carmo - sobrinha do ex-presidente da República Artur Bernardes (1922-1926) e prima de Artur Bernardes Filho, deputado federal entre 1935 e 1937, constituinte em 1946, senador de 1947 a 1955 e ministro da Indústria e Comércio em 1961 -, falecida em 1975. Com ela, Sousa Carmo teve um filho.