GRECA, Rafael

Rafael Valdomiro Greca de Macedo nasceu em Curitiba no dia 17 de março de 1956, filho de Eurico Dacheux de Macedo e Therezinha Greca de Macedo.

Graduou-se em economia na Fundação de Estudos Sociais do Paraná (FESP) em 1977 e em engenharia civil na Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 1978. Cursou a especialização em urbanismo nos anos seguintes. Nesse período, foi também diretor da casa Romário Martins em Curitiba e fundador da Casa da Memória de Curitiba em 1980.

Após formar-se, foi aprovado em concurso público em 1982 para a função de engenheiro do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), importante agência de planejamento da cidade e onde trabalharam vários engenheiros e urbanistas liderados pelo ex-prefeito Jaime Lerner. No IPPUC, vinculou-se ao grupo político de Lerner e iniciou sua carreira política elegendo-se vereador em Curitiba, no pleito de outubro de 1982, na legenda do Partido Democrático Social (PDS), tendo sido empossado no cargo em janeiro do ano seguinte. Durante seu mandato, organizou o grupo Pró-Cidade, no qual vereadores de diversas agremiações eram informados sobre o planejamento urbano de Curitiba. Em 1985, saiu do PDS e filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), partido de Jaime Lerner.

No pleito de outubro de 1986, elegeu-se deputado estadual constituinte pelo Paraná na legenda do PDT. Durante o mandato, Greca foi relator do capítulo D a Ordem Política, Econômica e Social da Constituição estadual promulgada em 1989 e foi o autor da lei que tornava obrigatório o ensino de História e Geografia do Paraná em todas as escolas do estado. Nas eleições de outubro de 1990, novamente elegeu-se deputado estadual pelo PDT. Nessa legislatura, foi líder da bancada de oposição ao governador Roberto Requião na Assembleia Legislativa do Estado (ALEP), destacando-se ainda por elaborar várias propostas relacionadas à organização dos transportes rodoviários.

No pleito de outubro de 1992, concorreu à prefeitura de Curitiba pelo PDT e venceu as eleições no primeiro turno com 324.348 votos (53% dos votos validos). Empossado no cargo em janeiro de 1993, durante seu mandato deu continuidade ao modelo de gestão urbana criado pela equipe do IPPUC e pela equipe liderada por Jaime Lerner nos anos anteriores. Implementou, em convênio com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Programa de Transporte Urbano de Curitiba, com investimentos totais de U$S 236 milhões em infraestrutura urbana, pavimentação e equipamentos, o que permitiu a ampliação da rede de transporte coletivo à região metropolitana na sua gestão e nas duas gestões que se sucederam, bem como a implantação dos ônibus biarticulados nas canaletas dos antigos ônibus expressos, além das Ruas de Cidadania (espaço que reúne os principais órgãos da administração municipal em cada administração regional), do Memorial de Curitiba e dos Faróis do Saber (bibliotecas junto às escolas municipais e abertas à comunidade). No período de 1994 a 1996, foi ainda Delegado Nacional da Organização Ibero-Americana de Cooperação Intermunicipal (OICI).

Exerceu a prefeitura até 1° de janeiro de 1997. Ainda nesse ano, filiou-se ao Partido da Frente Liberal (PFL), acompanhando o grupo político liderado pelo então governador do estado, Jaime Lerner. Nesse ano, Greca ocupou vários cargos no primeiro escalão do governo Lerner e foi sucessivamente secretário de Planejamento e Coordenação-Geral do estado do Paraná em 1997 e secretário-chefe da Casa Civil do estado entre 1997 e 1998.

Em outubro de 1998, Jaime Lerner reelegeu-se governador do estado do Paraná pelo PFL, derrotando o candidato Roberto Requião (PMDB) no primeiro turno das eleições. Em março do mesmo ano, Greca licenciou-se da chefia da Casa Civil para participar da campanha para deputado federal. No pleito de outubro de 1998, elegeu-se deputado pelo Paraná na legenda do PFL, tendo sido o mais votado do estado com 226.554 votos.

Assumiu seu primeiro mandato de deputado federal em 1º de fevereiro de 1999. Logo após ser empossado, licenciou-se para exerceu o cargo de ministro de Estado do Esporte e Turismo, entre fevereiro de 1999 e maio de 2000, no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, em substituição ao ex-jogador de futebol Edson Arantes do Nascimento (Pelé). Durante sua gestão no ministério, foi presidente do comitê executivo do V Centenário do Descobrimento, e nessa condição, juntamente com os ministros das Relações Exteriores e da Cultura, organizou os festejos comemorativos à passagem da data. Ainda em 1999, o Ministério Público Federal (MPF) entrou na Justiça com ação de improbidade administrativa contra Greca, um de seus assessores e mais oito pessoas ligadas a casas de bingo do Distrito Federal. Greca e os demais suspeitos foram acusados de envolvimento com a máfia dos bingos e de autorizar irregularmente a instalação de máquinas caça-níquel, com o objetivo de arrecadar ilicitamente recursos para o financiamento de sua campanha a governador do estado, que se faria em 2002. Embora nada tenha sido provado, Greca sofreu forte desgaste político que se intensificou em abril de 2000, quando das comemorações dos 500 anos da descoberta do Brasil. Nesse mês, para comemorar a chegada de Pedro Álvares Cabral a Porto Seguro, o governo brasileiro programou a aparição de uma réplica da Nau Capitânia, idêntica à que havia conduzido a frota portuguesa na travessia do Atlântico. Logo após partir de Portugal para Porto Seguro, local programado da festa e de chegada da embarcação, a réplica da nau foi obrigada a interromper a viagem por haver sido inundada de água e correr o risco de afundar com toda a tripulação. Além disso, por ocasião das solenidades comemorativas dos 500 anos do descobrimento, houve um intenso confronto entre 5.000 policiais militares e diversas tribos indígenas e cerca de 3.000 trabalhadores sem-terra, na proximidade do palanque das autoridades em Porto Seguro, local escolhido para sediar as comemorações. As fortes repercussões negativas do confronto, inclusive internacionais, somadas às acusações do envolvimento com a máfia dos bingos, provocaram um acentuado desgaste político de Grega que levou à sua saída do ministério no início de maio de 2000, embora a maior parte dos processos que enfrentou tivesse sido arquivada por falta de provas.

Após sair do ministério, exerceu o mandato de deputado federal por um curto período até ser nomeado secretário da Comunicação Social do estado do Paraná, durante o governo Lerner, cargo em que permaneceu de 1º de dezembro de 2000 a 2 de janeiro de 2002. Em sua gestão, concebeu e criou o Canal Paraná de Televisão, ligado a 21 emissoras, com 8 mil espectadores e 15 novos programas para prestigiar artistas locais.

Em junho de 2002, foi pré-candidato ao governo do estado na convenção do PFL paraense, sendo no entanto derrotado dentro do partido, que preferiu apoiar o candidato do Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB), Beto Richa, ao governo do estado. Inviabilizada sua candidatura ao governo, candidatou-se ao mandato de deputado estadual pelo PFL, elegendo-se com 51.923 votos nas eleições de outubro do mesmo ano. Nas mesmas eleições, Roberto Requião, do PMDB, foi eleito governador do Paraná no segundo turno das eleições, derrotando Álvaro Dias do PDT. Nesse período, Greca começou a se aproximar do PMDB e a se afastar politicamente do grupo político de Jaime Lerner e do PFL, em virtude de sua derrota na convenção do partido e das medidas implementadas no segundo mandato de Lerner, tais como a privatização da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), que acabou não se consumando em virtude dos atentados de 11 de setembro de 2001. Por esses motivos, Greca e seu grupo político apoiaram Requião e Lula (candidato que seria eleito pelo Partido dos Trabalhadores - PT), nas eleições para o governo do estado e para a presidência da República, e iniciaram um processo de aproximação com o PMDB.

Deixou a Câmara dos Deputados em janeiro de 2003. Durante essa legislatura, foi membro titular das comissões de Educação, de Fiscalização e da Iluminação Pública da Câmara dos Deputados.

Assumiu o mandato de deputado estadual em fevereiro de 2003, e logo no início da legislatura, em maio do mesmo ano, saiu do PFL e transferiu-se para o PMDB, passando a fazer parte da base de apoio ao governo de Roberto Requião. Em março de 2003, juntamente com o então deputado peemedebista Gustavo Fruet, divulgou um manifesto em que defendia o lançamento de uma candidatura própria do PMDB para as eleições de outubro à prefeitura de Curitiba, lançando-se pré-candidato pelo partido na mesma ocasião. No entanto, sua proposta foi derrotada na convenção partidária realizada em junho do mesmo ano que, seguindo instruções do governador Roberto Requião, aprovou o apoio do partido à candidatura de Ângelo Vanhoni, do PT, ainda no primeiro turno das eleições, rejeitando a proposta de candidatura própria do PMDB. No segundo turno das eleições, realizadas em outubro do mesmo ano, o ganhador foi Beto Richa (PSDB), tendo Ângelo Vanhoni terminado as eleições em segundo lugar com 45,2% dos votos válidos.

Após a derrota de sua pré-candidatura, Greca continuou exercendo seu mandato de deputado e a fazer parte da base de apoio de Roberto Requião na Assembleia Legislativa do estado. Nesse período, foi um dos coordenadores do Movimento o Porto é Nosso, contra os boatos de privatização e intervenção no Porto de Paranaguá pelo governo federal, manifestando-se ainda amplamente favorável à política de Requião em relação às empresas públicas do estado.

No pleito de outubro de 2006, candidatou-se novamente ao mandato de deputado estadual, obtendo uma suplência com 34.736 votos. Foi também um dos coordenadores da campanha de Roberto Requião no segundo turno das eleições no estado do Paraná, tendo Requião conseguido se reeleger por estreita margem de votos, derrotando Osmar Dias (PDT).

Após a vitória nas eleições, foi nomeando presidente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) pelo governador Roberto Requião. Em 1° de fevereiro de 2007, tomou posse como presidente da Cohapar e foi designado logo em seguida coordenador das obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) no Paraná. No início de 2008, lançou-se mais uma vez pré-candidato a prefeito de Curitiba pelo PMDB, e foi novamente preterido, quando a convenção do partido escolheu o nome do ex-reitor da UFPR, Carlos Augusto Moreira Júnior, que obteve apenas 1,9% dos votos válidos nas eleições para a prefeitura de Curitiba.

Além dos cargos políticos que ocupou ao longo de sua trajetória Rafael Greca, foi também conferencista do Convênio Internacional sobre Urbanismo Social, realizado em Nápoles, na Itália, conselheiro da Fundação Cultural de Curitiba, entre 1997 e 2000, ocupante da cadeira nº 8 da Academia Paranaense de Letras, da Associação de Parlamentares de Origem Italiana, do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico do Paraná, e do Instituto de Engenharia do Paraná. Foi também condecorado com a Ordem do Rio Branco, na categoria de Grande Oficial, concedida em 1996 pelo presidente da República em reconhecimento ao conjunto de suas obras na cidade de Curitiba, da Ordem do Rio Branco, categoria Grã-Cruz (1999), em reconhecimento por serviços prestados ao Brasil, e conquistou um dos mais importantes prêmios de urbanismo do mundo, o Prêmio Mundial do Habitat (World Habitat Awards) da Housing and Building Foundation da ONU.

Publicou diversas obras, entre as quais: Bastião da pá de lixo (1970), Cada um cai do bonde como pode (1973), Quantos países moram nas ruas de Curitiba (1990), Caminhos para o Paraná do próximo milênio: 28 rotas de transporte (1990), este último escrito com seu pai, Poema ao rio Iguaçu (1997), Verdades e mentiras de meu tempo de ministro (2000), Papa João Paulo II - Sua Santidade e o Paraná (2005), produzido junto com o padre Benedydickt Grzymkowski e Danuta Lisicki.

É casado com a jornalista e colunista social Margarita Elizabeth Pericás Sansone.