CARVALHO, Álvaro de

Álvaro Pereira de Carvalho nasceu em Mamanguape (PB) no dia 19 de fevereiro de 1885, filho de Manuel Pereira de Carvalho e de Francisca Leopoldina de Carvalho.

Filho de família pobre, ainda criança transferiu-se com os pais para a cidade da Paraíba, atual João Pessoa. Enquanto aprendia as primeiras letras, ajudava o pai em seu ofício de barbeiro. Fez os estudos secundários no Liceu Paraibano.

Ingressando na carreira jornalística, em 1903 tornou-se secretário do jornal O Comércio e colaborou em O Combate, órgãos oposicionistas que foram empastelados em julho de 1904, durante o governo de José Peregrino de Araújo (1900-1904). Os diretores dos jornais responsabilizaram o chefe de polícia estadual Antônio Simeão dos Santos Leal pelo ocorrido, mas o inquérito aberto nada apurou de definitivo.

Álvaro de Carvalho bacharelou-se pela Faculdade de Direito de Recife em 1912, sendo contratado no ano seguinte pelo Liceu Paraibano, onde passou a ensinar italiano e, posteriormente, francês e inglês. Em 1916 tornou-se diretor da instituição e, ainda em julho desse ano, nomeado pelo presidente estadual Sólon de Lucena (1916), assumiu a Secretaria Geral do estado, à frente da qual permaneceu até outubro seguinte. Ligado ao Partido Republicano Conservador, pertencia, juntamente com João Suaçuna, Celso Mariz e outros, ao grupo dos “jovens turcos”, ala da agremiação considerada rebelde. Durante o governo de João Suaçuna (1924-1928), foi encarregado de estudar a reforma do ensino no estado, tendo para tanto visitado várias capitais da América do Sul. Convidado para o cargo de diretor-geral da Instrução Pública, não o aceitou.

Eleito deputado federal pela Paraíba em 1927, exerceu o mandato desse ano ao seguinte, quando se elegeu vice-presidente de seu estado na chapa encabeçada por João Pessoa. Com o assassinato do presidente paraibano em julho de 1930, assumiu o governo do estado, exercendo-o até outubro seguinte, quando foi deposto pelo movimento revolucionário liderado em âmbito nacional por Getúlio Vargas. Segundo Luís Pinto em Fundamentos da história e do desenvolvimento da Paraíba, estava inteirado do movimento desde sua fase conspiratória, embora não o apoiasse. Substituído por José Américo de Almeida, secretário do governo de João Pessoa e chefe revolucionário, deixou então a Paraíba, fixando-se em Santos (SP), onde passou a lecionar e advogar. Em 1937 retornou ao seu estado e recuperou a cadeira de professor no Liceu Paraibano.

Membro fundador da Academia Paraibana de Letras e do Instituto Histórico da Paraíba, colaborou em diversos jornais do estado e do país.

Faleceu em João Pessoa no dia 5 de outubro de 1952.

Publicou Ensaio de crítica e estética (1920), Revelações do eu (1920), Ensaios de crítica (1924), Nas vésperas da revolução (1932) e Augusto dos Anjos e outros ensaios (1946).