CARVALHO, Edmar
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Edmar da Silva Carvalho nasceu em Porto Alegre no dia 5 de outubro de 1898, filho de Felisberto da Silva Carvalho e de Maria Perciliana de Carvalho.
Estudou no Colégio Anchieta e no Instituto Eletrotécnico, anexo à Escola de Engenharia de Porto Alegre. Realizou seus estudos superiores apenas por dois anos, não podendo prossegui-los por falta de recursos.
Comerciário, trabalhou como auxiliar da firma Antônio Barcelos, de Porto Alegre, durante nove anos, e foi também viajante comercial da companhia Alberto Terra e Martíni Gaspori. Depois disso, tornou-se funcionário da Companhia Swift no Rio Grande do Sul.
Em 1929, identificado com os princípios liberais, apoiou a campanha oposicionista da Aliança Liberal em torno da candidatura de Getúlio Vargas à presidência da República no pleito marcado para o ano seguinte, atuando sobretudo em São Gabriel (RS). Com a vitória do candidato situacionista Júlio Prestes, aderiu às articulações que culminaram na Revolução de 1930. Filiou-se depois ao Partido Republicano Liberal (PRL) do Rio Grande do Sul, fundado em novembro de 1932 pelo interventor José Antônio Flores da Cunha e dissidentes da Frente Única Gaúcha (FUG).
Delegado eleitor do Sindicato dos Empregados do Comércio do Rio Grande do Sul à Convenção dos Sindicatos dos Empregados reunida no Rio de Janeiro em julho de 1933, foi eleito deputado classista à Assembleia Nacional Constituinte, tornando-se representante profissional dos empregados no comércio. Deixou a Swift para assumir uma cadeira na Assembleia ao se iniciarem os trabalhos em novembro de 1933. Ocupando a tribuna em 26 de dezembro seguinte, desculpou-se por não ser possuidor de “uma cultura que [correspondesse] à inteligência de todos” e prosseguiu com suas críticas às explorações feitas em nome da classe operária naquela casa, elogiando o Governo Provisório, do qual “...o operariado recebeu... tudo o que ele pôde dar”. Durante essa sessão, Acir Medeiros, representante dos empregados no Rio de Janeiro, acusou-o de servir aos interesses do “patrão e não dos operários”, episódio que deu início a uma longa rivalidade entre os dois.
Em outra de suas intervenções na tribuna, referindo-se aos derrotados na Revolução Constitucionalista de 1932, declarou-se contrário à liberdade ou ao retorno dos “políticos profissionais” exilados no exterior, manifestando-se a favor da “soltura de nossos companheiros e jornalistas que, pela defesa de suas ideias, estivessem no território nacional em prisões simples”. Em outra ocasião, declarou seu apoio à política do ministro da Fazenda, Osvaldo Aranha, que, no seu entender, “não pleiteava interesse para si”, mas, “sempre que [podia] - em benefício das camadas pequeninas e da classe proletária”. Na sessão de 6 de fevereiro de 1934, travou uma longa discussão pessoal com Acir Medeiros, a quem acusou de haver “revolucionado” Itaperuna (RJ). Este respondeu acusando-o de manter “ligações com a burguesia, explorando o proletariado”.
Com a promulgação da nova Carta (16/7/1934), como os demais constituintes, teve o mandato estendido até maio de 1935. Ainda em 1934, foi eleito deputado federal classista, tornando-se suplente da mesa da Câmara durante a legislatura que se seguiu. Permaneceu na Câmara dos Deputados até novembro de 1937, quando o advento do Estado Novo suprimiu todos os órgãos legislativos do país.
Casou-se com Coradina Macedo Carvalho.