PEREIRA, Merval

Merval Pereira, nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 24 de outubro de 1949, filho de pai médico.

Fez o curso de direito na Universidade do Estado da Guanabara (UEG), mas não terminou.

Seu primeiro emprego foi no jornal Diário de Notícias, onde entrou em 1967 por intermédio de amigos de seu pai. Nesta época, o jornal já vivia a fase de decadência, iniciada ainda em 1953, por ocasião da morte de seu proprietário, Orlando Dantas, quando então assumira a direção sua mulher Ondina Ribeiro Dantas e seu filho João Ribeiro Dantas. A situação veio a se agravar, primeiro com a construção de uma nova sede, e depois com a mudança de sua orientação política, deixando de lado a tradição antigetulista e passando a apoiar o governo João Goulart.

Merval trabalhou no jornal durante uns seis meses, em um período em que os funcionários já não recebiam seus salários em dia. Foi quando seu pai pediu a Rogério Marinho, irmão de Roberto Marinho, que lhe desse uma oportunidade no O Globo. Merval entrou como estagiário em 1968, no setor de Esportes, o que significou um ótimo aprendizado para depois fazer “política”.

Em 1973 afastou-se do jornal, indo para Londres onde fez um curso de gravura em metal. Voltando ao Brasil, continuou a trabalhar em O Globo, só que desta vez na sucursal de Brasília. O país já vivia neste momento os primeiros passos do processo de redemocratização determinado pelo do governo do general Ernesto Geisel, e Merval, no exercício de suas atividades acabou conhecendo personalidades importantes do regime militar, como Golbery do Couto, Humberto Barreto, Heitor de Aquino, entre outros, que acabaram sendo seus informantes e que, por outro lado, utilizaram a imprensa para impulsionar o projeto de abertura política. Esses contatos, de acordo com Merval em sua entrevista ao CPDOC, foram também importantes para o seu aprendizado sobre a política.

Em 1979 recebeu o prêmio Esso pelas reportagens: A Segunda Guerra, sucessão de Geisel, publicada no Jornal de Brasília e escrita em parceria com o então editor do jornal André Gustavo Stumpf. A série virou livro com o mesmo nome, editado pela Brasiliense (1979) e considerado referência para estudos da época.

Em 1983 deixou O Globo e foi trabalhar na revista Veja, onde permaneceu por dois anos e meio. Neste período, Merval foi chefe das sucursais de Brasília e do Rio de Janeiro e editor nacional em São Paulo, tendo recebido por três vezes o Premio Abril. Ao sair voltou para O Globo.

Em 1991 a 1992, foi o único bolsista da América Latina da John S. Knight Fellowship no curso de política internacional da Universidade de Stanford da Califórnia (EUA). Ao voltar ao Brasil deixou O Globo e foi para o Jornal do Brasil, onde assumiu o cargo de editor-executivo. Retornou a O Globo logo depois que Evandro Carlos de Andrade deixou o jornal para assumir o jornalismo da Rede Globo. Merval o substituiu, já tendo exercido desde então as funções de diretor de redação, editor-chefe, e diretor executivo do Infoglobo, além de ter sido também diretor de jornalismo de mídia impressa e rádio das Organizações Globo, e integrado o primeiro conselho Editorial do jornal Valor Econômico.

Em 2000, a reportagem feita por Merval Pereira sobre o envolvimento do cineasta João Moreira Salles com o traficante Marcinho VP – a quem conhecera em 1997 quando rodou um documentário no Morro Dona Marta (RJ) – chegou a finalista do prêmio Esso de Jornalismo.

Em 2008, passou um período na Universidade de Columbia, em Nova York, como visitor scholar do Centro de Estudos Latino-Americanos. No ano seguinte, recebeu o prêmio Maria Moors Cabot da Universidade Columbia, Nova York, por excelência jornalística, prêmio este que é considerado a mais importante premiação internacional do jornalismo das Américas.

Em 2010, Merval Pereira tomou posse como membro da Academia Brasileira de Filosofia, e em junho de 2011 foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras em substituição ao escritor Moacyr Scliar. Tornou-se então o oitavo ocupante da cadeira 31, que foi ocupada também por, entre outros, Cassiano Ricardo e José Cândido de Carvalho.

Merval Pereira mantém atualmente uma coluna no jornal O Globo; é comentarista político da rádio CBN e do canal de televisão a cabo Globo News, além de integrar o Conselho Editorial das Organizações Globo. É também media leader do World Economic Forum, e membro titular do Board of Visitors da John S. Knight Fellowships da Universidade Stanford.

Tem publicado os seguintes livros: A Segunda Guerra, Sucessão de Geisel (1979), em coautoria com André Gustavo Stumpf; O lulismo no poder (2010); e Mensalão, o dia a dia do maior julgamento da história da política do Brasil (2013).

Casado em segundas núpcias com Elza Pereira. Tem duas filhas do primeiro casamento.