CARVALHO, Ronald de
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Ronald de Carvalho nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 16 de maio de 1893, filho de Artur Augusto de Carvalho e de Alice de Paula e Silva Figueiredo de Carvalho. Seu pai, capitão-tenente e engenheiro naval, foi fuzilado ao participar da Revolta da Armada, levante de oposição ao presidente Floriano Peixoto que se estendeu de setembro de 1893 a março de 1894. Sua mãe casou-se em segundas núpcias com o almirante Raul Travassos, que de 1938 a 1944 foi ministro do então Supremo Tribunal Militar.
Ronald de Carvalho realizou os estudos secundários no Colégio Abílio, ingressando em seguida na Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro. Bacharelou-se em 1912, tendo iniciado dois anos antes suas atividades jornalísticas no Diário de Notícias, dirigido na época por Rui Barbosa. Viajou em 1913 para a França, cursando filosofia e sociologia no Colégio de França da Sorbonne, onde foi aluno do filósofo Émile Boutroux e manteve contato com os brasileiros Álvaro Moreira, Alceu Amoroso Lima e Rodrigo Otávio Landgaard Meneses Filho. Nesse mesmo ano foi editado no Rio de Janeiro seu primeiro livro de poemas, Luz gloriosa.
Retornando ao Brasil em 1914, ingressou em julho na carreira diplomática, sendo nomeado em agosto praticante da Secretaria de Estado das Relações Exteriores. No ano seguinte, foi um dos fundadores da revista portuguesa Orfeu, que publicou no primeiro número poemas de sua autoria ao lado de trabalhos de Fernando Pessoa. Em fevereiro de 1916 foi promovido a terceiro-oficial e em abril de 1918 a segundo-oficial, assumindo em 1920 as funções de auxiliar-de-gabinete do então subsecretário das Relações Exteriores, Rodrigo Otávio Landgaard Meneses. Em 1922, participou em São Paulo da Semana de Arte Moderna. Em 1924, dirigiu no Itamarati a Seção de Negócios Políticos e Diplomáticos da Europa, foi em seguida primeiro-secretário da embaixada especial enviada ao Peru e obteve em novembro sua promoção a primeiro-oficial. Viajou ao México em 1925 a convite do governo daquele país, proferindo na ocasião algumas conferências sobre o Brasil na Universidade Mexicana. Em 1928, no Rio de Janeiro, desempenhou as funções de assessor técnico e de encarregado de serviços da delegação brasileira à Conferência Pan-Americana de Havana. Foi auxiliar-de-gabinete do ministro das Relações Exteriores Otávio Mangabeira (1926-1930), deposto juntamente com Washington Luís pela Revolução de 1930.
Logo após a instauração do governo provisório de Getúlio Vargas, Ronald de Carvalho passou a responder interinamente pelo expediente do Ministério das Relações Exteriores. Em seguida, foi enviado a Paris, onde serviu como primeiro-secretário até 1933, quando foi designado encarregado de negócios em Haia. Retornando ao Brasil nesse ano, foi promovido em 1934 a ministro plenipotenciário de segunda classe. Ainda em 1934, articulou sem êxito, juntamente com Juarez Távora e Mário Câmara, a criação de um partido político nacional, e no mês de abril substituiu Gregório da Fonseca no cargo de secretário da Presidência da República, equivalente ao atual chefe do Gabinete Civil. Permaneceu no exercício de suas funções após a eleição presidencial de julho de 1934 que manteve Vargas no poder, tornando-se o redator dos discursos presidenciais.
Poeta, historiador, tradutor, crítico, ensaísta e representante dos movimentos literários simbolista e modernista no primeiro quartel do século XX, Ronald de Carvalho escreveu durante muitos anos uma coluna diária no Jornal do Brasil sobre política internacional, assinando “Um observador diplomático”. Colaborou também em diversos jornais da Argentina, México, Peru, Estados Unidos, França e Suíça.
Membro do Poets Guild of América, em Washington, do Instituto de Coimbra, em Portugal e da Academia Carioca de Letras, foi sócio correspondente da Real Academia Hispano-Americana e sócio efetivo da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro. Participou também da Junta de História Nacional do Uruguai, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Latina de Paris.
Faleceu no Rio de Janeiro em 15 de fevereiro de 1935, vítima de acidente automobilístico.
Foi casado com Leilá Aciole de Carvalho, com quem teve quatro filhos.
Publicou, além do livro já citado, Poemas e sonetos (1919), Pequena história da literatura brasileira (1919), Epigramas irônicos e sentimentais (1922), Espelho de Ariel (1922), Estudos brasileiros (1ª série, 1924), Toda a América (1926), Jogos pueris (1926), Estudos brasileiros (2ª série, 1931), Estudos brasileiros (3ª série, 1931), Rabelais e o riso do Renascimento (1931), Imagens do Brasil e do pampa (1933) e Le Brèsil et le génie français (1933). Foram publicados após a sua morte Caderno de imagens (1935), Itinerário. Antilhas. Estados Unidos. México (1935), O império do Brasil e as fronteiras do Prata.
A seu respeito foi publicado Viagem ao mundo da poesia, encontro com Tarso da Silveira, Murilo Araújo e Ronald de Carvalho (1957), de Tavina Cavalcanti, e ainda Ronald de Carvalho, de Peregrino Júnior.