VIDOR, George

George Vidor de Mello nasceu em 22 de setembro de 1952, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Seu pai era ligado à música, e sua mãe, dedicada aos afazeres domésticos. Seu avô paterno foi militar, e, durante a Segunda Guerra Mundial, serviu em Natal, ocasião em que seu pai foi convidado a trabalhar lá como intérprete em inglês.

Vidor fez seus estudos no Rio de Janeiro, tendo cursado o secundário no Colégio Pedro II, e, mais tarde, economia na Faculdade Cândido Mendes.

Sua entrada para o Colégio Pedro II, em 1964, coincidiu com o golpe que depôs o presidente João Goulart e instalou o regime militar no país. Este fato acabou tendo importância em sua formação política, pois Vidor viveu a experiência de ter professores cassados, o que despertou o seu interesse pela política estudantil. Neste sentido, uma de suas primeiras atribuições políticas foi preparar o jornal do Colégio, tomando então como modelos o Correio da Manhã e O País. O resultado foi uma paginação moderna para época, podendo ser identificado como um jornal comercial.

Quando o Correio da Manhã promoveu um concurso de jornalismo escolar, Vidor inscreveu o jornal do Colégio Pedro II, ganhando então o primeiro lugar: um estágio remunerado de três meses no jornal e uma viagem de ida-e-volta à Bahia, com acompanhante e ajuda de custo. Já em maio de 1969, quando cursava o segundo ano científico e dava início ao estágio no jornal, teve a sua matrícula no colégio cassada, junto com outros 60 alunos, sob o pretexto de que tinha participado politicamente dos protestos do ano anterior, ocasião em que ocupava a secretária-geral do Grêmio. Nesse momento George Vidor tinha ligações com o Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Quando começou a trabalhar no Correio da Manhã, o jornal já se encontrava em profunda crise. O jornal após a edição do Ato Institucional nº 1 (abril de 1964), havia percebido que havia claros indícios de que se partia para uma ditadura militar, e passou a denunciar as torturas e arbitrariedades cometidas pelo novo regime. Tal posição gerou o corte na publicidade mantida por algumas agências estrangeiras, dando início às sérias dificuldades econômicas que passaram a ser vividas pelo jornal, e as contínuas demissões de jornalistas. Assim, quando Vidor começou a trabalhar no jornal, metade da redação já havia sido demitida e ele como estagiário teve que assumir funções de um profissional, mesmo contando então com apenas 17 anos incompletos.

Uma das matérias que fez nesta época foi comparar dados sobre o Projeto Apollo, desenvolvido pela Agencia Espacial dos Estados Unidos (NASA) com o objetivo de enviar o homem à lua, comparando os dados disponíveis então e os orçamentos nacionais de vários países. O texto de Vidor foi publicado no suplemento de domingo Correio Econômico e teve repercussão positiva. Por conta dessa experiência, foi transferido para o noticiário de economia que tratava basicamente da Bolsa de Valores, e da cotação de produtos, como café e outros, sem apresentar análises econômicas.

Como estagiário recebia muito pouco e atrasado, o que o levou, junto com outros estagiários, à greve. Foram todos demitidos no mês de julho de 1969. Mas logo depois o Correio da Manhã foi arrendado à empreiteira Metropolitana, e o redator-chefe do jornal, Franklin de Oliveira, o convidou a retomar as atividades como contratado, dentro da recém-criada Editoria de Economia. Voltou para cobrir assuntos gerais de economia.

Em dezembro de 1969 George Vidor foi preso pelo Centro de Informações da Marinha (CENIMAR), já então subordinado ao Ministério da Marinha, que vinha sendo empregado na repressão à luta armada deflagrada no país pelas organizações de extrema esquerda. Na ocasião foi acusado de abrigar em sua casa alguns perseguidos políticos. Ao deixar a prisão afastou-se do jornal.

Alguns meses depois, amigos que também tinham deixado o Correio da Manhã, resolveram criar aqui no Rio de Janeiro uma sucursal do jornal Tribuna da Bahia, e convidaram Vidor a fazer matérias de economia. Logo depois, foi convidado pelo recém-criado Boletim Cambial, jornal especializado em economia, de propriedade de João Alberto Leite Barbosa, irmão de Marcelo Leite Barbosa, então dono da maior corretora de valores do Rio, e por ele passaram todos os primeiros jornalistas de economia. Vidor passou então a acumular as duas funções, e a partir de 1970 com mais um emprego, agora na Gazeta Mercantil.

Em 1972, Evandro Carlos de Andrade assumiu a chefia da redação do jornal O Globo tendo a intenção de transformá-lo para fazer concorrência com o Jornal do Brasil. Para tanto, convidou Ismar Cardona para ser o editor de Economia, que para estruturar a editoria convidou vários repórteres, entre eles George Vidor. Ao aceitar o convite para trabalhar no jornal, Vidor encontrou sérias restrições por parte de seus amigos, já que O Globo era considerado politicamente direitista. O que não sabiam é que Cardona era ligado ao Partido Comunista.

O primeiro caderno econômico que fizeram em O Globo chamava-se Panorama Econômico, com 170 páginas, que em pouco tempo se tornou um espaço de discussões econômicas, questões de tecnologia nacional, e temas relacionados à conduta da política econômica. Para sua elaboração, a equipe ouvia tanto os economistas opositores do regime militar como aqueles que apoiavam a política do governo. Em pouco tempo, já estavam fazendo um suplemento muito mais à esquerda do que o Jornal do Brasil, que passou a ser lido por um público que antes era contrário ao jornal.

Em 1976 foi designado para a coluna “Panorama Econômico”, escrita em parceria com o jornalista Luiz Alberto Bettencourt. Três anos depois, já assumia a subeditoria de Economia.

Em 1981, contudo, Ismar Cardona se afastou do jornal, por desentendimentos com Evandro Carlos de Andrade, que indicou Vidor como novo editor do caderno econômico. Como tal, foi o responsável pela criação, em 1982, da primeira página de informática do jornal, além da página de Indicadores Financeiros e a coluna Marcas e patentes. Sua permanência na função, no entanto, durou pouco tempo: em agosto deste ano, no momento em que o país vivia a crise da dívida externa, Vidor fez uma matéria mostrando que Delfim Neto, então ministro do Planejamento, almoçara em Paris em um restaurante pagando 50 dólares por pessoa. Essa matéria levou à sua demissão, pois o jornalista não consultara a Evandro sobre a pertinência de sua publicação. Sua demissão acabou tendo grande repercussão no Congresso e em outros jornais.

Já em 1983, foi convidado pelo o Jornal do Brasil para ser o editor de Economia, cargo em que não permaneceria por muito tempo. Os problemas começaram por ocasião da campanha eleitoral de Tancredo Neves à presidência da República. O JB era crítico das eleições diretas, apoiando discretamente a candidatura governista de Paulo Maluf, mas em janeiro de 1985, quando se definiu a eleição de Tancredo, o jornal mudou toda a redação. Nesta ocasião, Vidor perdeu a editoria, e embora não fosse demitido, ficara sem função clara. Decidiu-se então pela demissão, indo em seguida para a revista Veja, onde trabalhou três meses, pois não se adaptou, ao trabalho na revista, bem diferente do que estava habituado a fazer no jornal. Foi em seguida convidado pela Gazeta Mercantil para trabalhar na sucursal do Rio de Janeiro.

Findo o regime militar, George Vidor voltou em 1986 para O Globo, convidado por Evandro Carlos de Andrade, para fazer a coluna Panorama Econômico. Após cinco anos, assumiu a função de editorialista, cargo em que se mantem até os dias de hoje, sendo substituído na coluna por Mirian Leitão. A partir de 1995, passou a assinar no mesmo jornal uma coluna sobre economia, que leva o seu nome. Passou também a tentar a televisão – teve rápidas passagens nas TVs Bandeirantes e Educativa –, acabando por se fixar na GloboNews, onde participa da edição das 18:00 horas do jornal comandado pela âncora Leilane Neubarth, na seção Conta Corrente.

Na internet, no portal de O Globo, mantém desde julho de 2003, um blog que leva seu nome, também sobre economia. Além disso, é responsável pela Globo a Mais, revista digital destinada a assinantes em tablets.

Casado com a jornalista Heloisa Vidor de Mello.