CASTRO, Araújo
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Luís Augusto Saint-Brisson de Araújo Castro nasceu em Nova Iorque (brasileiro de acordo com o artigo 129, inciso II da Constituição de 1946) no dia 20 de agosto de 1946, filho de João Augusto de Araújo Castro e Míriam Saint-Brisson de Araújo Castro. Seu pai, também diplomata, foi ministro das Relações Exteriores (1963-1964), embaixador junto à Organização das Nações Unidas (ONU) (1968-1971) e embaixador em Washington (1971-1975).
Estudou francês literário na Universidade de Sorbonne em Paris e fez o curso de preparação à carreira de diplomata no Instituto Rio Branco (IRBr), sendo nomeado terceiro-secretário em outubro de 1968.
Na Secretaria de Estado das Relações Exteriores (SERE), instalada no palácio Itamarati do Rio de Janeiro, foi lotado na Divisão das Nações Unidas (1968-1970) e, nessa função, representou o Ministério das Relações Exteriores (MRE) no grupo de organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (1968-1919) e participou de reuniões sobre o direito do mar em Montevidéu (1970) e Lima (1970) bem como das assembleias gerais da ONU de 1969 a 1971. Neste último ano voltou à SERE, já instalada no palácio Itamarati de Brasília, onde foi auxiliar do secretário-geral-adjunto para Organismos Internacionais e secretário do diretor do IRBr.
Removido para a Suíça, serviu como terceiro-secretário na delegação permanente em Genebra até novembro de 1971, quando foi promovido a segundo-secretário, continuando no posto até 1973 e participando de reuniões multilaterais relativas aos fundos marinhos e oceânicos (Genebra e Nova Iorque, 1971-1973) e da Conferência do Comitê de Desarmamento em Genebra (1972-1973) entre outras.
Transferido para os Estados Unidos, foi cônsul-adjunto em Los Angeles de 1973 a 1976 e participou, nesses anos, das assembleias gerais da ONU em Nova Iorque, da III Conferência da ONU sobre Direito do Mar (Caracas, 1974) e da Conferência das Nações Unidas sobre Estabelecimentos Humanos em Vancouver (Canadá, 1976). Nesse mesmo ano foi enviado para Nova Iorque onde serviria, na missão junto à ONU, sendo promovido a primeiro-secretário por merecimento em setembro de 1976 e continuando no posto, nessa capacidade, até 1978.
De volta à SERE foi assistente do chefe do Departamento de Organismos Internacionais (1978-1979) e coordenador de planejamento político da Secretaria Geral das Relações Exteriores (1979-1983). Nesta última função tomaria parte das assembleias gerais da ONU em Nova Iorque e da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington (1980 e 1982), das reuniões de planejamento político Brasil-Alemanha em Bonn (1979 e 1983), e Brasil-Estados Unidos em Washington (1981) e Salvador (1982), da I Sessão Especial da Assembleia Geral da ONU sobre Desarmamento (1980) e da VII Conferência de Chefes de Estado ou Governo dos Países Não-Alinhados em Nova Délhi (Índia, 1983) entre outras. Em dezembro de 1979 foi promovido a conselheiro, por merecimento, e em dezembro de 1982, também por merecimento, a ministro de segunda classe.
Após servir como ministro-conselheiro na missão junto à OEA em Washington (1984-1985) foi transferido para a embaixada em Washington onde serviu até 1987. Novamente em Brasília, chefiaria o Departamento de Organismos Internacionais até 1990, tomando parte das assembleias gerais da ONU em Nova Iorque e da OEA em Washington (1987 a 1989), São Salvador (1988) e Assunção (1990) e das principais reuniões multilaterais, entre as quais a I Reunião de Estados da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul no Rio de Janeiro (1988), a II Reunião Presidencial do Mecanismo Permanente de Consulta e Concentração Política em Punta del Este (1988), a Conferência Geral do Organismo para a Proscrição de Armas Nucleares na América Latina (OPANAL) no México (1989) e a I Reunião de Presidentes dos Países do Tratado de Cooperação Amazônica em Manaus (1989), tendo sido promovido por merecimento a ministro de primeira classe em dezembro de 1988.
Entre 1990 e 1992 serviu em Nova Iorque como representante permanente adjunto na missão brasileira junto à ONU e, em 1993, foi nomeado presidente da Comissão de Desarmamento das Nações Unidas. No ano seguinte, assumiu o posto de embaixador do Brasil junto à OEA, onde permaneceu até 1995, tendo, no exercício desse cargo, participado da Conferência Regional sobre Medidas de Fortalecimento da Confiança e da Segurança, em Santiago do Chile.
Em 1996, foi transferido para o Uruguai, onde assumiu a embaixada de Montevidéu, sucedendo ao embaixador Renato Prado Guimarães. Durante o período em que ocupou o posto, participou das Cúpulas do Mercosul em Fortaleza, Montevidéu e Rio de Janeiro. Deixou a embaixada do Uruguai em 2000, sendo substituído por Francisco Thompson Flores.
Diretor-geral do Departamento de Organismos Internacionais, em 2000, no ano seguinte ocupou os cargos de secretário-geral adjunto e subsecretário-geral de Assuntos Políticos Multilaterais. Em 2002, assumiu interinamente o Ministério das Relações Exteriores. Em 2003, foi nomeado embaixador no México e em Belize, cumulativamente. Ivan Canabrava o substituiu em agosto de 2005.
Em setembro do mesmo ano, assumiu a embaixada em Lima, no Peru. Em entrevista a InfoRel – Relações Internacionais e Defesa, em julho de 2007, Araújo Castro destacou o fortalecimento das relações entre Brasil e Peru, tendo o Brasil, inclusive, substituído o Chile como o principal parceiro comercial daquele país, além de elogiar a receptividade do governo peruano à presença de empresas brasileiras em seu território, como a Petrobrás, a Vale do Rio Doce, a Votorantim e a Gerdau. Foi substituído por Jorge Taunay, no segundo semestre de 2007, e, em seguida, assumiu o posto de cônsul-geral em Miami.
Casou-se com Sílvia Araújo Castro, com quem teve um filho.
Publicou O Brasil e o novo direito do mar: mar territorial e zona econômica exclusiva (1989).