CATALÃO, Pedro

Pedro Vilas Boas Catalão nasceu em Ilhéus (BA) no dia 22 de fevereiro de 1914, filho de Pedro Levirio Catalão e de Belanísia Vieira Catalão. Seu irmão, Eduardo Catalão, foi deputado federal pela Bahia de 1951 a 1955 e de 1956 a 1959, ministro da Agricultura entre 1955 e 1956 e senador pela Bahia de 1963 a 1968.

Fez o curso primário em sua cidade natal e os estudos secundários nos colégios Ipiranga e Carneiro Ribeiro, em Salvador. Ingressou depois na Faculdade de Medicina da Bahia, pela qual se diplomou em 1933, especializando-se em otorrinolaringologia.

Transferindo-se mais tarde para Santa Catarina, aí clinicou de 1941 a 1944. De volta à sua cidade natal, exerceu a medicina até 1950, ano em que iniciou a vida política ao eleger-se, em outubro prefeito municipal de Ilhéus na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Exerceu essa função de 1951 até outubro de 1954, quando foi eleito deputado estadual, sempre na legenda do PTB. Iniciando o mandato em fevereiro do ano seguinte, tornou-se membro da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa baiana, na qual permaneceu até o fim da legislatura, em janeiro de 1959.

Eleito em outubro de 1962, deputado federal pela Bahia na legenda da Aliança Trabalhista, coligação formada pelo PTB, o Partido Republicano (PR) e o Partido de Representação Popular (PRP), iniciou o mandato em fevereiro do ano seguinte, tornando-se membro efetivo da Comissão de Saúde e suplente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.

Partidário do intervencionismo econômico, conforme declarou ao Correio Brasiliense em outubro de 1964, apoiou na Câmara dos Deputados o monopólio estatal do petróleo - incluídas a distribuição e a indústria petroquímica -, dos minérios atômicos, da energia elétrica, das telecomunicações e dos transportes. Adepto das chamadas reformas de base constantes do programa de governo do presidente João Goulart (1961-1964), declarou-se favorável à reforma constitucional para viabilizar uma reforma agrária de cunho cooperativista mediante a desapropriação de terras com indenização em títulos de dívida pública, à concessão de direito de voto aos analfabetos e praças de pré, à extensão da elegibilidade a todos os eleitores, à célula única em todos os pleitos e à instituição dos distritos eleitorais. Afirmou também ser partidário de uma reforma administrativa, “pois dela dependem todas as outras”, considerando ainda “inadiável a criação de um órgão de planejamento nacional, subordinado ao Executivo e fiscalizado pelo Congresso”.

Com a extinção dos partidos políticos por força do Ato Institucional nº. 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, ingressou no Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Nessa legenda concorreu ao pleito de novembro de 1966, obtendo apenas uma suplência. Deixou a Câmara em janeiro do ano seguinte, não voltando a ocupar uma cadeira.

Não retornando a política , passou a administrar suas fazendas de cacau na região de Ilhéus. Posteriormente passou a clinicar no seu consultório e trabalhar na Clínica Pedro Catalão, de sua propriedade, em São Paulo, onde fixou residência desde seu afastamento de cargos públicos, dedicando-se também a atividades filantrópicas.

Foi casado com Flora Canizares Veiga Catalão com quem teve uma filha, e em segundas núpcias com Helena Dias.

Publicou trabalhos em revistas médicas e a tese Ionização no tratamento das supurações auriculares.