CHAVES, Pacheco

João Pacheco e Chaves nasceu na cidade de São Paulo no dia 27 de janeiro de 1916, filho de Jorge Pacheco e Chaves e de Jane Conceição Pacheco e Chaves.

Fez seus primeiros estudos no Liceu Franco-Brasileiro e no Colégio Piracicabano. Graduou-se como engenheiro agrônomo pela Escola Superior de Agricultura Luís de Queirós em Piracicaba (SP) em 1936 e obteve uma bolsa para continuar seus estudos na Alemanha.

Candidatou-se em outubro de 1950 e foi eleito deputado estadual na legenda do Partido Social Democrático (PSD). Empossado em fevereiro de 1951, foi líder da sua bancada, assumindo, nesse mesmo ano, a pasta da Agricultura do governo do estado de São Paulo, durante a gestão do governador Lucas Nogueira Garcez (1951-1955). Criou o Serviço de Fomento Agropecuário da capital, também conhecido como Cinturão Verde, e o Conselho de Política da Agricultura. Em agosto de 1953 deixou a Secretaria da Agricultura para assumir a presidência do Instituto Brasileiro do Café (IBC), em substituição a Mário Penteado Faria e Silva. Na direção desta autarquia, envidou esforços para que o café obtivesse melhor posição nos mercados e se tornasse o principal produto brasileiro de exportação. Em julho de 1954 deixou o IBC.

Em outubro desse ano foi eleito deputado federal por São Paulo na legenda do PSD, assumindo o mandato em fevereiro de 1955. No início da legislatura formou, juntamente com outros deputados de seu partido, a facção chamada Ala Moça, vinculada à candidatura de Juscelino Kubitschek à sucessão presidencial de 1955 bem como ao seu governo (1956-1961). Foi reeleito em outubro de 1958, desta vez concorrendo na coligação PSD, Partido Social Progressista (PSP) e Partido Social Trabalhista (PST).

A partir de março de 1961 atuou como vice-líder da maioria e, em outubro do ano seguinte, foi reeleito pela coligação PSD-PSP. Nessa nova legislatura, Pacheco Chaves ingressou na Comissão de Agricultura e Política Rural da Câmara dos Deputados. Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país em abril de 1964. Em 1966 encerrou suas atividades junto à Comissão de Agricultura e, em janeiro do ano seguinte, deixou a Câmara, ao final da legislatura. Dessa época até o ano de 1968, esteve à frente da Secretaria de Abastecimento da prefeitura de São Paulo.

Em novembro de 1970 tornou a se candidatar à Câmara dos Deputados pelo MDB de São Paulo. Eleito, assumiu seu mandato em fevereiro do ano seguinte e, nessa legislatura, foi membro efetivo da Comissão de Agricultura e Política Rural e suplente da Comissão de Finanças daquela casa. Ainda nesse ano, foi suplente de uma comissão especial destinada a estudar o problema da poluição ambiental.

Reeleito em novembro de 1974, presidiu a Comissão de Agricultura e Política Rural da Câmara dos Deputados. Tornando a se candidatar, foi reeleito em novembro de 1978. Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), agremiação sucessora do MDB, em cuja legenda reelegeu-se mais uma vez deputado federal por São Paulo no pleito de novembro de 1982. Assumindo novo mandato em fevereiro do ano seguinte, tornou-se membro da Comissão de Interior e suplente da Comissão de Economia, Indústria e Comércio. Ainda em 1983, licenciou-se do mandato na Câmara para assumir a Secretaria da Cultura de São Paulo, no governo Franco Montoro (1983-1987). Em março de 1984 defendeu a necessidade de o PMDB ter uma alternativa definida para o caso da derrota da emenda Dante de Oliveira, que propunha a eleição direta para a presidência da República em novembro daquele ano, mostrando-se favorável à negociação com o governo de João Batista Figueiredo (1979-1985).

Por duas ocasiões retornou à Câmara dos Deputados. Na primeira vez, para votar a favor da emenda Dante de Oliveira, em 25 de abril de 1984. Como a emenda não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação no Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985 - faltaram 22 para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado Federal -, Pacheco Chaves retornou à Câmara para votar no candidato oposicionista Tancredo Neves, eleito presidente da República na legenda da Aliança Democrática, uma união do PMDB com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) abrigada na Frente Liberal. Tancredo Neves não chegou a ser empossado por motivo de doença, falecendo em 21 de abril de 1985. Seu substituto foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo desde 15 de março desse ano.

Deixando a Secretaria de Cultura de São Paulo em 1986, Pacheco Chaves disputou novamente uma cadeira de deputado federal constituinte no pleito de novembro desse ano, pelo PMDB, mas não foi bem-sucedido, encerrando sua participação na vida pública. Passou a administrar sua fazenda no interior de São Paulo, onde criava gado e plantava café.

Participou da conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a Food and Agriculture Organization (FAO), em Roma, e foi segundo vice-presidente da seção brasileira da União Interparlamentar, fazendo parte da delegação brasileira nas conferências que esta entidade promoveu na Europa e na África. Participou também da reunião do Parlamento Latino-Americano em Santiago do Chile.

Pioneiro na conservação do solo, ao lado de outros colegas que se dedicaram a este propósito, foi engenheiro agrônomo no Escritório Técnico e Agrícola de São Paulo, corretor de algodão, diretor da empresa Laticínios Campinas Ltda., diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) de São Paulo, diretor-superintendente da Agro-Pastoril Nazaré S.A. e presidente da Bussing do Brasil S.A.

Faleceu na cidade de São Paulo no dia 6 de fevereiro de 1995.

Era casado com Rute Seng Pacheco e Chaves, com quem teve três filhos.