ALMEIDA, Miguel Álvaro Osório de

Miguel Álvaro Osório de Almeida nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 9 de outubro de 1916, filho de Álvaro Osório de Almeida e de Julieta Botelho Osório de Almeida.

Bacharelou-se em 1936 pela Faculdade Nacional de Direito, atual Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e em 1942 ingressou por concurso na carreira diplomática como cônsul de terceira classe. Durante 1942 permaneceu no Rio à disposição da Missão Cooke e, até o ano seguinte, à disposição da Coordenação da Mobilização Econômica. De 1944 a 1945 serviu na embaixada brasileira em Buenos Aires, sendo nesse último ano promovido a cônsul de segunda classe e designado vice-cônsul em Miami. Em 1946 tornou-se encarregado desse consulado, sendo transferido no ano seguinte para a missão brasileira junto à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque. Em 1948 ocupou o cargo de encarregado de negócios nessa missão e, além das sessões da Assembleia Geral das Nações Unidas, participou nos anos seguintes das reuniões do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas e da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal).

Obtendo em 1951 o grau de mestre em economia pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, voltou ao Brasil, permanecendo à disposição do gabinete do ministro das Relações Exteriores, embaixador João Neves da Fontoura. Ainda nesse ano participou da IV Reunião da Cepal, no México, e no ano seguinte foi delegado do Brasil à VII Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em Paris. Em 1953, foi designado chefe do Setor de Política Monetária e Fiscal do Departamento Econômico do Itamarati e participou da VIII Reunião das Partes Contratantes do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT), em Genebra. Tornou-se também membro da Comissão Assessora da Seção Técnico-Pedagógica do Instituto Rio Branco e foi promovido a primeiro-secretário.

Em 1954, além de participar da Reunião dos Chefes de Missão dos Países-Membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da X Conferência Interamericana, em Caracas, foi transferido para a embaixada brasileira em Londres. Deixando esse posto em 1956, voltou à missão brasileira junto à ONU e aí permaneceu até 1957, participando das sessões da Assembleia Geral e da conferência para a criação da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea). Em 1957 tornou-se cônsul-adjunto em Nova Iorque e logo depois passou a servir na embaixada em Washington, até 1958. Nesse ano e no seguinte participou das reuniões do Comitê dos 21 da OEA, em Washington, e foi coordenador técnico do Programa de Metas no Conselho de Desenvolvimento da Presidência da República, no governo de Juscelino Kubitschek. Ainda em 1959 esteve à disposição do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) e tornou-se pesquisador em desenvolvimento econômico da Universidade de Harvard, em colaboração com Lincoln Gordon. Em 1960, foi secretário da Comissão de Coordenação da Política Econômica Exterior e foi promovido a ministro de segunda classe, tendo representado o Itamarati na comissão organizadora do Banco de Exportação.

Coordenador da Assessoria Técnica da Presidência da República em 1961, participou nesse ano de reuniões do Ecosoc em Nova Iorque e de reuniões da Cepal em Santiago e foi nomeado ministro-conselheiro da embaixada brasileira em Washington. No ano seguinte participou da sessão da Assembleia Geral da ONU, de reuniões do Ecosoc, também em Nova Iorque, e ocupou o cargo de encarregado de negócios em Washington. Em 1963, esteve presente à reunião do comitê preparatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), em Genebra, e foi transferido para a embaixada brasileira em Moscou, ainda como ministro-conselheiro. Foi encarregado de negócios nesse posto entre 1963 e 1964 e em 1965 deixou-o para se tornar cônsul-geral em Montreal. Exerceu as mesmas funções em Hong-Kong entre 1967 e 1969, voltando então ao Brasil como assessor especial do ministro das Relações Exteriores, Mário Gibson Barbosa e sendo promovido a ministro de primeira classe. Em 1970 participou da Conferência Diplomática Negociadora do Tratado de Cooperação e Patentes, em Washington, e em 1972 foi subchefe da delegação brasileira à Conferência das Nações Unidas sobre o Meio-Ambiente, além de participar da sessão da Assembleia Geral da ONU.

Deixando a assessoria do ministro em 1973, chefiou nesse ano as delegações do Brasil à reunião da Cepal em Quito e à Conferência Diplomática sobre Propriedade Industrial, em Viena. No ano seguinte, chefiou a delegação brasileira à Conferência Mundial de População, em Bucareste.

Foi embaixador do Brasil em Camberra, na Austrália, de 1975 a 1977. De volta ao Brasil em 1978, tornou-se assessor para ciência e tecnologia do ministro das Relações Exteriores, embaixador Ramiro Saraiva Guerreiro, função que exerceria até 1981. Ainda em 1978 chefiou a reunião regional da América Latina para a Conferência das Nações Unidas sobre Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento, no Panamá, e em 1980 participou da conferência diplomática sobre a revisão da Convenção de Paris para a Proteção da Propriedade Industrial, realizada em Genebra. Chefe do Departamento de Cooperação Cultural, Científica e Tecnológica do Ministério das Relações Exteriores entre 1982 e 1983, representou o Brasil como delegado à XI Reunião da Comissão Mista Teuto-Brasileira de Cooperação Científica e Tecnológica em Munique (Alemanha). No mesmo ano, foi chefe do grupo Brasil-EUA de cooperação científica e tecnológica em Washington (EUA).

Foi transferido de Brasília para o Rio de Janeiro em 1983, quando ingressou no quadro especial. Aposentou-se em 1986, aos 70 anos.

Casou-se duas vezes, tendo dois filhos do primeiro casamento com Zélia Seabra e três do segundo, com Margaret Osório de Almeida.

Publicou diversos artigos sobre desenvolvimento econômico e meio ambiente.