CORREIA, Vilas-Boas
| Tipo | Biográfico |
|---|---|
| Cargos |
|
| Autor(es) | Beatriz Kushnir |
Luís Antônio Vilas-Boas Correia nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 2 de dezembro de 1923, filho do desembargador Merolino Raimundo de Lima Correia e de Maria Safira Vilas-Boas Correia.
Entre 1932 e 1942 estudou no Instituto Lafayette, em sua cidade natal, ingressando a seguir na Faculdade de Direito da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 1944 tornou-se auxiliar de escritório do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), mas, convocado para o Exército no período em que o Brasil participava da Segunda Guerra Mundial, serviu na fortaleza de São João, na Urca, e no Ministério da Guerra entre junho desse ano e setembro do ano seguinte, quando deu baixa.
Foi presidente do centro acadêmico Cândido de Oliveira (CACO), da Faculdade de Direito, tendo assinado o manifesto da entidade que saudou a queda do presidente Getúlio Vargas e o fim do Estado Novo em outubro de 1945. Ainda nesse ano tornou-se oficial administrativo do DASP, passando então a servir na Divisão de Educação Física do Ministério da Educação e Saúde. Através de concurso, passou em novembro a técnico de propaganda do Serviço de Alimentação da Previdência Social (SAPS), ligado ao Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio.
Diplomado em ciências jurídicas e sociais em 1947, iniciou-se na imprensa em 1948 como jornalista político de A Notícia, no Rio de Janeiro, numa época em que o processo de redemocratização trazia de volta aos jornais os debates de cunho político. Em junho de 1951 participou da fundação de O Dia, de propriedade da mesma empresa, no qual permaneceria até aposentar-se. Em setembro seguinte foi colocado à disposição do Ministério do Trabalho, na gestão de José de Segadas Viana, exercendo as funções de oficial-de-gabinete de 1952 a 1954 e de chefe de gabinete em 1953. Ainda em 1952, ingressou no Diário de Notícias e na Tribuna da Imprensa, ambos no Rio de Janeiro.
No governo de João Café Filho (1954-1955), quando Odilo Costa Filho foi diretor da Rádio Nacional, Vilas-Boas Correia manteve um programa de entrevistas com parlamentares chamado “Antena política”. Esse programa foi ao ar durante oito meses, sendo interrompido por ocasião do movimento de 11 de novembro de 1955, quando a Rádio Nacional foi ocupada. Liderado pelo general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra demissionário, o movimento, que destituiu Carlos Luz, presidente em exercício, e Café Filho, licenciado, visava, segundo seus articuladores, neutralizar uma conspiração em andamento no governo contra a posse do presidente eleito, Juscelino Kubitschek.
Em junho de 1958 Vilas-Boas Correia deixou o Diário de Notícias, passando a trabalhar em O Estado de São Paulo, cuja seção política chegou a chefiar. No ano seguinte entrou para o Jornal do Brasil, tendo colaborado na seção “Coisas de política” até 1960. Nesse ano integrou a comitiva de Jânio Quadros, então candidato à presidência da República, em sua visita a Cuba a convite de Fidel Castro. Após o movimento político-militar de março de 1964, foi durante pouco mais de um ano chefe da assessoria de relações públicas de Juarez Távora, ministro da Viação e Obras Públicas.
Em 1966 começou a colaborar no Jornal de Vanguarda, programa jornalístico patrocinado pela Squire Propaganda e que, levado ao ar pela TV-Rio e pela TV Continental, iria terminar na TV Excelsior em fins de 1968, quando o Ato Institucional nº 5 (13/12/68) reduziu em grande parte as possibilidades de informação política, em particular na televisão.
Com a extinção do SAPS, Vilas-Boas Correia foi transferido em 1967 para o Ministério das Relações Exteriores, tornando-se assessor especial do gabinete do ministro José de Magalhães Pinto. Durante esse período, participou da campanha destinada a popularizar o nome de Magalhães Pinto, então aspirante à presidência da República, promovendo uma abertura no ministério, onde passaram a realizar-se reuniões quinzenais com representantes de várias entidades ligadas à vida cultural do país, entre os quais cientistas, músicos, intelectuais e desportistas.
Durante o governo de Artur da Costa e Silva (1967-1969), foi transferido em 1969 para a Agência Nacional, onde fazia comentários para a Voz do Brasil, distribuindo-os depois para outras estações radiofônicas. Aí permaneceu até 1978, quando se aposentou do serviço público como redator. Em 1971 tornou-se diretor da sucursal carioca de O Estado de São Paulo, pela qual responderia até 1978, aposentando-se no ano seguinte como funcionário desse jornal. Durante esse período ingressou ainda na revista Isto É, para a qual colaborou desde o primeiro número, lançado em 1976, e na qual permaneceu até fins de 1979. Ainda em 1976, levou ao ar na TVE o jornal 1976, vetado pela censura quando de sua quarta edição. Em 1978 atuou no programa Abertura, da TV-Tupi, onde ficou até fins do ano seguinte, tendo abandonado a empresa, segundo sua própria versão, devido a um comentário que fez sobre as manifestações contrárias ao presidente João Batista Figueiredo, por ocasião da visita deste a Florianópolis.
Após deixar O Estado de São Paulo, voltou a trabalhar no Jornal do Brasil, do qual foi editor político. A partir dos anos 90, destacou-se também como comentarista político da Rede Manchete de televisão.
Publicou, em 1994, um artigo com o seu testemunho acerca do dia do suicídio do presidente Getúlio Vargas e da comoção popular vivida então, que está no livro organizado pela professora Angela de Castro Gomes, Vargas e a crise dos anos 50.
Casou-se com Regina Maria de Sá Correia, de quem teve dois filhos, um dos quais, Marcos Sá Correia, distinguiu-se igualmente como jornalista.