CRUZ, Sérgio
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Sérgio Manuel da Cruz nasceu em Salgueiro (PE) no dia 6 de agosto de 1942, filho de Manuel Laudemiro Rodrigues e de Emília Maria da Cruz.
Em 1958 mudou-se para o interior de São Paulo e estudou na Associação Mariliense de Ensino, em Marília, de onde saiu quando cursava o terceiro ano de economia. Em 1968 foi para Campo Grande, então no estado de Mato Grosso e atual capital de Mato Grosso do Sul.
Jornalista e radialista, elegeu-se deputado estadual em Mato Grosso em novembro de 1974 na legenda do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instalado no país em abril de 1964. Assumiu sua cadeira na Assembleia Legislativa em fevereiro de 1975. Neste ano, sofreu um atentado no qual foi espancado por cinco homens. Na ocasião, acusou o senador Antônio Mendes Canale de ser o mandante, porém o caso não foi esclarecido. Ainda em 1975, tornou-se vice-líder e secretário-geral do MDB. Durante sua legislatura exerceu também o cargo de presidente da Comissão da Educação e da Comissão Pró-Divisão, que acompanhou o processo de emancipação de nosso Estado.
Em outubro de 1977 foi decretada a divisão do estado de Mato Grosso, sendo criado o estado de Mato Grosso do Sul. Sérgio Cruz foi reeleito deputado nas eleições de novembro de 1978, pelo estado recém-criado, na legenda do MDB. Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979 e a consequente reformulação partidária, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Nesse mesmo ano tornou-se líder do partido na Assembleia.
Em meados de 1980 fez um requerimento à Assembleia Legislativa, no qual pedia a convocação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar o envolvimento de autoridades com quadrilhas de contrabandistas que atuavam na fronteira do estado. Entre os políticos que denunciou estava o próprio governador Pedro Pedrossian (1980-1983), que, segundo ele, manteria relações com Fahd Jamil, apontado como um grande contrabandista de Ponta Porã (MS). Após a CPI ter sido aprovada, recebeu ameaças anônimas e, em dezembro, foi vítima de um atentado a tiros quando se dirigia à gráfica do jornal oposicionista Jornal do Povo, de sua propriedade. Ferido, acusou Fahd Jamil como mandante do atentado. No entanto, em 1981, o inquérito policial apontou como réus confessos dois grileiros, sócios do deputado estadual do Partido Democrático Social (PDS) Osvaldo Ferreira Dutra e de seu irmão Osmar, chefe da Casa Civil do governador Pedro Pedrossian. Mesmo após a conclusão do inquérito, continuou a acusar Fahd Jamil. Diante do risco de ser licenciado da Assembleia para responder processo por calúnia e difamação, ameaçou pedir uma devassa nas contas da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. A licença não foi concedida.
No pleito de novembro de 1982 elegeu-se deputado federal na legenda do PMDB. Seu mandato na Assembleia encerrou-se em janeiro de 1983 e, no mês seguinte, assumiu uma cadeira na Câmara, integrando a Comissão de Finanças.
No Congresso Nacional, em sessão realizada no dia 25 de abril de 1984, votou a favor da emenda Dante de Oliveira, que propunha o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano. Como a emenda não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação - faltaram 22 para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado Federal - a sucessão presidencial foi mais uma vez decidida por via indireta. No Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985, Sérgio Cruz votou na chapa oposicionista encabeçada por Tancredo Neves, eleito novo presidente da República pela Aliança Democrática, uma união do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com a dissidência do PDS abrigada na Frente Liberal. Contudo, por motivo de doença, Tancredo não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto no cargo foi o vice-presidente José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo desde 15 de março deste ano.
Em julho de 1985, Sérgio Cruz deixou o PMDB e filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), licenciando-se do mandato de deputado federal. Na eleição de novembro daquele ano concorreu à prefeitura de Campo Grande pelo PDT, não obtendo sucesso. Retornou à Câmara dos Deputados, em 1986, mesmo ano em que saiu do PDT e ingressou no Partido dos Trabalhadores (PT).
Candidatou-se a uma cadeira na Assembleia Nacional Constituinte no pleito de novembro de 1986 na legenda do PT. Logo após as eleições desligou-se desta legenda. Não tendo sido eleito, deixou a Câmara ao final da legislatura em janeiro de 1987.
Em 1994 filiou-se mais uma vez ao PDT, tornando-se membro do diretório regional do partido no estado.
Nas eleições de outubro de 1998 concorreu a vaga de deputado federal pelo PDT, mas obteve apenas uma suplência. No ano seguinte fundou a Liga Pró-Estado do Pantanal, com o intuito de defender a mudança do nome do Estado do Mato Grosso do Sul para Estado do Pantanal.
Em 2002 recebeu o título de Cidadão Sul-matogrossense na Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul, e três anos depois foi agraciado com o título de Cidadão Douradense. A resolução teve a iniciativa do vereador Carlinhos Cantor do Partido Liberal (PL), com o objetivo de homenagear o projeto da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), de autoria de Sérgio Cruz, apresentado em 1983.
Nas eleições de outubro de 2006 seu nome chegou a ser proposto como candidato ao governo do Mato Grosso do Sul pelo diretório estadual do Partido Social Liberal (PSL), mas a candidatura não foi oficializada. A disputa ficou entre André Puccinelli, filiado ao PMDB, e Delcídio do Amaral, lançado pelo PT. Puccinelli saiu vitorioso.
Em 2009 ainda era diretor-presidente do Jornal Primeira Hora, apresentador da TVE Regional e FM Regional, de Campo Grande.
Como radialista e jornalista trabalhou nas seguintes rádios e jornais: Rádio Clube de Dourados, Rádio Voz D´Oeste de Cuiabá, Rádio Jornal de Amambaí, Rádio Difusora de Aquidauana, Rádio Difusora de Campo Grande, Rádio Cultura de Campo Grande, Rádio Educação Rural, AM-FM Ativa, AM Capital, Diário da Serra, Tribuna, O Mato-Grossense, O Progresso e o semanário O Panfleto.
Casou-se com Eni Nates Martins da Cruz, com quem teve duas filhas.
Publicou Guerra ao contrabando-depoimento de um sobrevivente (1983); Pantanal-Estado das Águas (1999); e Por que mataram o Dr. Ari?.