DANTAS, Pedro

Prudente de Morais, neto, também conhecido como Pedro Dantas, nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 23 de maio de 1904, filho de Prudente de Morais Filho, deputado federal por São Paulo de 1912 a 1926, e de Blandina Mendes de Morais. Seu avô paterno, Prudente de Morais foi constituinte em 1891, senador de 1891 a 1894 e o primeiro presidente civil da República (1894-1898). Entre seus primos tinha um homônimo, que foi revolucionário de 1930 e de 1932.

Fez os primeiros estudos em sua própria casa e o secundário no Colégio Pedro II, em sua cidade natal, concluindo-o em 1921. Foi aí influenciado pelo professor José Oiticica, tornando-se simpatizante do anarquismo. Ingressou na Faculdade de Direito em 1922, ano em que o poeta Celso Kelly, seu colega de turma, o aproximou do movimento modernista. Em 1924, juntamente com Sérgio Buarque de Holanda, lançou a revista modernista Estética, que teve publicados apenas três números. Atuou em seguida por cerca de um ano como secretário da Revista do Brasil, durante a fase de Francisco de Assis Chateaubriand, dedicando-se sobretudo à crítica de cinema.

Começou a trabalhar em 1925 no jornal A Manhã, de São Paulo, publicando artigos assinados na página de colaboradores. No ano seguinte bacharelou-se em direito e, em 1928, sob o pseudônimo de Pedro Dantas, iniciou colaboração para o jornal A Província do Recife, então dirigido por Gilberto Freire.

Na época do Estado Novo (1937-1945) atuou, durante quase um ano, como representante do Ministério da Educação e Cultura (MEC) junto à comissão de censura de cinema do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), deixando essa função para ir trabalhar como assistente de seu pai na Light Serviços de Eletricidade. Em 1943 passou a trabalhar na recém-criada Folha Carioca, na qual ingressou para escrever crônicas sobre turfe, reportagens e editoriais, assumindo meses depois a chefia da redação do jornal.

Foi delegado do Distrito Federal ao I Congresso Brasileiro de Escritores, promovido em São Paulo pela Associação Brasileira de Escritores em janeiro de 1945. O congresso reuniu expressivo número de intelectuais de variadas tendências políticas e emitiu declaração em favor da democracia e das liberdades públicas, caracterizando-se como uma contundente tomada de posição contra o Estado Novo. Ainda nesse ano deixou a Folha Carioca e ingressou no Diário Carioca,onde inicialmente escreveu sobre turfe. Em 1946 foi responsável pela cobertura, realizada por esse jornal, dos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte, instalada em fevereiro, alcançando pouco depois o posto de chefe de redação. Em 1951 participou da campanha contra a posse do novo presidente da República, Getúlio Vargas, eleito em outubro do ano anterior.

Deixou o Diário Carioca para assumir, em maio de 1955, a direção da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc) no governo de João Café Filho (1954-1955), em substituição a Otávio Gouveia de Bulhões, demissionário. Deixou o cargo em outubro do mesmo ano, sendo substituído por Inar Dias de Figueiredo. Ainda em 1955 passou a trabalhar como redator-chefe do Diário de Notícias, do Rio de Janeiro, além de colaborar entre 1955 e 1956 para a revista Maquis, dirigida por Fidélis Amaral Neto. A partir de 1958 iniciou também colaboração para O Estado de São Paulo, vindo a dirigir posteriormente a sucursal desse jornal no Rio de Janeiro.

Fez oposição ao governo do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961) e apoiou a candidatura de Jânio Quadros à presidência da República no pleito de 1960. Com a renúncia de Jânio em agosto do ano seguinte, passou para a oposição, tendo apoiado os ministros militares quando estes tentaram impedir a posse do vice-presidente João Goulart. Como solução para a crise política então desencadeada, o Congresso votou a Emenda Constitucional nº 4, de 2 de setembro de 1961, que implantou no país o regime parlamentarista e permitiu a posse de Goulart cinco dias depois.

Em 1962 deixou o Diário de Notícias, tornando-se em 1964 um dos civis que mais participaram das articulações do movimento político-militar de 31 de março desse ano, que depôs o presidente Goulart e deu o poder aos militares. Em 1967 deixou O Estado de São Paulo e, no ano seguinte, embora favorável ao novo regime, combateu o Ato Institucional nº 5 (AI-5), editado em 13 de dezembro de 1968, em razão dos poderes excepcionais concedidos pelo mesmo ao Executivo.

Membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro a partir de maio de 1969, em setembro de 1975, na qualidade de membro do conselho diretor da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e na tentativa de apaziguar a crise entre as várias correntes da entidade, foi eleito para ocupar a presidência da ABI em substituição a Libero Osvaldo de Miranda, recém-falecido. Sua atuação foi marcada pela defesa da liberdade de imprensa e dos próprios jornalistas atingidos pela intensa repressão política da época. Por ocasião da morte do jornalista Vladimir Herzog nas dependências do DÓI-CODI de São Paulo em outubro de 1975, tentou, sem êxito, celebrar um ato ecumênico no Rio de Janeiro, conforme fora realizado em São Paulo pelo Sindicato dos Jornalistas desse estado. Promoveu então uma sessão de homenagem no auditório da ABI, reivindicando ainda, junto ao comandante do II Exército, general Ednardo Dávila Melo, o acesso da imprensa às diligências destinadas a apurar a morte de Herzog. Foi reeleito para a presidência da ABI em abril de 1976, para um novo mandato de dois anos.

Jornalista, poeta, contista, cronista, crítico literário, de cinema, de artes plásticas e de música, foi ainda professor catedrático de técnica e crítica literárias na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 21 de dezembro de 1977, no exercício da presidência da ABI.

Era casado em primeiras núpcias com Iná Prudente de Morais, proprietária de cavalos de corrida, e, em segundas núpcias, com Lúcia Ribeiro Prudente de Morais.

Além dos artigos, crônicas e ensaios que escreveu para diversas publicações, como Terra-roxa, Antropofagia, Revista nova e A Ordem, publicou A cachorra (poema, 1946) e Autocrítica (poesia).