DIVINO, João

João Divino Dorneles nasceu em Goiânia no dia 25 de maio de 1933, filho de José Dorneles dos Santos e de Benvinda Gonçalves de Resende.

Aos 18 anos foi aprovado num concurso para a Prefeitura de Goiânia, para executar trabalhos braçais, mudando de função várias vezes, vindo a ocupar a presidência da Associação Municipal da cidade.

Ingressou na política ao filiar-se ao Partido Social Democrático (PSD) e, com a instauração do regime militar em abril de 1964, foi preso, em virtude do cargo que ocupava na Associação Municipal e do papel de comando na greve dos funcionários públicos que explodiu na cidade ainda nesse ano.

Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, ingressou na legenda oposicionista Movimento Democrático Brasileiro (MDB), ainda que mantivesse ligações com o Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Em 1968 bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás e tornou-se procurador da Prefeitura de Goiânia.

Em novembro de 1974 foi eleito deputado estadual na legenda emedebista, assumindo o mandato em fevereiro do ano seguinte, e em novembro de 1978 reelegeu-se, sendo empossado em fevereiro de 1979.

Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979 e a consequente reorganização partidária, ingressou no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), agremiação que deu continuidade ao extinto MDB. Na Assembleia Legislativa, foi membro da Comissão de Constituição e Justiça e da Comissão de Finanças, Serviço Público e Bem-Estar do Menor. Neste período foi o fundador e primeiro presidente do Comitê Goiano pela Anistia.

Nas eleições de novembro de 1982, foi um dos coordenadores da campanha vitoriosa de Íris Resende ao governo do estado e concorreu a uma cadeira de deputado federal pelo PMDB. Eleito, foi empossado em fevereiro de 1983 e tornou-se membro da Comissão de Constituição e Justiça.

Em 25 de abril de 1984 manifestou-se a favor da emenda Dante de Oliveira, que, apresentada na Câmara dos Deputados, propôs o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano. Como a emenda não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação - faltaram 22 para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado -, no Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985, João Divino votou no candidato oposicionista Tancredo Neves, eleito novo presidente da República pela Aliança Democrática, uma união do PMDB com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) abrigada na Frente Liberal. Tancredo derrotou o candidato do regime militar, Paulo Maluf, contudo não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo desde 15 de março.

João Divino deixou a Câmara dos Deputados em janeiro de 1987, ao final da legislatura, não tendo conseguido se reeleger em novembro anterior.

Em 1988 assumiu a presidência da Companhia Urbanizadora de Goiânia. No ano seguinte aposentou-se da função de procurador, continuando a atuar nos bastidores da política do estado.

Faleceu em Goiânia no dia 20 de março de 1993.

Era casado com Sebastiana de Oliveira Dorneles, com quem teve quatro filhos.