DÓRlA, Seixas

João de Seixas Dória nasceu em Propriá (SE) no dia 23 de fevereiro de 1917, filho de Antônio de Lima Dória e de Maria de Seixas Dória.

Fez seus estudos no Colégio Antônio Vieira, em Salvador, bacharelando-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito de Niterói em 1946.

Foi secretário da prefeitura de Aracaju e com o fim do Estado Novo, em 1945, filiou-se à União Democrática Nacional (UDN), fundada nessa ocasião. Elegeu-se deputado estadual por Sergipe dois anos mais tarde e reelegeu-se em 1950. Durante a legislatura 1951-1955 liderou sua bancada na Assembleia Legislativa. Também dirigiu o Correio de Aracaju.

Em outubro de 1954 foi eleito deputado federal por Sergipe, na legenda da UDN, assumindo o mandato em fevereiro de 1955. Pouco depois foi organizada a Frente Parlamentar Nacionalista, formada por deputados da UDN, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e do Partido Social Democrático (PSD). Esse movimento condenava o capital estrangeiro que não se incorporasse de forma cooperativa e reprodutiva à economia brasileira, preocupando-se também com questões relativas ao petróleo e à remessa de lucros para o exterior. Definindo-se como nacionalista defensor de “um capitalismo com o mínimo de ingerência alienígena”, Seixas Dória aderiu à frente e em 1957 participou da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a Esso e a Shell.

Reeleito para a Câmara dos Deputados em outubro de 1958, integrou nesse mandato a Comissão de Constituição e Justiça, foi vice-líder da UDN e um dos vice-líderes do bloco parlamentar da minoria. Acompanhou Jânio Quadros em sua campanha presidencial. Depois da posse de Jânio, em janeiro de 1961, tornou-se vice-líder do governo na Câmara dos Deputados. Nessa condição, em maio entregou ao presidente documentos que diziam respeito a um suposto dispositivo golpista articulado entre os militares, fato ao qual Jânio, que renunciaria três meses depois, não teria dado importância.

Integrando a chamada facção “Bossa Nova” da UDN, que, organizada em 1961, se caracterizava pela divergência com a linha tradicional do partido e pelo apoio a propostas reformistas consideradas nacionalistas e de interesse popular, elegeu-se governador do estado de Sergipe em outubro de 1962, com apoio da coligação formada pelo PSD e pelo Partido Rural Trabalhista (PRT), além de pequena dissidência udenista e de setores do PTB e do Partido Republicano (PR). Deixou a Câmara dos Deputados em janeiro de 1963 para assumir o Executivo estadual, sucedendo a Luís Garcia (1959-1963). No início de seu mandato foi um dos signatários do Manifesto dos governadores democratas, redigido por iniciativa do governador de São Paulo, Ademar de Barros, com sugestões para o aprimoramento do regime democrático. Disse, entretanto, ter ressalvas ao documento, as quais apresentaria “quando oportuno”.

Procedendo a uma administração austera, logo após a posse extinguiu qualquer tipo de jogo no estado e criou uma comissão de tombamento para preservação do patrimônio artístico e cultural de Sergipe. Conseguiu empréstimos para a construção de um presídio de mulheres e da Vila Militar de Aracaju e inaugurou o Banco de Fomento Econômico do Estado de Sergipe. No âmbito federal apoiava o presidente João Goulart. Em 13 de março de 1964, no comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, discursou em favor das reformas de base preconizadas pelo governo. O comício foi comandado pelo próprio Goulart, numa de suas últimas aparições antes de ser deposto. Em 29 de março se propôs a participar, ao lado do governador de Pernambuco Miguel Arrais e do líder comunista Gregório Bezerra, de um comício em Maceió, que acabou sendo proibido pelo comandante do IV Exército, general Justino Alves Bastos.

Com a eclosão do movimento político-militar em 31 de março de 1964 fez-se ouvir pelo rádio na noite seguinte. Atacando a sublevação vitoriosa, teve sua palavra sustada por ordens do comandante do 28º Batalhão de Caçadores, major Francisco da Silveira. Em seguida foi preso e substituído no governo de Sergipe pelo vice-governador, Sebastião Celso de Carvalho. Foi levado para Salvador e depois para a ilha de Fernando de Noronha, onde ficou até agosto de 1964, quando conseguiu habeas corpus no Superior Tribunal Militar. Em julho de 1966, através da aplicação do Ato Institucional nº 2, teve seus direitos políticos suspensos por dez anos, período em que se dedicou à agropecuária e à literatura.

Filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar, voltou à política em 1978, aparecendo pela primeira vez num ato público, após 14 anos, na convenção do partido em Aracaju, em maio. Nessa ocasião teceu críticas ao movimento que o depusera do governo estadual e apontou como um grande problema do pais a má distribuição da riqueza nacional. Na condição de eleitor, já que o artigo 185 da Constituição o tornava inelegível para cargos públicos, foi escolhido pelo diretório regional do MDB para dirigir em Sergipe a campanha do partido para as eleições de novembro de 1978, que teria como centro a luta pela anistia, pelas eleições diretas em todos os níveis e por uma assembleia nacional constituinte. Em agosto de 1979 foi beneficiado pela anistia decretada pelo presidente João Figueiredo. Com a extinção do bipartidarismo em novembro desse ano e a consequente reformulação partidária, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Nas eleições de novembro de 1982 elegeu-se suplente de deputado federal pelo PMDB, tendo assumido o mandato por duas vezes. Em maio de 1983 ocupou o lugar de José Carlos Teixeira, licenciado para tratamento de saúde. Durante os quatro meses em que permaneceu na Câmara foi membro da Comissão de Relações Exteriores. Depois de tornar-se presidente da Nitrofértil, em março de 1985, retornou ao Legislativo federal em janeiro de 1986 para ocupar a vaga de Jackson Barreto, eleito prefeito de Aracaju em novembro do ano anterior. Pelo PMDB, Seixas Dória tentou uma vaga para o Senado Federal nas eleições de novembro daquele ano, mas não logrou êxito. Encerrou seu mandato na câmara em 31 de janeiro de 1987.

Assumiu a Secretaria de Transportes e Obras Públicas de Sergipe em agosto de 1988, como parte de um acordo político envolvendo o seu partido, o PMDB, e o Partido da Frente Liberal (PFL), agremiação do então governador Antônio Carlos Valadares. Deixou a secretaria em janeiro do ano seguinte. Por ocasião das eleições presidenciais de 1989, vencidas por Fernando Collor de Melo, candidato do Partido da Reconstrução Nacional (PRN), defendeu a candidatura do então senador Mário Covas, candidato pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), em detrimento do candidato de seu partido, Ulisses Guimarães.

Em outubro de 1989 tornou-se assessor político do então presidente José Sarney, que fora seu companheiro na Bossa Nova udenista. Tendo deixado a assessoria especial da Presidência da República em março de 1990 reassumiu um ano depois a Secretaria de Transportes, Energia e Obras Públicas, desta feita no segundo governo de João Alves Filho (1991-1995). Passou a integrar o conselho de administração da Companhia Vale do Rio Doce em julho de 1990, abandonando, no mês seguinte, a secretaria estadual. Deixou a Vale em maio de 1997, permanecendo como membro de alguns conselhos de administração de empresas estaduais.

Tornou-se membro da Academia Sergipana de Letras.

Casou-se com Mary Mesquita Dória, com quem teve dois filhos.

Publicou Sílvio Romero, jurista e filósofo e Eu, réu sem crime.