EIRADO, Raimundo
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Raimundo Emanoel Bastos do Eirado Silva nasceu em Salvador no dia 1º de dezembro de 1936, filho de Guilherme do Eirado Silva e de Wenefrida Bastos Silva.
Estudante da Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi eleito presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) em agosto de 1958, durante o XXI Congresso da entidade, realizado em Bauru (SP), sucedendo a Marcos Heusi (1957-1958). Iniciando seu mandato ainda este mês, durante a visita ao Brasil do então secretário de Estado norte-americano John Foster Dulles, a UNE cobriu sua fachada de luto encimado pela frase “Go home, Foster Dulles”, estabelecendo um desafio inédito ao establishment da maior potência mundial. A entidade também apoiou o general português Humberto Delgado, asilado político proscrito em Portugal e ameaçado de morte pelo regime ditatorial de Oliveira Salazar.
Sua gestão também foi marcada por uma campanha nacional pela saída de Roberto Campos da su perintendência do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDE). Essa campanha teve início devido aos esforços desenvolvidos por Roberto Campos no sentido de forçar as empresas brasileiras interessadas na exploração do petróleo boliviano - possibilitada pelo Acordo de Roboré - a receberem financiamento da Pan-American Land Oil & Royalty Co., sob condições que implicavam sua completa desnacionalização. Devido às veementes reações nacionalistas, Roberto Campos foi afinal exonerado, deixando o BNDE em julho de 1959. Ainda durante o mandato de Eirado, a UNE reconheceu o governo da Revolução Cubana (1959).
Raimundo Eirado deixou a presidência da UNE em julho de 1959, durante o XXII Congresso da entidade, realizado na Universidade Rural do Rio de Janeiro, que elegeu João Manuel Conrado (1959-1960).
Em 1961 graduou-se em direito e dois anos depois ingressou no Ministério Público da União. A partir de 1968 tornou-se advogado do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instalado no país em abril de 1964.
Em 1990 aposentou-se no Ministério Público no cargo de sub-procurador geral do trabalho e passou a trabalhar como advogado em escritório próprio.
Foi membro permanente da comissão de direito do trabalho do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB).
Casou-se com Ema Joy do Eirado Silva, com quem teve dois filhos.