FALCÃO, Hildebrando Martins

Hildebrando Martins Falcão nasceu em Igreja Nova (AL) no dia 25 de outubro de 1904.

Estudou no Colégio Diocesano de Maceió e ingressou em seguida na Faculdade de Direito de Salvador, vindo a bacharelar-se no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Ainda estudante iniciou a carreira de jornalista, colaborando com o Diário da Bahia e, no Rio de Janeiro, com A Esquerda e A Batalha. Mais tarde, fundou O Tempo, que deixou de circular em 1930.

Ativo militante da Aliança Liberal, ficou extremamente visado no Rio de Janeiro por sua atuação na imprensa oposicionista e em comícios da Aliança, o que lhe valeu várias entradas na prisão. Retornou então a seu estado natal, com a tarefa de lá chefiar o movimento aliancista. Radicado em Penedo (AL), reorganizou o jornal A Semana, que pouco depois foi empastelado por situacionistas estaduais, simpáticos ao governo federal de Washington Luís. Preso e expulso de Alagoas, transferiu-se para Minas Gerais. Nomeado professor da Escola Normal de Rio Branco (MG) pelo presidente mineiro Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, colaborou com diversos jornais do estado. No auge da campanha aliancista em Minas, foi encarregado pelo presidente Antônio Carlos de assumir a direção do jornal O Libertador, em Mar de Espanha (MG).

Com a eclosão da Revolução de 1930, participou do movimento como oficial combatente e após a vitória das forças revolucionárias voltou a transferir-se para Alagoas, seu estado natal, onde integrou o governo estadual chefiado pelo interventor Hermilo de Freitas Melro, nomeado em 14 de novembro de 1930. Entretanto, discordando da orientação do interventor, abandonou o cargo que exercia antes do fim do governo deste (9/8/1931), vindo a ocupar uma das secretarias da Prefeitura Municipal de Niterói, então capital do estado do Rio de Janeiro.

Fiscal do Imposto de Consumo, nas eleições disputadas em outubro de 1934, após a promulgação da nova Carta Constitucional, elegeu-se deputado à Assembleia Legislativa alagoana como candidato sem partido, fato inédito na história das eleições em seu estado. Interrompido seu mandato pela instauração do Estado Novo (10/11/1937), que suspendeu todas as câmaras legislativas do país, retomou às funções de fiscal, trabalhando no estado do Rio, no Rio Grande do Sul (no cargo de inspetor-geral) e depois em São Paulo. Com o fim do Estado Novo e a promulgação da nova Constituição (16/9/1946), elegeu-se suplente de senador por Alagoas na legenda do Partido Social Democrático (PSD) no pleito suplementar de janeiro de 1947, como companheiro de chapa do senador eleito, o general Pedro Aurélio de Góis Monteiro.

Nos últimos meses do governo do general Eurico Dutra, em fins de 1950, reeditou o semanário O ABC, juntamente com os jornalistas Murilo Marroquim, Joel Silveira e Rafael Correia de Oliveira. Nas eleições de outubro do mesmo ano, embora tivesse sido convocado por Getúlio Vargas, candidato à presidência da República, para reorganizar o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em Alagoas, candidatou-se a deputado federal por seu estado na legenda do Partido Social Democrático (PSD), ficando com a segunda suplência. Logo após a posse de Vargas na presidência (31/1/1951), foi promovido em sua carreira funcional e removido para o Rio de Janeiro, onde foi nomeado presidente da Fundação Rádio Mauá.

Assumindo uma cadeira na Câmara Federal em julho de 1954, em outubro do mesmo ano tornou a candidatar-se a deputado, dessa vez na legenda da União Democrática Nacional (UDN). Obteve novamente a suplência e deixou a Câmara em janeiro de 1955 para não voltar na legislatura seguinte (1955-1959). Mais uma vez candidato no pleito de outubro de 1958, na legenda da Coligação Nacionalista Democrática - composta pelo Partido Democrata Cristão (PDC), o Partido Social Progressista (PSP), o Partido Social Trabalhista (PST) e o Partido Socialista Brasileiro (PSB), ficou novamente na suplência, não tendo retornado à Câmara Federal.