FARIAS, Gustavo Cordeiro de
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Gustavo Cordeiro de Farias nasceu em Jaguarão (RS) no dia 20 de junho de 1893, filho de Joaquim Barbosa Cordeiro de Farias e de Corina Padilha Cordeiro de Farias. Seu pai, oficial do Exército na época da Revolução Federalista (1893-1895), fora enviado ao Sul pelo governo federal, com a incumbência de participar das negociações de paz entre os republicanos e os revoltosos. Seu irmão Osvaldo Cordeiro de Farias seguiu também a carreira militar, engajando-se nos levantes tenentistas da década de 1920 e exercendo, posteriormente, diversas funções públicas, entre as quais a interventoria no Rio Grande do Sul (1938-1943) e o governo de Pernambuco (1955-1958).
Em dezembro de 1911, Gustavo Cordeiro de Farias ingressou no Exército, iniciando, em janeiro do ano seguinte, o serviço ativo como terceiro-sargento. Cursou a Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, e saiu aspirante em 1915, sendo designado para o 3º Grupo de Obuses, na mesma cidade. Em setembro de 1916, foi promovido a segundo-tenente, passando a estudar na Escola de Artilharia até 1917. Em fevereiro de 1918, atingiu o posto de primeiro-tenente e foi designado para o 6º Regimento de Artilharia Montada, sempre no Rio de Janeiro. De 1919 a 1921, exerceu a função de auxiliar de instrução da Escola Militar, e em agosto deste último ano, foi promovido a capitão e transferido para o 11º Regimento de Artilharia Montada, em Campo Grande, no atual estado de Mato Grosso do Sul.
Em 1922, ingressou na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e foi preso por envolvimento na Revolta de 5 de Julho daquele ano. Esse movimento, que deu início ao ciclo de revoltas tenentistas da década de 1920, irrompeu no Rio de Janeiro e Mato Grosso em protesto contra a eleição de Artur Bernardes à presidência da República e as punições impostas pelo governo de Epitácio Pessoa aos militares. A revolta foi debelada em pouco tempo, tendo envolvido, no Rio de Janeiro, o forte de Copacabana, a Escola Militar e efetivos da Vila Militar, e em Mato Grosso, contingentes do Exército local. Gustavo Cordeiro de Farias foi desligado da escola que cursava e transferido para o 2º Grupo Independente de Artilharia Pesada, em São Paulo.
Em outubro de 1924, como aluno da Escola de Estado-Maior do Exército, foi novamente preso e processado por sua participação na chamada Conspiração Protógenes. Liderado pelo capitão-de-mar-e-guerra Protógenes Guimarães, esse movimento visava à sublevação da Esquadra em apoio ao levante paulista de julho de 1924 contra o governo Artur Bernardes. Com a prisão de Protógenes ainda na fase conspirativa, o movimento limitou-se ao levante do encouraçado São Paulo. Gustavo Cordeiro de Farias permaneceu detido até 1926, voltando a cursar, de 1927 a 1929, a Escola de Estado-Maior do Exército e estagiando em seguida no Estado-Maior do Exército.
Participou da Revolução de 1930, e em abril de 1931 atingiu o posto de major, assumindo o comando do 6º Grupo de Artilharia da Costa, no Rio de Janeiro. Foi membro do Clube 3 de Outubro, organização criada em 1931 congregando as forças tenentistas partidárias da manutenção e do aprofundamento das reformas instituídas pela Revolução de 1930. Atuou na repressão ao movimento constitucionalista de 1932, integrando a 3ª Seção do Estado-Maior da 4ª Divisão de Infantaria, comandada pelo coronel Álvaro de Alencastro. Em dezembro de 1932, foi promovido a tenente-coronel, assumindo, no ano seguinte, o comando da Escola de Artilharia, cargo que manteve até 1934, quando foi nomeado para o gabinete do general Pedro Aurélio de Góis Monteiro, então ministro da Guerra.
Em abril de 1935, por ocasião da extinção do Clube 3 de Outubro, exercia a presidência da entidade. Em maio de 1937, foi promovido a coronel, assumindo a chefia de gabinete do Estado-Maior do Exército até 1939, quando foi designado para a Diretoria de Material Bélico. Nesse período, chefiou a Comissão Militar Brasileira enviada a Essen, na Alemanha, para comprar material de guerra. Em agosto de 1941, quando comandava a 2ª Brigada de Infantaria, em Natal, foi promovido a general-de-brigada, tendo, no ano seguinte, assumido o posto de comandante da 14ª Divisão de Infantaria, na mesma capital. Em 1943, foi nomeado diretor do Centro de Instrução Especializada, cargo que exerceu até 1945, quando assumiu o comando da Diretoria de Ensino do Exército. Em maio de 1946, atingiu o posto de general-de-divisão e recebeu o comando da 3ª Região Militar, sediada em Porto Alegre.
Faleceu no ano de 1948, em Porto Alegre.
Foi casado com Noêmia Brasil Cordeiro de Farias, com quem teve quatro filhos.