FRAGA, Clementino
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Clementino da Rocha Fraga Júnior nasceu em Muritiba (BA) no dia 15 de setembro de 1880, filho de Clementino da Rocha Fraga e de Córdula de Magalhães Fraga.
Fez o estudo secundário no Colégio Carneiro, em Salvador, ingressando depois na Faculdade de Medicina da Bahia, pela qual se diplomou em 1903. Iniciou carreira de professor universitário no ano seguinte, passando a lecionar como assistente nessa escola de medicina. Nomeado em 1906 inspetor sanitário no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, começou a desenvolver suas atividades na área da saúde pública, iniciando nessa ocasião relações com Osvaldo Cruz e Carlos Chagas. Voltando à Bahia em 1910, assumiu a função de professor substituto de clínica médica da Faculdade de Medicina, e no ano seguinte foi nomeado delegado sanitário especial. Em 1914 passou a exercer a função de catedrático de clínica médica da mesma faculdade e, em 1917, chefiou a Comissão Sanitária Federal incumbida de combater a febre amarela, dirigindo no ano seguinte o Hospital Deodoro, no Rio de Janeiro, durante a epidemia de gripe.
Ingressou na política ao eleger-se deputado federal pela Bahia em 1921, assumindo o mandato em maio desse ano. Reeleito para a mesma cadeira em 1924, transferiu-se definitivamente no ano seguinte para a capital federal por força de suas atividades parlamentares, estabelecendo-se na Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro como professor da segunda cadeira de clínica médica. Ainda em 1925 atuou como delegado sanitário especial para realizar a profilaxia da cólera a bordo do navio Araguaia e representou o Brasil no XVII Congresso de Medicina, em Londres.
Em dezembro do ano seguinte encerrou o mandato na Câmara e assumiu o cargo de diretor do Departamento Nacional de Saúde Pública, no exercício do qual se distinguiria em 1928 no combate à febre amarela, debelando o surto da doença que havia reaparecido no Rio de Janeiro no ano anterior. Ainda em 1927 voltou a representar o Brasil, dessa vez no Congresso Internacional de Tuberculose, realizado em Córdoba, na Argentina. Introduziu o estudo da tuberculose no país e, em 1930, criou o curso de aperfeiçoamento na citada doença, anexo à segunda cadeira de clínica médica da Faculdade Nacional de Medicina.
Voltando a exercer funções de comando na defesa sanitária do Rio de Janeiro, foi nomeado em 1937 secretário-geral de Saúde e Assistência da Prefeitura do Distrito Federal durante a administração de Henrique Dodsworth (1937-1945), permanecendo no cargo até 1940. Exerceu também atividades literárias, sendo eleito em 1939 para a Academia Brasileira de Letras.
De volta à vida política no pleito de outubro de 1950, candidatou-se a uma cadeira de deputado federal pelo Distrito Federal na legenda da União Democrática Nacional (UDN) e obteve a segunda suplência, tendo exercido o mandato de junho de 1954 a janeiro do ano seguinte. No pleito de outubro de 1954 voltou a concorrer à Câmara dos Deputados, dessa vez na legenda da Aliança Popular, integrada pela UDN, o Partido Republicano (PR) e o Partido Libertador (PL). Não chegou, porém, a se eleger, não mais retornando à Câmara dos Deputados.
Como médico e professor emérito da Faculdade Nacional de Medicina e da Faculdade de Medicina da Bahia, participou de congressos internacionais de medicina e de diversas agremiações científicas, como a Academia Nacional de Medicina, a Academia de Medicina de Paris, a Academia de Medicina de Buenos Aires, a Academia de Ciências de Lisboa e a Société Française de la Tuberculose. Pertenceu também à Academia de Letras da Bahia e à Academia Fluminense de Letras.
Faleceu no Rio de Janeiro no dia 8 de janeiro de 1971.
Era casado com Olindina da Silva Fraga, com quem teve três filhos, dois dos quais, Hélio e Clementino, também se destacaram no exercício da medicina e do magistério. Hélio Fraga foi reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro de 1973 a 1977.
Entre outros trabalhos, publicou A vontade - estudo psicofisiológico (tese, 1903), Fronteiras da tuberculose (1906), Higiene rural no Brasil (1908), Discursos e conferências (1912), Beribéri no Brasil (1918), Clínica médica (1919), Orações à mocidade (1923), A febre amarela no Brasil (1929), Ceticismo em medicina (1930), Noções atuais de tuberculose (1931), Ensino médico e medicina social (1932), Aspectos médico-sociais do problema da tuberculose (1932), Noções recentes de clínica (em colaboração, 1933), Doenças do fígado (1934), Orientação profissional e higiene pública (1934), Erros e preceitos de medicina social (1936), Medicina clínica (1937), Ciência e arte em medicina (1938), Bovarismo antes e depois de Flaubert (1939), Médicos-educadores (1940), Amores crepusculares (1941), Medicina e humanismo (1942), Doença e gênio literário (1943), Últimas orações (1944), Vocação liberal de Castro Alves (1948), Ricardo Jorge, médico e humanista (1952), Afonso Celso - educador (1958), Paisagens de outono (1958), Através da medicina (1960), Meditações (ensaios e excertos, 1965), Reencontros imaginários (memórias, 1968), Vida e obra de Osvaldo Cruz (póstumo, 1972), Le foie dans le paludisme, Beribéri ou síndrome beribérica?, Carência alimentar e beribéri, Notes sur l’epidemie de fièvre jaune à Rio de Janeiro, Diagnóstico das síndromes respiratórias e Diagnóstico da tuberculose pulmonar - síndrome clínica precoce.