FRAGOMENI, José
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José Fragomeni nasceu em São Gabriel (RS) no dia 16 de março de 1914, filho de Jerônimo Fragomeni, pequeno comerciante, e de Helena Fragomeni. De seus 11 irmãos, três também ingressaram no Exército.
Em março de 1933 sentou praça na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, e ao concluir o curso em janeiro de 1936 como aspirante-a-oficial da arma de cavalaria, foi imediatamente promovido a segundo-tenente. Primeiro-tenente em maio de 1937 e capitão em dezembro de 1944, foi comandante de pelotão e de esquadrão em corpo de tropa no seu estado de origem, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, e ainda instrutor na Escola Militar do Realengo e ajudante-de-ordens do general Eurico Gaspar Dutra, ministro da Guerra de 1936 a 1945.
Promovido a major em julho de 1951, alcançou a patente de tenente-coronel seis anos mais tarde e a de coronel em dezembro de 1963. Destacou-se então como instrutor-chefe do curso de cavalaria da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) e instrutor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), exercendo ainda as funções de instrutor na Missão Militar de Instrução no Paraguai, comandante do 12º Regimento de Cavalaria, sediado em Bajé (RS), oficial-de-gabinete do Ministério do Exército e oficial da 3ª Seção do Estado-Maior do Exército. Em abril de 1964, por seu engajamento no movimento político-militar que depôs o presidente João Goulart, recebeu o comando de uma unidade considerada de elite, o 1º Regimento de Cavalaria de Guardas, os “Dragões da Independência”, no Rio de Janeiro. Foi também chefe do Estado-Maior da Divisão Blindada, chefe da 4ª Seção do Estado-Maior das Forças Armadas e subchefe de gabinete do ministro do Exército.
Após ser promovido a general-de-brigada em março de 1968, foi comandante da Artilharia Divisionária da 6ª Divisão de Infantaria (DI), em Porto Alegre, comandante da 1ª Divisão de Cavalaria, em Santiago (RS), e diretor de Administração Financeira do Exército. Em fevereiro de 1971 assumiu o comando da AMAN, substituindo o general Carlos Meira Matos, e em novembro de 1973 alcançou a patente de general-de divisão. Em seguida deslocou-se para a subchefia do Estado-Maior do Exército (EME) e depois para a Diretoria-Geral de Economia e Finanças do Exército. Em outubro de 1975, assumiu o comando da 2ª Divisão de Exército, em São Paulo, em substituição ao general Mário de Sousa Pinto, e neste posto, como homem de confiança do presidente Ernesto Geisel, teve importante participação no episódio em que o general Ednaldo D’Ávila Melo foi afastado do comando do II Exército. Tal afastamento decorreu da morte do operário Manuel Fiel Filho nas dependências do DOI-CODI paulista, em situação que repetia a ocorrida meses antes com o jornalista Vladimir Herzog.
Em novembro de 1977 foi promovido a general-de-exército e em janeiro de 1978 assumiu o comando da Escola Superior de Guerra (ESG), substituindo o general Aírton Tourinho. À frente daquela unidade de ensino, durante aproximadamente um ano, negou que a ESG estivesse passando por um processo de reformulação e declarou que a escola continuava aberta para todos, sem partido e sem qualquer interferência na vida normativa do país. Admitiu porém que na reforma da Lei de Segurança Nacional o conceito de segurança nacional poderia ser ampliado, transformando-se no binômio segurança e desenvolvimento, que no seu entender continuaria o melhor meio de se alcançar o bem-estar do povo.
A política de “distensão lenta, gradual e segura” desenvolvida por Geisel desde o início de seu governo defrontou-se em 1978 com o crescimento da luta pela anistia e com o ressurgimento do movimento operário, ao mesmo tempo em que se encaminhava a sucessão presidencial em favor da chapa João Figueiredo-Aureliano Chaves e o Ato Institucional nº 5 (AI-5) era extinto. Exonerado da ESG em dezembro, Fragomeni retornou a São Paulo, assumindo o comando do II Exército em janeiro de 1979 em substituição ao general Dilermando Gomes Monteiro. Na ocasião declarou-se favorável à anistia, “mas uma anistia regulada, não anistiar os criminosos comuns. Quem assassinou, por exemplo, não merece ser anistiado”.
Em junho, por ser o primeiro em antigüidade no Exército, foi nomeado ministro do Superior Tribunal Militar (STM) na vaga aberta com a aposentadoria do ministro-general Rodrigo Otávio Jordão Ramos. No final de julho passou interinamente o comando do II Exército ao general Túlio Chagas Nogueira, e em no início de agosto assumiu seu novo cargo. Permanecendo no II Exército seria obrigado a ir para a reserva em março de 1980, ao completar 66 anos, mas como ministro do STM pôde ficar na ativa por mais quatro anos.
Ao longo de sua carreira militar cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) e a ESG e o curso superior da Escola de Cavalaria dos Estados Unidos.
Faleceu em Brasília no dia 14 de fevereiro de 1984.
Era casado com Eunice Pizarro Fragomeni, com quem teve seis filhos.