GARCIA NETO, José
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José Garcia Neto nasceu em Rosário do Catete (SE) no dia 1º de junho de 1922, filho de Antônio Garcia Sobrinho e de Antônia Meneses Garcia.
Engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da Bahia em 1944, transferiu-se para o Rio de Janeiro no ano seguinte, indo trabalhar na Coimbra e Bueno Companhia Ltda. Em 1945 foi designado para servir em Mato Grosso, ocupando em 1946 o cargo de diretor de Obras Públicas do estado. Ainda no mesmo ano, tornou-se professor da Escola Técnica de Mato Grosso, na qual exerceria o magistério durante os sete anos subseqüentes.
No pleito de outubro de 1954 elegeu-se prefeito de Cuiabá na legenda da União Democrática Nacional (UDN), assumindo o mandato em fevereiro de 1955. No ano seguinte assumiu a presidência da Associação dos Municípios da Amazônia Mato-Grossense, permanecendo no cargo até 1959, quando encerrou sua administração à frente da prefeitura de Cuiabá. Candidatando-se a vice-governador de Mato Grosso na legenda da UDN, na chapa liderada por Fernando Correia da Costa, foi eleito no pleito de outubro de 1960 e empossado em fevereiro do ano seguinte. Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), agremiação de orientação governista. Em janeiro de 1966, encerrou seu mandato de vice-governador.
No pleito de novembro de 1966 foi eleito deputado federal por Mato Grosso na legenda da Arena, sendo o candidato mais votado à Câmara Federal no estado. Foi empossado em fevereiro de 1967 e reeleito em novembro de 1970, novamente com a primeira votação do estado. Atuou, nessa última legislatura, como suplente das comissões de Minas e Energia e de Transportes, Comunicação e Obras Públicas, como presidente da Comissão de Desenvolvimento da Região Centro-Oeste e como membro da Comissão de Orçamento. Em 1974 tornou-se vice-líder do governo na Câmara Federal.
Eleito governador de Mato Grosso por via indireta em outubro de 1974, deixou a Câmara em janeiro de 1975 e em março seguinte foi empossado na chefia do Executivo estadual, em substituição a José Fragelli. Em fins de 1976 e início de 1977, foi acusado pela imprensa paulista e carioca e pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido oposicionista, de ter nomeado mais de 20 parentes, inclusive sua mulher e os filhos, para cargos administrativos, que representavam em vencimentos uma despesa de novecentos mil cruzeiros para os cofres públicos. Respondeu tais acusações dizendo que não havia dado emprego a seus parentes, mas sim trabalho, e que por isso não os demitiria.
Ainda em 1977, por ocasião dos debates em torno da subdivisão de Mato Grosso em dois estados, manifestou-se, em entrevista à imprensa, contrário à medida, alegando que ela conduziria a um aumento dos custos de administração e à diminuição dos investimentos na região. Entretanto, durante seu governo, o estado do Mato Grosso do Sul foi criado através do decreto de 11 de outubro de 1977.
Com o objetivo de concorrer pela Arena a uma cadeira no Senado, deixou o governo do estado em agosto de 1978, sendo substituído no cargo pelo vice-governador Cássio Leite de Barros. Todavia, não conseguiu se eleger, sendo derrotado pelo também arenista Benedito Canelas.
Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979 e a consequente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Popular (PP). Em fevereiro de 1982, após o estabelecimento das regras para as eleições de novembro daquele ano, que entre outras medidas proibia as coligações partidárias e exigia a vinculação total dos votos, em fevereiro de 1982 ocorreu a incorporação do PP ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) - defendida por Garcia Neto desde os primeiros entendimentos entre os dois partidos oposicionistas. No pleito de novembro desse ano candidatou-se mais uma vez ao Senado na legenda do PMDB, mas não conseguiu se eleger, sendo derrotado por Roberto Campos, do Partido Democrático Social (PDS), agremiação governista.
No ano seguinte, tornou-se diretor da Eletronorte, companhia de energia do centro-oeste e norte do país. Em 1987, foi uma das personalidades agraciadas com o Mérito Industrial Júlio Muller, premiação recebida como ex-governador de Mato Grosso por ter instituído o Programa de Industrialização no estado com a criação dos distritos industriais dos municípios mato-grossenses de Cuiabá, Rondonópolis, Cáceres e Barra do Graças.
Deixou a Eletronorte em 1988, ao mesmo tempo em que se desfiliou do PMDB. Abandonou a vida pública e passou a atuar na iniciativa privada, com a firma de engenharia A. G. Global Construção S.A.
Foi também diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e do Departamento de Saneamento de Sergipe. Como empresário, tornou-se sócio da Companhia de Engenharia Civeletro Ltda., com sede em Cuiabá.
Governador na época da divisão do antigo estado do Mato Grosso, em 1977, recebeu a comenda “Memória do Legislativo” em agosto de 2008, concedida pela Assembleia Legislativa por ocasião de lançamento do livro Prosas com governadores, no qual foi incluído entre os ex-governadores do estado pelo autor Fernando Tadeu de Miranda Borges. Em novembro seguinte, recebeu o título de ‘Cidadão Aracajuano” iniciativa da Academia Sergipana de Letras e da Câmara Municipal de Aracaju. Na ocasião, foi lançado o livro Governadores de três estados do Brasil, de José Anderson Nascimento, que relata as administrações de três sergipanos de origem à frente do Executivo estadual de três unidades da União, todos oriundos da mesma família: Luís Garcia (Sergipe), Gilton Garcia (Amapá) e José Garcia Neto (Mato Grosso).
Casou-se com Maria Lígia de Borges Garcia, com quem teve cinco filhos.