GATO, Marcelo
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Alberto Marcelo Gato nasceu em Sertãozinho (SP) no dia 16 de janeiro de 1941, filho de Antônio Gato Júnior e de Dolores Rodrigues da Silva.
Para custear seus estudos, em 1957 passou a trabalhar como radialista em Ribeirão Preto. Em 1962 formou-se em química industrial nesta cidade e no ano seguinte ingressou na Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), sendo eleito, em 1968, para a presidência do Sindicado dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Santos, São Vicente, Cubatão e Guarujá, no estado de São Paulo. De 1970 a 1972 foi presidente do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), na capital paulista e nesse último ano bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade Católica de Direito, em Santos.
Eleito vereador naquela cidade em novembro de 1972, na legenda do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país em abril de 1964, assumiu o mandato no mês de janeiro de 1973 e durante a legislatura foi segundo-secretário da Câmara Municipal. Em 1974 deixou suas atividades sindicais para candidatar-se, no pleito de novembro, a deputado federal por São Paulo, ainda na legenda do MDB. Conseguiu eleger-se, obtendo a maior parte dos votos entre os operários de Santos e da grande São Paulo, notadamente no chamado ABC (Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul). Em fevereiro de 1975 renunciou ao mandato municipal para assumir sua cadeira na Câmara dos deputados. Durante o curto período em que a ocupou, foi um crítico sistemático da política salarial do governo, evidenciando através de dados, especialmente os elaborados pelo Dieese, a diminuição do poder aquisitivo dos trabalhadores. Propôs a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para debater essa política e foi membro da Comissão de Trabalho e Legislação Social da Câmara, destacando-se ainda no combate à censura.
Num relatório do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) sobre as atividades do Partido Comunista Brasileiro (PCB), enviado em dezembro de 1975 à 2ª Auditoria de Guerra, em São Paulo, foi acusado, juntamente com outros dois parlamentares oposicionistas, Alberto Goldmann e Nélson Fabiano Sobrinho, deputados estaduais em São Paulo, de ligações com aquela organização política clandestina, que os teria auxiliado a se eleger. Tal acusação veio a público dois meses depois da morte do jornalista Vladimir Herzog no cárcere do Departamento de Operações e Investigações-Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-CODI), na capital paulista, em meio a uma intensa campanha de repressão ao PCB. O relatório “observou a infiltração do ex-PCB na política nacional, objetivando a ocupação de posições de destaque nos diversos setores da atividade humana”, para o que estaria utilizando o concurso do MDB, através do Instituto de Estudos Políticos, Econômicos e Sociais (Iepes) e da preparação de “juventudes democráticas”.
O Jornal do Brasil (27/12/1975) publicou declaração do advogado de Marcelo Gato segundo a qual o nome do deputado, assim como os dos outros dois parlamentares, fora suprimido do inquérito por falta de provas de sua ligação com o PCB. Chamado, no entanto, a comparecer ao Dops, o representante paulista disse que só o faria se a convocação fosse aprovada pela Câmara Federal, conforme obriga a lei em defesa das prerrogativas parlamentares, sendo nisso apoiado pelo presidente nacional do MDB, deputado Ulisses Guimarães. Gato contestou as acusações do relatório e o classificou de “pseudo-inquérito” para “comprometer o MDB e isolá-lo do povo brasileiro”, afirmando ainda que continuaria a defender “a democracia, a liberdade, os direitos humanos e a justiça social”. Em reunião, por essa época, com o então secretário de Segurança Pública de São Paulo, coronel Antônio Erasmo Dias, e delegados do Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops), reiterou suas denúncias contra os órgãos de segurança, declarando não retirar uma palavra do que já dissera. Por essa razão foi sugerido seu enquadramento no artigo 16 da Lei de Segurança Nacional. No dia 5 de janeiro de 1976, o presidente da República, general Ernesto Geisel (1974-1979), assinou decreto, com base no Ato Institucional nº 5, cassando seu mandato parlamentar e suspendendo seus direitos políticos por dez anos. Outro dos acusados, Nélson Fabiano Sobrinho, foi igualmente cassado nesta ocasião.
Marcelo Gato foi beneficiado pela anistia de agosto de 1979 e, com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro desse ano e a consequente reformulação partidária, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), agremiação sucessora do MDB. Nessa legenda foi eleito suplente de deputado federal por São Paulo no pleito de novembro de 1982.
Com o retorno do PCB à legalidade em 1985, filiou-se a esta legenda e no pleito de novembro do ano seguinte candidatou-se a uma cadeira na Câmara, não logrando êxito.
Abandonando a vida pública, retomou suas atividades de advogado trabalhista na Baixada Santista. Em 1992 foi fundador, em Santos, do Partido Popular Socialista (PPS), agremiação resultante das mudanças efetuadas nos estatutos do PCB.
Casou-se com Andréa Angerami Correia da Silva. Teve quatro filhas.