HARTUNG, Paulo

Paulo César Hartung Gomes nasceu em Guaçuí (ES) no dia 21 de abril de 1957, filho de Paulo Pereira Gomes e de Lília Aparecida Hartung Gomes.

Economista formado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), iniciou suas atividades políticas na faculdade, tendo sido presidente do Diretório Central dos Estudantes da UFES de 1978 a 1979. Filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instalado no país em abril de 1964, militou no Partido Comunista Brasileiro (PCB), então na clandestinidade. No fim da década de 1970, também participou do Comitê Brasileiro de Anistia (CBA) no Espírito Santo.

Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979 e a consequente reformulação partidária, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Nessa legenda foi eleito deputado estadual no pleito de novembro de 1982. Assumindo o mandato na Assembleia Legislativa do Espírito Santo em março do ano seguinte, presidiu a Comissão de Finanças, Orçamento e Tomada de Contas entre 1983 e 1985. Em 15 de janeiro de 1985, foi um dos delegados do Espírito Santo ao Colégio Eleitoral que elegeu o sucessor do presidente da República, general João Batista Figueiredo. Paulo Hartung votou em Tancredo Neves, candidato da frente oposicionista Aliança Democrática - uma união do PMDB com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) abrigada na Frente Liberal. Tancredo Neves foi eleito, derrotando Paulo Maluf, candidato do PDS e do regime militar. Contudo, por motivo de doença, Tancredo não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto no cargo foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo desde 15 de março daquele ano.

Segundo-secretário da mesa da Assembleia Legislativa entre 1985 e 1987, Paulo Hartung elegeu-se deputado estadual constituinte em novembro de 1986, sempre na legenda do PMDB. Iniciou seu segundo mandato em fevereiro do ano seguinte. Ainda em 1987, voltou a presidir a Comissão de Finanças, Orçamento e Tomada de Contas, permanecendo no cargo até 1988. Em junho daquele ano, deixou o PMDB e ingressou no Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), tornando-se um dos membros fundadores do partido no Espírito Santo. No fim de 1988 tomou parte dos trabalhos de elaboração da nova Constituição estadual.

De 1989 a 1990, foi vice-líder da bancada do PSDB na Assembleia Legislativa e presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Educação no Espírito Santo. Em 1989 passou a participar da Comissão Constitucional da Assembleia Estadual Constituinte do Espírito Santo, chegando a ocupar a posição de líder da bancada do PSDB de 1990 a 1991.

Em outubro de 1990, foi eleito deputado federal pelo PSDB, tendo sido o deputado mais votado do partido e o segundo mais votado no estado, com cerca de 49 mil votos. Ao assumir o mandato na Câmara em fevereiro de 1991, passou a vice-líder do PSDB e participou da Comissão de Finanças e Tributação. Naquela legislatura tornou-se integrante da comissão executiva regional do PSDB.

Na sessão da Câmara dos Deputados de 29 de setembro de 1992, votou a favor da abertura do processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, acusado de envolvimento num amplo esquema de corrupção. Collor foi acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção encabeçado pelo tesoureiro de sua campanha presidencial, Paulo César Farias. Afastado da presidência logo após a votação na Câmara, Collor renunciou ao mandato em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado, sendo efetivado na presidência da República o vice Itamar Franco, que já vinha exercendo o cargo interinamente desde 2 de outubro.

Eleito prefeito de Vitória pelo PSDB em outubro seguinte, Paulo Hartung renunciou ao mandato de deputado em 1º de janeiro de 1993 para receber a prefeitura do seu antecessor Vítor Buaiz, do Partido dos Trabalhadores (PT). O deputado que ocupou a sua vaga na Câmara dos Deputados foi Lézio Sathler. Completou seu mandato à frente da prefeitura em 31 de dezembro de 1996, quando foi substituído por Luís Paulo Veloso Lucas, também do PSDB.

Após ter trabalhado para a empresa Consultime, prestadora de serviços de consultoria a prefeitos e candidatos, em junho de 1997 Paulo Hartung assumiu o cargo de diretor de desenvolvimento regional e social do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por indicação do ministro das Comunicações, Sérgio Mota, onde permaneceu até março de 1998.

Tendo pleiteado a indicação do PSDB para concorrer ao governo capixaba em outubro de 1998, teve seu nome preterido pelo de José Inácio Ferreira. Assim, acabou disputando uma vaga no Senado naquele pleito, por indicação expressa da executiva regional do PSDB. Essa decisão contrariou o desejo do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, que preferia que os tucanos do Espírito Santo apoiassem a candidatura à reeleição do senador Élcio Álvares, do Partido da Frente Liberal (PFL), tendo em vista a aliança nacional entre esta agremiação e o PSDB em torno da candidatura presidencial.

Vitorioso no pleito, Paulo Hartung assumiu sua cadeira no Senado em fevereiro de 1999. No mês de agosto de 1999, passou a atuar como membro titular da comissão de combate à pobreza.

Em outubro de 2001, já pensando nas eleições seguintes para o governo do Espírito Santo, transferiu-se para o Partido Socialista Brasileiro (PSB), e em outubro de 2002, foi eleito ainda no primeiro turno, governador do estado.

Durante a gestão enfrentou grandes problemas na área de segurança pública. Em novembro de 2004, a capital do estado foi alvo de uma série de atentados. O governo do Espírito Santo teve que pedir a ajuda de 150 homens da Força Nacional de Segurança, primeira missão do grupo de elite criado pelo Governo Luís Inácio Lula da Silva (2003-2011).

Em novembro do ano seguinte, Hartung filiou-se ao PMDB.

Na nova legenda buscou a reeleição para o governo capixaba em outubro de 2006, sendo novamente bem-sucedido, vencendo o pleito ainda no 1º turno, com mais de 77% dos votos válidos.

Casou-se com Cristina Soares Gomes, com quem teve dois filhos.