LEAL, Nunes
| Tipo | Biográfico |
|---|---|
| Cargos |
|
Paulo Nunes Leal nasceu em Carangola (MG) no dia 1º de julho de 1916, filho de Nascimento Nunes Leal e de Angelina de Oliveira Leal.
Sentou praça em 1937, na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, saindo aspirante-a-oficial da arma de engenharia na turma de 1940. Segundo-tenente em agosto de 1941 e primeiro-tenente em outubro do ano seguinte, serviu no 2º. Batalhão Rodoviário, em Lajes (SC), na Comissão de Estradas de Rodagem nº. 2, nas cidades paulistas de Barretos e Rio Preto, e, no Rio de Janeiro, na Diretoria de Obras e Fortificações e na Comissão de Obras nº. 1.
Com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), integrou a Força Expedicionária Brasileira (FEB) na campanha da Itália, servindo como comandante de pelotão no 9º. Batalhão de Engenharia. Participou de diversos combates, como as ocupações de Monte Castelo e Camaiore, tendo recebido 13 citações individuais e condecorado com a Cruz de Combate de Primeira Classe, a mais alta distinção de guerra brasileira, e a Bronze Star Medal, entregue pelo V Exército norte-americano, unidade militar aliada à qual a FEB estava subordinada. De volta ao país, foi promovido a capitão em setembro de 1945.
Ingressou na Escola Técnica do Exército, hoje Instituto Militar de Engenharia, no Rio de Janeiro, pela qual se formou engenheiro civil e militar em 1950. Assessor de transportes da Comissão do Vale do São Francisco, depois Superintendência do Vale do São Francisco (Suvale), em janeiro de 1952 foi promovido a major.
Em 1954 foi nomeado governador do território federal de Guaporé, hoje estado de Rondônia, cargo no qual permaneceu até 1955. Promovido a tenente-coronel em dezembro desse ano, entre 1956 e 1957 chefiou a Comissão Especial de Obras nº. 9, sediada em Manaus, incumbido de superintender os trabalhos de construção realizados pelo Exército no oeste da Amazônia, especialmente nas regiões fronteiriças. Durante este período, manteve ligações políticas com Rondônia, mantendo coluna e escrevendo artigos para jornais locais; além disso, filiou-se à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), entidade à qual estava associado em maio de 2000.
No pleito de outubro de 1958 elegeu-se suplente de deputado federal por Rondônia na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), não tendo exercido o mandato. Ainda em 1958, foi novamente nomeado governador de Rondônia, cargo que ocuparia dessa vez até 1962. Em 1960, autorizou a viagem pioneira de caminhões carregados de São Paulo a Porto Velho, capital do território, demonstrando assim a viabilidade do trânsito de veículos através das incipientes estradas da região Centro-Oeste. Por inspiração sua, o presidente Juscelino Kubitschek determinou a abertura da BR-29, depois BR-364, que se constituiu no eixo ao longo do qual teria lugar a ocupação do estado de Rondônia.
Em 1964, passou para a reserva remunerada com o posto de coronel, sendo então nomeado superintendente da Estrada de Ferro Leopoldina, cargo que ocupou até 1966.
No pleito de novembro de 1966, elegeu-se deputado federal por Rondônia na legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação ao regime militar instalado no país em abril de 1964, assumindo o mandato em fevereiro do ano seguinte. Em 1968, a convite do governo português, visitou as então colônias deste país na África. Deixou a Câmara dos Deputados ao final de seu mandato, em janeiro de 1971. Foi secretário de Transportes do Rio Grande do Sul durante o governo de Euclides Triches (1971-1975), seu companheiro no Exército e na Câmara. Nesse período, visitou os Estados Unidos a convite do Departamento de Estado norte-americano.
Em novembro de 1974 voltou a eleger-se deputado federal na legenda da Arena, dessa vez pelo Rio Grande do Sul, para onde havia transferido seu domicílio eleitoral. Reassumiu uma cadeira na Câmara em 1º. de fevereiro de 1975, mas licenciou-se do mandato no dia seguinte a fim de tomar posse mais uma vez na Secretaria de Transportes do Rio Grande do Sul, à frente da qual permaneceu apenas até março seguinte, quando findou o governo de Triches. De volta à Câmara, integrou as comissões de Transportes e de Segurança Nacional, presidiu a Comissão de Valorização da Amazônia e foi suplente das comissões de Relações Exteriores e de Economia, Indústria e Comércio. Deixou a Câmara ao final de seu mandato, em janeiro de 1979.
Ainda em 1979, foi indicado para ocupar a 6ª Superintendência Regional da Rede Ferroviária Federal S.A., que cobria a malha ferroviária do Rio Grande do Sul, e também a Estrada de Ferro Teresa Cristina, em Santa Catarina. Deixou o cargo em 1984 e em seguida assumiu a presidência da Armazéns Gerais da Rede Ferroviária Federal, no Rio de Janeiro. Dois anos depois voltou a exercer sua profissão de engenheiro civil até aposentar-se em 1991.
Foi membro fundador da Academia Rondoniense de Letras.
Casou-se com Talita Fonseca Nunes Leal, com quem teve dois filhos.
Publicou Transportes e outros problemas nacionais (1978), O outro braço da cruz (1984) e A guerra que eu vivi (no prelo).