LEITE, Raimundo

Raimundo da Cunha Leite nasceu em Juazeiro (BA) no dia 2 de setembro de 1923, filho de Antônio Ferreira Leite e de Josefa da Cunha Leite.

De 1942 a 1943 estudou na Escola Técnica de Comércio de São Caetano do Sul (SP). Em 1950 ingressou no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), tornando-se secretário do diretório municipal de São Caetano do Sul, cargo que exerceu até 1954. Neste ano saiu do PTB e filiou-se ao Partido Trabalhista Nacional (PTN), exercendo a presidência do diretório municipal até 1965.

Em 1956 tornou-se secretário e diretor do jornal Folha de São Caetano do Sul. Neste período trabalhou também como colaborador da Folha do Povo, do Jornal de São Caetano e de O Estado de S. Paulo.

Em 1958 assumiu seu primeiro cargo público, tornando-se diretor do Serviço Municipal de Trânsito de São Caetano do Sul, cargo que exerceu até o início de 1961. No pleito de março desse ano, elegeu-se vereador deste município, na legenda do PTN, assumindo o mandato em abril seguinte. Reeleito no pleito de março de 1965, ainda no PTN, tomou posse em abril. Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, ajudou a fundar em 1966 o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país em abril de 1964. Em 1967 tornou-se presidente do diretório municipal do MDB de São Caetano do Sul, cargo que ocupou por dois anos.

No pleito de novembro de 1968 candidatou-se à reeleição à Câmara de Vereadores, no MDB, conseguindo apenas a primeira suplência. Deixou a Câmara em janeiro do ano seguinte, ao final da legislatura. Em 1971 bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito de Bragança Paulista (SP). No ano seguinte assumiu o mandato de vereador, em virtude do falecimento do titular, permanecendo nesta casa até o final da legislatura, em dezembro de 1973.

Nas eleições de novembro de 1976, elegeu-se prefeito de São Caetano do Sul, na legenda do MDB, assumindo o mandato em fevereiro do ano seguinte. Com o fim do bipartidarismo em novembro de 1979 e a consequente reformulação partidária, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), agremiação que sucedeu o MDB, tornando-se o primeiro presidente do diretório municipal do partido neste município paulista. Em 1981, realizou uma viagem a Londres em missão comercial.

Em maio do ano seguinte desincompatibilizou-se do cargo de prefeito para concorrer a uma cadeira na Câmara dos Deputados por São Paulo no pleito de novembro de 1982, no PMDB. Eleito, assumiu o mandato em fevereiro do ano seguinte, participando dos trabalhos legislativos como membro titular da Comissão de Constituição e Justiça e suplente da Comissão do Interior.

Na sessão da Câmara de 25 de abril de 1984, votou a favor da emenda Dante de Oliveira, que, apresentada na Câmara dos Deputados, propôs o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano. Como a emenda não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação - faltaram 22 para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado -, no Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985, Raimundo Leite votou no candidato oposicionista Tancredo Neves, eleito novo presidente da República pela Aliança Democrática, uma união do PMDB com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) abrigada na Frente Liberal. Contudo, por motivo de doença, Tancredo Neves não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto no cargo foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo desde 15 de março deste ano.

Próximo ao então vice-governador de São Paulo, Orestes Quércia, em janeiro de 1986 Raimundo Leite contestou as declarações dadas à imprensa pelo chefe do Gabinete Civil da Presidência da República, ministro José Hugo Castelo Branco, que criticara a candidatura de Quércia ao governo estadual paulista nas eleições de novembro seguinte “por não unir o partido”. Segundo Leite, o problema da sucessão no governo de São Paulo era “da competência exclusiva dos paulistas e ninguém mais deveria interferir, principalmente aqueles que não tinham nenhuma identificação partidária com o PMDB”.

No pleito de novembro deste ano candidatou-se a uma vaga de deputado federal constituinte, na legenda do PMDB, mas não logrou êxito, deixando a Câmara dos Deputados em janeiro de 1987, ao final da legislatura.

Durante o mandato de Orestes Quércia no governo do estado de São Paulo (1987-1991), Raimundo Leite assumiu diversos cargos públicos: entre março e novembro de 1987, foi diretor administrativo e financeiro da Fundação Oncocentro, ligada à secretaria de Saúde do estado de São Paulo; de fevereiro a dezembro de 1988, foi diretor de terminais ferroviários da Companhia Metropolitana (Metrô) de São Paulo; e, de março de 1989 a março de 1991, assumiu o cargo de diretor de planejamento da Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo (Emplasa).

Em 1992 Raimundo Leite voltou a presidir o diretório municipal do PMDB de São Caetano do Sul, permanecendo no cargo até 1995, quando afastou-se definitivamente da vida pública.

Casou-se com Maria Dulce Cerqueira Leite, com quem teve três filhos.