LIMA, Antônio Jorge Machado

Antônio Jorge Machado Lima nasceu em Ponta Grossa (PR) no dia 26 de outubro de 1886, filho de Vicente Machado da Silva Lima e de Maria Antônia Machado Lima. Seu pai foi chefe republicano, senador (1896-1904) e presidente do estado do Paraná (1893-1894 e 1904-1907).

Estudou no Seminário Episcopal e no Colégio Viana, em Curitiba, antes de ingressar na Faculdade de Direito de São Paulo, pela qual se bacharelou em dezembro de 1907. Promotor público nas comarcas paranaenses de Palmeiras e Antonina entre 1908 e 1909, nesse ano foi nomeado procurador fiscal da Fazenda Nacional junto à Delegacia Fiscal do Paraná, cargo que exerceria até 1930. Foi também consultor jurídico da mesma delegacia fiscal. Em 1914, participou da dissidência chefiada pelo senador Alencar Guimarães, opondo-se aos políticos que então exerciam o poder no estado. Em 1928, fundou em Curitiba o jornal A Tarde, cuja direção assumiu. O jornal se opunha tanto ao governo estadual quanto ao federal, e deu ampla divulgação à campanha da Aliança Liberal, iniciada em 1929. A Tarde iria circular até 1934, segundo Afrânio Coutinho, ou até 1943, segundo Erwin Hirschowicz.

Pretendeu candidatar-se à Câmara dos Deputados no pleito de 1930, mas teve seu nome vetado ainda em 1929. Foi em seguida transferido para a Delegacia Fiscal de Goiás, mas a transferência não chegou a se efetivar devido à eclosão da Revolução de 1930. Foi um dos líderes civis do movimento no Paraná, tendo chegado a assumir a secretaria geral e a presidência do diretório revolucionário no estado. Depois da consolidação da vitória do movimento, ocupou o cargo de diretor-geral do Ensino no Paraná durante a interventoria do general Mário Tourinho (1930-1932) e integrou o Conselho Consultivo do estado durante a interventoria de Manuel Ribas (1932-1935).

Um dos fundadores e membro da comissão executiva do Partido Social Democrático (PSD) do Paraná, criado com vistas ao pleito de maio de 1933 para a Assembleia Nacional Constituinte (ANC), elegeu-se deputado à Assembleia, assumindo o mandato em novembro. Líder da bancada paranaense na Constituinte, representou-a na Comissão Constitucional, também conhecida como Comissão dos 26, formada por elementos de todas as bancadas estaduais e das representações profissionais para examinar o anteprojeto de Constituição apresentado pelo governo e encaminhar as emendas propostas pelo plenário. Em maio de 1934, integrou a comissão de parlamentares que levou a Getúlio Vargas, chefe do Governo Provisório, os cumprimentos pela decretação da anistia aos envolvidos na Revolução Constitucionalista de 1932.

Depois da promulgação da nova Constituição e da eleição de Getúlio Vargas para a presidência da República pela Constituinte (16 e 17 de julho de 1934), o deputado Antônio Jorge, como era conhecido, assumiu a presidência da Comissão de Indústria e Comércio da Câmara. Em 1935 foi eleito para o Senado Federal pela Assembleia Constituinte de seu estado. Assumiu o mandato de senador em maio daquele ano. Dois anos mais tarde, em maio de 1937, representou o Partido Social Nacionalista do Paraná na convenção de lançamento da candidatura de José Américo de Almeida à presidência da República nas eleições previstas para 1938. Teve seu mandato encerrado com a instauração do Estado Novo (10/11/1937), que suspendeu a realização das eleições e suprimiu todas as câmaras legislativas do país.

Em 1939 tornou-se procurador do Departamento de Finanças Públicas e mais tarde passou a auditor do Tribunal de Contas da União.

Faleceu em 1960.

Casado com Zaira Abreu Machado, teve sete filhos.