LISBOA, Aquiles de Faria

Aquiles de Faria Lisboa nasceu no Maranhão em 28 de setembro de 1876.

Transferindo-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Em fevereiro de 1912 tornou-se ajudante da seção de botânica do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e de março a abril do ano seguinte serviu na Diretoria Geral de Agricultura da Secretaria de Agricultura, Indústria e Comércio. Passando a trabalhar, em setembro de 1914, na Seção de Fisiologia Vegetal e Ensaios de Sementes do Jardim Botânico, em fevereiro de 1915 atuou como ajudante da Seção de Botânica e Fisiologia Vegetal daquela entidade, e ainda no mesmo mês tornou-se auxiliar técnico comissionado no Serviço do Algodão, cargo que exerceu até janeiro de 1916.

Retornando a seu estado natal, de janeiro a outubro de 1919 exerceu as funções de diretor-chefe na Estação Experimental de Coroatá (MA). Iniciou-se na política como prefeito do município de Cururupu (MA), assumindo o cargo em janeiro de 1925. Após a Revolução de 1930 e a reconstitucionalização do país, candidatou-se ao governo do Maranhão apoiado pelas Oposições Coligadas, constituídas por seu partido, o Republicano (PR) do Maranhão, e a União Republicana Maranhense (URM). Um dos itens do acordo que resultou nessa aliança determinava que, se Aquiles Lisboa vencesse o pleito, a prefeitura de São Luís caberia a Francisco Costa Fernandes, da URM.

Entretanto, eleito pela Assembleia Constituinte estadual em 22 de julho de 1935, ao tomar posse Aquiles Lisboa nomeou para a prefeitura da capital Manuel Vieira de Azevedo, do PR. Em carta de 6 de agosto seguinte, a cúpula da URM pediu ao governador que revisse a questão da prefeitura. Aquiles Lisboa respondeu afirmando que os chefes dos partidos coligados lhe haviam conferido autonomia de ação e que a solução dos problemas administrativos, econômicos e financeiros do estado era mais importante do que as questões e os conflitos partidários.

Em 9 de outubro a URM rompeu oficialmente sua aliança com o PR e passou a integrar uma maioria oposicionista na Assembleia Legislativa, unindo-se ao Partido Social Democrático (PSD), ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) e à Liga Eleitoral Católica (LEC). O primeiro ato dessa maioria foi depor o presidente da Assembleia, Salvador de Castro Barbosa, do PR, substituído pelo vice-presidente Antônio Pires da Fonseca, da URM. Ainda a partir de outubro a Assembleia passou a não mais reconhecer a autoridade do Executivo e em janeiro de 1936 aprovou uma emenda constitucional que considerava deposto o governador.

Aquiles Lisboa cortou relações funcionais com a Assembleia, impedindo a Imprensa Oficial de publicar seus atos, e apelou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que atestasse a legitimidade de seu mandato. O TSE emitiu parecer favorável ao governador, mas o Senado reconheceu a emenda proposta pela Assembleia estadual. Como Aquiles Lisboa se recusasse a abandonar o governo, em abril de 1936 a Assembleia aprovou um pedido de intervenção federal. Aquiles Lisboa obteve um mandado de segurança em 20 de maio, mas em seguida o governo federal se interpôs e em 14 de junho tomou posse, como interventor no estado, o major Roberto Carneiro de Mendonça.

Foi membro da Academia Maranhense de Letras.

Além de discursos e conferências, publicou O Serviço do algodão e o seu insucesso (1916), Em defesa do regime pervertido e do Maranhão arruinado (1926), A penúria dos sábios alemães e austríacos, Oswaldo Cruz, A lavoura e a guerra, Bilharziose ou esquistossomose, Da mestiçagem vegetal e suas leis.