LUCENA, Fábio
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Fábio Pereira de Lucena Bittencourt nasceu em Barcelos (AM) no dia 11 de julho de 1940, filho de Antônio de Lucena Bittencourt e de Otília Pereira Bittencourt.
Jornalista, economista e bancário, bacharelou-se em economia pela Faculdade de Ciências Econômicas do Amazonas. Iniciou o curso de direito na Universidade Federal do Amazonas, mas não chegou a concluí-lo. A partir de 1965, trabalhou como redator e editorialista do jornal A Crítica, de Manaus.
Iniciou sua carreira política filiando-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), agremiação surgida depois da extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e que fazia oposição ao regime militar instaurado no país após a vitória do movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart (1961-1964). Em novembro de 1970 concorreu a uma cadeira de deputado estadual na legenda do MDB, conseguindo uma suplência. Dois anos depois, nas eleições municipais, ganhou o pleito para vereador, sendo reeleito em 1976. Com o fim do bipartidarismo em novembro de 1979 e a consequente reorganização partidária, ingressou, no ano seguinte, no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).
Em novembro de 1982 elegeu-se senador pelo Amazonas. Deixando a Câmara municipal de Manaus em janeiro de 1983, no mês seguinte assumiu seu novo mandato, passando a integrar, como titular, a Comissão de Serviço Público Civil, da qual tornou-se presidente, e as comissões de Assuntos Regionais e de Finanças; e, como suplente, as comissões de Minas e Energia e de Economia.
O insucesso da campanha por eleições diretas para a presidência da República, desencadeada pelos partidos de oposição, que culminou com a não-aprovação pela Câmara dos Deputados da emenda do deputado Dante de Oliveira (PMDB-MT) na sessão de 25 de abril de 1984, definiu o pleito indireto como a forma pela qual seria eleito o sucessor do presidente João Figueiredo (1979-1985).
Para concorrer com os candidatos governistas Paulo Maluf e Flávio Marcílio, os partidos de oposição (com exceção do Partido dos Trabalhadores, PT), liderados pelo PMDB, juntamente com a Frente Liberal, dissidência da agremiação que dava apoio ao governo, o Partido Democrático Social (PDS), formaram a Aliança Democrática e lançaram Tancredo Neves, governador de Minas Gerais, e José Sarney, senador pelo Maranhão, candidatos à presidência e à vice-presidência da República, respectivamente. No Colégio Eleitoral reunido em15 de janeiro de 1985, o senador Fábio Lucena votou em Tancredo Neves, que derrotou Paulo Maluf. Porém, a doença do presidente eleito permitiu ao seu vice assumir o governo no dia 15 de março desse ano e ser efetivado no mês seguinte, após a morte do titular.
Ainda em 1985 Lucena tornou-se titular das comissões de Constituição e Justiça, de Fiscalização e Controle e de Relações Exteriores, e suplente da Comissão de Serviço Público, além de vice-líder de seu partido no Senado.
Em maio de 1986, mesmo tendo mais quatro anos garantidos no Senado, Fábio Lucena resolveu disputar o pleito desse ano e defendeu a necessidade de os senadores com mandato de oito anos, eleitos em 1982, passarem por nova eleição, para confirmar a investidura para a Assembleia Nacional Constituinte. A decisão de abandonar a legislatura foi vista como manobra política que visava a abertura de mais uma vaga no Senado, a ser ocupada por Gilberto Mestrinho, então governador do Amazonas, a quem Lucena era ligado politicamente. Nas eleições de novembro de 1986, Lucena foi reeleito. Em seguida renunciou ao restante de seu mandato e tentou convencer seus suplentes a não assumirem sua vaga, para que fosse convocada uma eleição extraordinária para a composição do Senado, na qual Mestrinho seria o candidato. A estratégia não deu certo: Leopoldo Peres, o primeiro suplente, não aceitou o esquema e assumiu a cadeira de Fábio Lucena.
Fábio Lucena voltou ao Senado em 1º de fevereiro de 1987, tornando-se suplente da Comissão de Relações Exteriores. No mesmo dia foi instalada a Constituinte, na qual passou a integrar, como titular, a Subcomissão dos Direitos Políticos, dos Direitos Coletivos e Garantias, da Comissão da Soberania e dos Direitos e Garantias do Homem e da Mulher; e como suplente, a Comissão de Sistematização. Em sua passagem pelo Senado, representou os interesses dos industriais da Zona Franca de Manaus.
Foi ainda funcionário do Banco do Brasil e colaborador dos jornais A Tarde, O Jornal e Jornal do Comércio.
No exercício do mandato, acometido de profunda crise depressiva, Fábio Lucena suicidou-se em Brasília no dia 14 de junho de 1987. Sua vaga ficou com o suplente Áureo Bringel de Melo.
Era casado com Maria do Perpétuo Socorro Carvalho Bittencourt, com quem teve seis filhos.