MALCHER, José
| Tipo | Biográfico |
|---|---|
| Cargos |
|
| Autor(es) | Renato Lemos |
José Carneiro da Gama Malcher nasceu em Belém no dia 23 de agosto de 1872, filho do major Aniceto Francisco da Gama Malcher e de Maria Carneiro da Gama Malcher. Durante o Império, seu avô paterno, José da Gama Malcher, exerceu diversas funções públicas de relevo no Pará, inclusive a presidência da Câmara Municipal de Belém, cargo equivalente ao de prefeito.
José Malcher bacharelou-se pela Faculdade de Direito de Recife em 1895. No ano seguinte começou a exercer a profissão, desempenhando, até 1935, as funções de escrivão e procurador. Deputado estadual pelo Partido Republicano Liberal paraense nas legislaturas de 1900-1903 e 1912-1915, e diretor-geral da Fazenda do Estado entre 1916 e 1920, nas eleições de 1921 José Malcher concorreu ao governo estadual representando as forças conservadoras que se encontravam na oposição, sendo derrotado por Antônio Emiliano de Sousa Castro. Em 1927, foi nomeado para integrar o Conselho Penitenciário do estado.
Após a Revolução de 1930, participou do primeiro diretório do Partido Liberal (PL) do Pará, fundado em dezembro de 1931 por iniciativa do interventor federal no estado, Joaquim Magalhães Barata, que, a exemplo do que ocorria em outros estados, buscava criar uma base política de sustentação para seu governo. Em 1933, o PL elegeu todos os representantes do estado para a Assembleia Nacional Constituinte que, reunida entre novembro desse ano e julho de 1934, promulgou a nova Constituição e elegeu Getúlio Vargas, chefe do Governo Provisório desde 1930, para a presidência da República. Em 1934, nas eleições para a Assembleia Constituinte estadual encarregada também de eleger o governador e dois senadores, os liberais conquistaram 21 cadeiras em um total de 30.
Entretanto, o partido não permaneceu coeso em relação à indicação do governador do estado. Negando-se a apoiar a candidatura do interventor Magalhães Barata, sete deputados liberais uniram-se à Frente Única Paraense (FUP), formando, assim, uma oposição majoritária para sustentar o nome de Mário Chermont. A sessão inaugural da Assembleia ocorreu no dia 2 de abril de 1935, e a eleição do governador e dos senadores foi marcada para dois dias depois.
Na manhã do dia 4, porém, deputados liberais dissidentes e membros da FUP, sentindo-se ameaçados, refugiaram-se na sede da 8ª Região Militar e impetraram habeas-corpus junto ao Tribunal Regional Eleitoral para garantir seu direito de voto em segurança, mas o presidente da Assembleia, Ápio Medrado, convocou os suplentes e procedeu à eleição que indicou o nome de Magalhães Barata para o cargo de governador. Os oposicionistas conseguiram, por meios legais, anular o pleito, havendo nova convocação para o dia 5 de abril. Nessa ocasião, quando os parlamentares oposicionistas se dirigiam para a Assembleia escoltados por tropas federais, ocorreu violento incidente em que dois populares perderam a vida, impedindo que se procedesse à segunda votação.
Diante do impasse criado, o governo federal nomeou um interventor no estado, o major Roberto Carneiro de Mendonça, que chegou a Belém ainda no dia 12 de abril. Após alguns dias de negociações com as forças políticas locais, o nome de José Malcher afirmou-se como o mais adequado para promover a conciliação. Contando com o apoio dos 16 votos da Frente Única e da dissidência do PL, foi eleito governador no dia 17, enquanto os oposicionistas Abel Chermont e Abelardo Conduru eram indicados para o Senado.
Logo após as eleições, os antigos oposicionistas - agora no governo - fundaram o Partido União Popular do Pará, cuja comissão executiva José Malcher presidiu. Seu governo, iniciado no dia 4 de maio, enfrentou um dos períodos mais difíceis da vida política paraense. Com a instauração do Estado Novo, em 10 de novembro de 1937, foi confirmado no posto e convertido em interventor no estado, cargo que exerceu até janeiro de 1943. Substituído por Magalhães Barata, José Malcher assumiu ainda nesse ano a presidência do Banco de Crédito da Borracha.
Em maio de 1945, quando eram visíveis os sintomas de enfraquecimento do Estado Novo, participou da fundação do Partido Social Democrático (PSD), dirigido no Pará por Magalhães Barata. No mês seguinte, liderou uma ala dissidente do partido, contrária ao interventor, mas não retirou seu apoio ao candidato oficial do PSD à presidência da República, general Eurico Gaspar Dutra. Em setembro, os dissidentes resolveram adotar o programa do Partido Social Republicano, recém-fundado no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, mas que não chegou a funcionar.
José Malcher faleceu em Belém no dia 25 de junho de 1956.
Foi casado com Laura Salgado da Cunha Malcher, com quem teve dez filhos.