MASCARENHAS, Coelho

Antônio Coelho Mascarenhas nasceu em Crateús (CE) no dia 1º de novembro de 1918, filho de Manuel Soares de Sousa Mascarenhas e Isabel Coelho Lina Mascarenhas.

Iniciou suas atividades profissionais no serviço público cearense em 1938, exercendo a função de contínuo. Transferindo-se para a capital federal, bacharelou-se em 1942 pela Faculdade de Direito da Universidade do Brasil. Ainda nesse ano, regressou a seu estado natal, onde se tornou chefe de seção, ao mesmo tempo em que passou a dedicar-se à advocacia e ao magistério secundário.

Filiado ao Partido Social Democrático (PSD), concorreu, em outubro de 1958, a uma cadeira na Câmara dos Deputados por seu estado na legenda das Oposições Coligadas, que reuniam também o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o Partido de Representação Popular (PRP). Obtendo apenas uma suplência, exerceu mandato de outubro a dezembro de 1959, período durante o qual atuou preferentemente nos órgãos técnicos, embora comparecesse com freqüência às votações, quando seguia sempre a liderança pessedista. Reassumindo em março de 1961, discordou da política externa posta em prática pelo presidente Jânio Quadros, considerando inoportuno o reatamento das relações diplomáticas com a União Soviética, rompidas desde 1947 e objeto de negociações com vistas à sua retomada a partir de 1961. Embora se declarasse adepto do princípio da não-intervenção, condicionava sua aplicação à fidelidade aos compromissos assumidos com o sistema democrático representativo e com as repúblicas do continente e do bloco ocidental.

Após a renúncia de Jânio Quadros (25/8/1961), votou favoravelmente à Emenda Constitucional nº 4, de 2 de setembro de 1961, que instituiu o parlamentarismo, permitindo a posse do vice-presidente João Goulart, vetada pelos ministros militares. Por essa época filiou-se à Ação Democrática Parlamentar, bloco interpartidário constituído basicamente por elementos da União Democrática Nacional (UDN) e secundariamente do PSD, que tinha como objetivo combater a penetração comunista na sociedade brasileira e desenvolveria forte oposição ao governo de Goulart. Em novembro de 1961 apoiou a Emenda Constitucional nº 5, que ampliou a participação dos municípios na arrecadação tributária nacional.

Segundo declarações publicadas pelo Correio Brasiliense em novembro de 1962, era favorável ao intervencionismo estatal na economia, considerado corretivo e supletivo da economia privada, e apoiava o monopólio estatal do petróleo, da energia elétrica, dos minérios atômicos e das telecomunicações, embora fizesse restrições à sua aplicação nos transportes ferroviários e de cabotagem marítima. Diante das propostas de reformulação social surgidas durante o governo de Goulart, declarou-se também partidário de uma reforma agrária cooperativista, admitindo a desapropriação, por utilidade social, dos latifúndios improdutivos, pagas as suas indenizações justas previamente e em dinheiro. Manifestou-se ainda a favor das reformas administrativa, eleitoral - com a adoção da cédula única e dos distritos eleitorais -, bancária e tributária, bem como à disciplina “não-xenófoba” dos investimentos estrangeiros.

No pleito de outubro de 1962 tentou a reeleição na legenda da União pelo Ceará, coligação formada pelo PSD e a UDN, conseguindo novamente apenas uma suplência. Deixou a Câmara em janeiro de 1963, não mais voltando a exercer mandato.

Abandonando a carreira política, tornou-se procurador do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (DNOCS), cargo que ocupou até o seu falecimento, ocorrido em Brasília, no dia 26 de dezembro de 1991.

Era casado com Maria Cirlene Pontes Guimarães, com quem teve três filhos.