MOURA, Humberto Sales de

Humberto Sales de Moura Ferreira nasceu em Acaraú-Mirim (CE) no dia 17 de agosto de 1900, filho de Bento de Moura Ferreira e de Raimunda Sales de Moura Ferreira. Seu pai era agricultor.

Cursou o Colégio Acarauense e o Ginásio São Joaquim, esse último em Lorena (SP). Sentou praça em 1919, no 52º Batalhão de Caçadores, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Matriculou-se em março de 1920 na Escola Militar do Realengo, também no Rio, da qual foi excluído em 1922 por sua participação na revolta tenentista de 5 de julho daquele ano. Iniciando o ciclo de revoltas tenentistas daquela década, o movimento irrompeu em protesto contra a eleição de Artur Bernardes à presidência da República e as punições impostas pelo governo de Epitácio Pessoa aos militares - fechamento do Clube Militar e prisão do marechal Hermes da Fonseca. A revolta foi debelada no mesmo dia, tendo envolvido, no Rio, o forte de Copacabana, a Escola Militar e efetivos da Vila Militar e, em Mato Grosso, o contingente do Exército local. Sales de Moura estudou em seguida na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, pela qual se formou engenheiro civil.

Em 1930 tomou parte, na Paraíba, das articulações revolucionárias contra o presidente Washington Luís, que tinham à sua frente o capitão Juarez Távora, os tenentes Agildo Barata, Juraci Magalhães e Jurandir Mamede e Antenor Navarro. Com a vitória da Revolução de 1930, foi anistiado, promovido a primeiro-tenente e classificado na 7ª Bateria, em João Pessoa.

De 1931 a 1933 esteve à disposição do interventor em Pernambuco, Carlos de Lima Cavalcanti, como secretário de Segurança Pública, inspetor-geral das municipalidades e diretor das docas de Recife. Nesse período, combateu o movimento constitucionalista deflagrado em julho de 1932 em São Paulo, organizando o Batalhão Campelo e o campo de concentração dos batalhões provisórios em Recife. A insurreição foi debelada em outubro do mesmo ano pelas forças legalistas.

Em maio de 1933, candidatou-se a deputado por Pernambuco à Assembleia Nacional Constituinte na legenda do Partido Social Democrático (PSD), obtendo a primeira suplência. Participou dos trabalhos constituintes a partir de novembro de 1933, em substituição ao deputado Ângelo de Sousa, que renunciara, e, após a promulgação da nova Carta (16/7/1934), em substituição, teve o mandato estendido até maio de 1935. Eleito deputado federal por Pernambuco em outubro de 1934, quando foi também promovido a capitão, permaneceu na Câmara até novembro de 1937, quando, com o advento do Estado Novo, os orgãos legislativos do país foram suprimidos.

Em abril de 1943 foi promovido a major e, após a desagregação do Estado Novo (1937-1945), candidatou-se, em dezembro de 1945, a deputado pelo Ceará à Assembleia Nacional Constituinte na legenda da União Democrática Nacional (UDN). Obteve apenas uma suplência e, após a promulgação da nova Constituição (18/9/1946), exerceu o mandato ordinário de abril a maio de 1947. Com a posse do governador Faustino de Albuquerque (1947-1951), foi secretário de Polícia e Segurança do Ceará até janeiro de 1949, quando retornou à Câmara. Em março do mesmo ano foi promovido a tenente-coronel.

Em outubro de 1950, foi eleito deputado federal pelo Ceará sempre na legenda da UDN e, no pleito seguinte, em outubro de 1954, voltou a concorrer à Câmara, agora na legenda das Oposições Coligadas, formadas pela UDN, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o Partido Republicano (PR). Obteve, contudo, uma suplência e, em janeiro de 1955, concluiu o mandato, não mais retornando à Câmara.

Trabalhou como engenheiro na firma Dorabela Portela e Cia. Ltda. e dirigiu serviços de construção de estradas de ferro e de rodagem em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, Ceará, na Paraíba, em Alagoas e Pernambuco.

Foi presidente da Sociedade Vicentina de Realengo, no Rio de Janeiro, sócio do Clube de Engenharia, em Pernambuco, e membro do Grêmio Joaquim Nabuco de Lorena, em São Paulo.

Faleceu em 24 de agosto de 1970 no posto de general-de-brigada.

Era casado com Carmem Garcia de Moura Ferreira.