ARNT, Arno
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Arno Fernando Arnt nasceu em Porto Alegre no dia 29 de fevereiro de 1904, filho dos imigrantes alemães Reinaldo Arnt e Renk Arnt.
Fez os seus estudos no Colégio Farroupilha e no Ginásio Anchieta em sua cidade natal, ingressando a seguir na Faculdade de Medicina de Porto Alegre. Transferindo-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil em 1930. Permanecendo na capital do país, dirigiu o setor de enfermagem obstétrica da Pró-Matre e foi professor de cursos de enfermagem obstétrica, de pediatria e puericultura. Ao voltar ao Rio Grande do Sul, fundou e presidiu a Associação Rural do seu estado e passou a exercer a medicina rural. Ainda nessa época, foi membro do Conselho Rodoviário gaúcho.
Com o fim do Estado Novo em outubro de 1945, sendo partidário do integralismo, filiou-se ao Partido de Representação Popular (PRP), fundado por Plínio Salgado. Em outubro de 1958, elegeu-se, na legenda desse partido, primeiro-suplente de deputado federal pelo Rio Grande do Sul, tendo ocupado uma cadeira na Câmara dos Deputados a partir de março do ano seguinte, na vaga de Alberto Hoffmann, que assumira o cargo de secretário de estado do governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola. Em abril de 1961 tornou-se vice-líder do PRP na Câmara.
Após a renúncia do presidente da República Jânio Quadros em agosto de 1961, votou a favor da Emenda Constitucional nº 4, de setembro do mesmo ano, que instituiu o parlamentarismo no país como forma de resolver o impasse criado pelo veto de setores políticos e militares à posse do vice-presidente João Goulart. Ainda em 1961 afastou-se da Câmara em virtude do retorno do deputado Alberto Hoffmann, mas tornou a exercer o mandato de deputado de março até abril de 1962. Nesse período ligou-se à Ação Democrática Parlamentar (ADP), bloco interpartidário formado no primeiro semestre de 1961 com o objetivo de combater a infiltração comunista na sociedade brasileira. Constituída de parlamentares principalmente da União Democrática Nacional (UDN) e de representantes de outros partidos, a ADP fez cerrada oposição ao governo de Goulart, deixando de existir depois que o presidente da República foi deposto pelo movimento político-militar de março de 1964.
Em outubro de 1962, elegeu-se novamente primeiro-suplente de deputado federal pelo Rio Grande do Sul, na legenda da ADP, integrada nesse pleito pelo PRP, a UDN, o Partido Social Democrático (PSD), o Partido Libertador (PL) e o Partido Democrata Cristão (PDC). Ocupou, nessa legislatura, uma cadeira na Câmara dos Deputados no período de setembro a outubro de 1963, não voltando a partir de então a concorrer a cargos eletivos.
Segundo o Correio Brasiliense de novembro de 1962, Arno Arnt defendia, em política internacional, a vinculação do Brasil ao bloco de países ocidentais, considerando que os princípios de não-intervenção e de autodeterminação dos povos só deveriam ser válidos para salvaguardar no mundo a democracia representativa e para estreitar os laços de solidariedade continental.
No plano econômico, apesar de aceitar o intervencionismo estatal como forma de corrigir e suprir a iniciativa privada, considerava que os exageros dessa interferência eram prejudiciais ao desenvolvimento econômico. Apoiando o monopólio estatal do petróleo, dos minérios atômicos, só admitia a ampliação do seu campo por necessidade de segurança nacional ou para impedir a formação de grandes concentrações econômicas privadas. Era também partidário de uma reforma agrária de cunho cooperativista, que considerasse em primeiro lugar o problema do homem e fosse acompanhada de um aumento da assistência creditícia, educacional, sanitária e técnica ao trabalhador rural, além da garantia de preços mínimos, transportes e ensilagem.
No plano político, era a favor da adoção da cédula única nas eleições proporcionais e da implantação dos distritos eleitorais, além de outras medidas que reduzissem a influência do poder econômico nos pleitos. Defendia ainda uma reforma administrativa descentralizadora que diminuísse as despesas militares, uma reforma tributária que estabelecesse verdadeiros princípios de justiça fiscal e uma reforma bancária que canalizasse o crédito para o setor de produção.