ARRAIS, Monte

Raimundo Monte Arrais nasceu em Saboeiro (CE) no dia 3 de julho de 1882, filho de Nicolau de Albuquerque Arrais, fazendeiro e chefe político local, e de Maria Brasilina Arrais.

Formou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito de Fortaleza. Advogou em seu estado natal e tornou-se também jornalista, atuando como redator e diretor do periódico cearense Diário do Estado. Em Fortaleza, fundou e dirigiu o Jornal do Comércio e dirigiu A Razão, do qual foi proprietário. Viveu em seguida algum tempo no Rio Grande do Sul.

Em 1929, engajou-se na Campanha Oposicionista da Aliança Liberal, cuja comissão central presidiu no Ceará. Realizadas as eleições de maio de 1930, saiu vitorioso o candidato situacionista Júlio Prestes, resultado que conduziu o país à Revolução de 1930. Durante a interventoria de Manuel Fernandes Távora (1930), ocupou a Secretaria de Agricultura. Integrou a seguir, durante a gestão do ministro Joaquim Salgado Filho a frente do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio (1932-1934), a Comissão Revisora do Regulamento do Solo, da Colonização e da Migração.

Em outubro de 1934, elegeu-se deputado federal pelo Ceará. Empossado em maio de 1935, passou a integrar a Comissão de Educação e Cultura, de que foi relator permanente para o exame das questões de fundo constitucional, a Comissão de Finanças, em que obteve aprovação para projeto de sua autoria relativo às cotas de educação, e ainda as comissões das Caixas Econômicas, do Estatuto dos Funcionários Públicos, do Plano de Educação Nacional, do Estatuto da Mulher e de Simplificação Ortográfica. Exerceu o mandato até novembro de 1937, quando, com o advento do Estado Novo, foram suprimidos os órgãos legislativos do país.

Em agosto de 1941, participou da fundação, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, do matutino A Manhã, criado para atuar como porta-voz do Estado Novo. Ainda em 1941, tornou-se delegado da Academia de Letras do Ceará na Federação das Academias de Letras do Brasil, além de presidente dessa entidade. Foi também chefe da censura do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão criado em dezembro de 1939 com o propósito de difundir a ideologia do regime e promover pessoal e politicamente o chefe do governo e só extinto em maio de 1945. Com a desagregação do Estado Novo, participou, com José Marrey Júnior, Miguel Reale e outros, da fundação, em setembro de 1945, do Partido Popular Sindicalista (PPS), cuja comissão diretora integrou. Em 1946, o PPS uniu-se ao Partido Republicano Progressista (PRP), formando o Partido Social Progressista (PSP), liderado pelo ex-interventor paulista Ademar de Barros.

Monte Arrais foi também deputado na Assembleia Legislativa do Ceará, onde apresentou projeto de lei propondo a criação de uma universidade de tipo popular e produziu diversos trabalhos sobre temas educacionais. Como advogado, integrou uma comissão que procedeu à reforma da Polícia Civil do Distrito Federal, onde foi escrivão da 5ª Vara Cível.

Colaborou em O País e no Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, e em A Federação, de Porto Alegre.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 3 de outubro de 1965.

Publicou: O habeas-corpus e a autonomia municipal (1918); O Rio Grande do Sul e suas instituições governamentais (1925); Do poder do Estado e dos órgãos governamentais (1935); Terra redimida (1937); Estudos parlamentares (1935-1947); Cidadão de dois mundos (1952); A nova força turbativa; Anteprojeto de lei de terras para o estado do Ceará; Anteprojeto do Código dos Trabalhadores dos centros esportivos e recreativos brasileiros; O Estado Novo e suas diretrizes; O Brasil e os regimes ocidentais.