ARRUDA, João

João Paulo de Arruda Filho nasceu na cidade de São Paulo no dia 16 de abril de 1939, filho de João Paulo de Arruda e de Beatriz Guedes Galvão de Arruda. Descendia de importante família paulista, tendo por bisavô do lado materno o fundador da Estrada de Ferro Mojiana, José Guedes de Sousa, barão de Pirapitingui.

Iniciou seus estudos em São Paulo, no Colégio Mackenzie e no Liceu Eduardo Prado. Transferindo-se para a Europa, cursou na Suíça a International School Schoenried e a London School of Languages, na Inglaterra, antes de ingressar na School of Economics, da Universidade de Oxford, pela qual se diplomou em economia e finanças.

Proprietário rural e comerciante, de volta ao Brasil, ingressou na política, elegendo-se em 1966 deputado à Assembleia Legislativa do estado de São Paulo na legenda do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país em abril de 1964. Durante o mandato, iniciado em fevereiro de 1967, visitou o Peru como integrante da comitiva do governo de seu estado.

No pleito de novembro de 1970, elegeu-se deputado federal por São Paulo na legenda do MDB. Deixando a Assembleia Legislativa em janeiro de 1971, no mês seguinte assumiu o mandato na Câmara, e já nesse ano tornou-se suplente da Comissão de Economia e membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara. Vice-presidente da Comissão de Economia em 1972, tornou-se suplente da Comissão de Ciência e Tecnologia no ano seguinte.

Reeleito em novembro de 1974, integrou a Comissão de Economia, Indústria e Comércio a partir do início da nova legislatura, em 1975. Em 15 de outubro de 1978, nas eleições presidenciais disputadas no colégio eleitoral pelo general João Batista Figueiredo, candidato da situação, e o também general Euler Bentes Monteiro, na legenda do MDB, foi um dos cinco parlamentares oposicionistas que deixaram de votar.

Novamente reeleito em novembro de 1978, manteve nesse período duas entrevistas com o general Figueiredo. Uma em 1978, quando este ainda chefiava o Serviço Nacional de Informações (SNI), e a segunda em janeiro de 1979, pouco antes da posse na presidência, declarando tê-lo procurado nas duas ocasiões para debater projeto de sua autoria tratando do usucapião, além de inaugurar um diálogo que considerava indispensável com o futuro chefe do Executivo.

Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979 e a consequente reformulação partidária, transferiu-se em 1980 para o governista Partido Democrático Social (PDS), acompanhando o grupo de emedebistas ligado ao governador de São Paulo, Paulo Salim Maluf. Nas eleições de novembro de 1982, recandidatou-se à Câmara dos Deputados pelo estado de São Paulo, na legenda do PDS, obtendo apenas uma suplência. Deixou a Câmara em janeiro de 1983, ao final da legislatura.

Em 1988 candidatou-se a uma cadeira na Câmara de Vereadores de São Paulo pela legenda do Partido da Frente Liberal (PFL). Poucos dias antes da eleição, sofreu um abalo emocional com a morte de seu pai, assassinado no centro de São Paulo. Tal fato acabou motivando a sua desistência de participar do pleito realizado no mês de novembro. Na ocasião, defendeu o controle de natalidade no país, como medida para conter a explosão demográfica e o consequente aumento da marginalidade.

Afastado da política, dedicou-se a atividades no ramo imobiliário. Posteriormente, desfez-se de todas as suas propriedades em São Paulo para viver no sul da Bahia. Fixando residência em Caraíva, distrito de Porto Seguro, tornou-se dono de uma pousada, propriedade que ainda mantinha em fevereiro de 2000.

Foi permissionário da Rádio Musical de São Paulo Ltda., em Itapecerica da Serra, no Estado de São Paulo.

Foi casado com Cristina Cintra Godinho, tendo como padrinho de casamento o presidente João Batista Figueiredo (1979-1985).

Publicou Energia atômica - medidas para seu desenvolvimento no Brasil (1967), Diálogo com o clero (1968), Crise da democracia (1970), Defesa do similar nacional (1970), além de vários projetos de lei e discursos.