NEDEL, Rui

Rui Germano Nedel nasceu em Cerro Largo (RS) no dia 5 de junho de 1937, filho de José Aluísio Nedel e de Erna Josefina Scherf.

Diplomado em medicina pela Faculdade Federal de Ciências Médicas, em Porto Alegre, em 1966, ainda durante seus estudos, trabalhou como servidor público na Secretaria Estadual de Administração. Em 1967, transferiu-se para o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), desempenhando as funções de serventuário da Justiça do Trabalho até o ano de 1970.

Desenvolveu atividades na região das Missões e, embora não tenha ocupado cargos eletivos, sempre esteve ligado à política regional, como militante do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país em abril de 1964.

Com o fim do bipartidarismo, em novembro de 1979, e a consequente reorganização partidária, foi um dos fundadores do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), em Missões.

Candidatou-se à Câmara dos Deputados pelo Rio Grande do Sul no pleito de novembro de 1982, obtendo a primeira suplência. Em 1985, ocupou a Superintendência Regional do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS), na gestão do ministro Valdir Pires, cargo que lhe rendeu a popularidade necessária para eleger-se deputado federal constituinte em novembro de 1986. Na campanha eleitoral defendeu o cooperativismo; o estabelecimento de um percentual mínimo do orçamento para a área de saúde; o desenvolvimento de tecnologia para a indústria de medicamentos.

Empossado em fevereiro de 1987, na Assembleia Nacional Constituinte (ANC) foi titular da Subcomissão dos Negros, Populações Indígenas, Pessoas Deficientes e Minorias, da Comissão da Ordem Social; e suplente da Subcomissão de Garantia da Constituição, Reformas e Emendas, da Comissão da Organização Eleitoral, Partidária e Garantia das Instituições.

Votou a favor do rompimento de relações diplomáticas com países que praticassem políticas racistas, da nacionalização do subsolo, da limitação dos encargos da dívida externa, da soberania popular, do mandado de segurança coletivo, da adoção do voto facultativo aos 16 anos, do turno ininterrupto de seis horas, do aviso prévio proporcional, da unicidade sindical, do limite de 12% ao ano para os juros reais, da criação de um fundo de apoio à reforma agrária, da anistia aos micro e pequenos empresários, da legalização do jogo do bicho e do mandato de cinco anos para o presidente José Sarney. Opôs-se à estabilidade no emprego e à jornada de 40 horas semanais, medidas a seu ver prematuras; à pena de morte; à legalização do aborto; à limitação do direito de propriedade; à remuneração 50% superior para o trabalho extra; ao presidencialismo. Defendeu ainda a criação de mecanismos legais que possibilitassem a qualquer pessoa denunciar irregularidades junto ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Com a promulgação da nova Carta Constitucional, em 5 de outubro de 1988, continuou exercendo o mandato ordinário de deputado federal. Transferindo-se para o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), tentou a reeleição no pleito de outubro de 1990, mas não obteve sucesso. Deixou a Câmara ao término da legislatura, em janeiro do ano seguinte. Voltou a disputar uma indicação ao Legislativo federal pelo PSDB em outubro de 1994, mas também não conseguiu se eleger.

Casado com Ione Borges Nedel, teve quatro filhos.

Publicou Esta terra tem dono e Te arranca, alemão batata, e Porto Alegre dos Casais e a Medicina da Santa Casa.