NERY, Adalgisa

Adalgisa Nery, em solteira Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira, nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 29 de outubro de 1905, filha de Guálter José Ferreira e de Rosa Cancela Ferreira, ambos portugueses.

Em 1912 mudou-se com a família para Vassouras (RJ), onde ingressou no Colégio Santos Anjos. De volta ao Rio de Janeiro, passou a freqüentar o Colégio Basílio da Gama, onde concluiu o curso primário. Prosseguiu os estudos na Escola Pública de Botafogo, também no Rio.

Iniciou suas atividades profissionais como funcionária da Caixa Econômica Federal, e um ano mais tarde tornou-se secretária no Conselho Federal de Comércio Exterior. Em 1922 casou-se com o pintor Ismael Nery, através de quem travou amizade com artistas e intelectuais de projeção na época, como Aníbal Machado, Jorge de Lima, Antônio Bento, Mário Pedrosa, Manuel Bandeira e Murilo Mendes, acompanhando de perto os acontecimentos culturais ligados à Semana de Arte Moderna, nesse mesmo ano. De 1927 a 1929 viveu na Europa onde conheceu o músico Heitor Vila-Lobos e o pintor Marc Chagall. Em 1934 faleceu seu marido, que lhe deixou dois filhos.

Em 1937 publicou na Revista Acadêmica seu primeiro poema, “Eu em ti”, que abriu caminho para o livro de estréia ainda nesse ano, intitulado Poemas e organizado por Murilo Mendes. Ingressou na imprensa passando a escrever em jornais e revistas como O Jornal, Dom Casmurro e O Cruzeiro, onde publicou seus primeiros contos.

Durante o Estado Novo (1937-1945), viajou para os Estados Unidos e, em 1939, conheceu Lourival Fontes, então chefe do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), com quem veio a se casar no ano seguinte. Posteriormente, viajou para o Canadá e novamente para os Estados Unidos, onde permaneceu até 1944 quando seu marido foi nomeado embaixador no México, posto que assumiu em janeiro do ano seguinte. Nesse país travou contato com o mundo artístico e tornou-se amiga dos pintores Rivera e Orozco - que a retrataram - e Siqueiros. Realizou conferências e publicou trabalhos em diversas revistas literárias.

Depois de voltar ao Brasil, retornou ao México em 1951, integrando a delegação brasileira que foi assistir à solenidade da posse do presidente Adolfo Ruiz Cortines. Em 1953, durante breve permanência em Paris, publicou uma coletânea de poemas, traduzidos por Pierre Sephers. No final desse ano separou-se de Lourival Fontes. De volta à atividade na imprensa, passou a assinar no jornal carioca Última Hora uma coluna diária intitulada “Retratos sem retoques”, abordando problemas da política nacional, na qual se envolveria.

Em 1960 foi eleita deputada à Assembleia Constituinte do estado da Guanabara, criado com a transferência da capital federal para Brasília (21/4/1960), na legenda do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Após a promulgação da Constituição do novo estado (27/3/1961), passou a exercer o mandato ordinário. Reelegeu-se no pleito de outubro de 1962, ainda na legenda do PSB, e, após a extinção dos partidos políticos por força do Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior implantação do bipartidarismo, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Em novembro de 1966 reelegeu-se deputada estadual na legenda do MDB, permanecendo na Assembleia até 1969, quando teve o mandato cassado por força do Ato Institucional nº 5 (13/12/1968).

Colaborou também no Diário Carioca, em O Globo e em órgãos da rede dos Diários Associados, além de revistas do Chile, Peru, Argentina e Uruguai. Foi presidente da Associação Brasileira de Ajuda ao Menor.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 7 de junho de 1980.

Publicou, além da obra já citada, A mulher ausente (poemas, 1940), Og (contos, 1943), Ar do deserto (poemas, 1943), Cantos da angústia (1948), As fronteiras da quarta dimensão (1951), A imaginária (romance autobiográfico, 1959), Mundos oscilantes (1962), Retrato sem retoque (1963), A realidade marginal (novela) e Oitavo dia (teatro, em coautoria com Diná Silveira de Queirós). Teve obras traduzidas também na Itália e nos Estados Unidos.