NEVES, Jones Santos
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Jones Santos Neves Filho nasceu em Vitória, no dia 28 de agosto de 1928, filho de Jones dos Santos Neves e Alda Magalhães Santos Neves. O pai foi interventor federal (1943-1945), senador (1947-1951) e governador do estado do Espírito Santo (1951-1955).
Engenheiro civil, formado pela Escola Politécnica da Universidade Católica do Rio de Janeiro, em 1952, filiou-se ao mesmo Partido Social Democrático (PSD) a que o pai pertencia. Com a edição do Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e o estabelecimento do bipartidarismo, ingressou na Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação do regime militar instaurado no país em abril de 1964.
Presidiu a Federação das Indústrias do Espírito Santo de 1968 a 1977. Em 1970 viajou a La Paz (Bolívia) como delegado especial da Confederação Nacional da Indústria ao Congresso Nacional Extraordinário da Iniciativa Privada. A partir de 1971 tornou-se membro da diretoria da CNI, representando-a em numerosas atividades internacionais.
Com a extinção do bipartidarismo, em 29 de novembro de 1979, e a consequente reformulação partidária, transferiu-se para o Partido Popular (PP), fundando o seu diretório capixaba.
Integrante do Comitê Brasileiro da Câmara de Comércio Internacional e da Comissão de Empresas Transnacionais das Nações Unidas, Jones Neves foi nomeado em 1981 representante do empregador brasileiro na Organização Internacional de Empregadores (OIE), passando a fazer parte do conselho de administração da Organização Internacional do Trabalho (OIT), onde participou das comissões de organizações internacionais e de atividades industriais, e da subcomissão de Empresas Multinacionais, viajando em missão pela OIE e a OIT para várias partes do mundo. Desenvolveu intensa atividade no exterior, representando o empregador brasileiro em conferências internacionais do trabalho, comissões das empresas transnacionais, grupos de trabalhos intergovernamentais, reuniões do conselho de administração da OIT, seminários e reuniões anuais do conselho geral da OIE, em Nova Iorque, Genebra, Costa Rica, Manila (Filipinas), Buenos Aires, São Domingos (República Dominicana), Madri, Oslo, Santiago do Chile e México.
Em novembro de 1986, sem interromper suas viagens ao exterior, candidatou-se a deputado federal pelo Espírito Santo na legenda do PMDB - que havia incorporado o PP - obtendo uma suplência. Assumiu o mandato na Câmara dos Deputados em 4 de janeiro de 1989, na vaga de Vasco Alves, eleito prefeito de Cariacica (ES). Filiado ao Partido Liberal (PL) reelegeu-se deputado federal em outubro de 1990.
Empossado em fevereiro de 1991, interrompeu seu trabalho junto à OIT e OIE para participar da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, e exercer a vice-liderança da bancada.
Na sessão de 29 de setembro de 1992 votou a favor do impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial, Paulo César Farias. Afastado da presidência logo após a votação na Câmara, Collor renunciou ao mandato em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado Federal, sendo efetivado na presidência da República o vice Itamar Franco, que já vinha exercendo o cargo interinamente desde o dia 2 de outubro.
Jones Neves votou a favor da criação do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira - o chamado imposto do cheque - e pelo Fundo Social de Emergência (FSE), que permitiria ao governo gastar até 20% da arrecadação vinculada às áreas de saúde e de educação. Foi contra a obrigatoriedade do voto.
No pleito de outubro de 1994 concorreu a uma vaga no Senado Federal, na legenda do PL, não obtendo êxito. Deixou a Câmara dos Deputados ao término da legislatura, em janeiro de 1995.
Jones Neves foi topógrafo da Prefeitura do Distrito Federal, engenheiro civil e membro do conselho de administração de várias empresas, além de presidente do Sindicato dos Engenheiros do Espírito Santo.
Faleceu em novembro de 2000.
Foi casado com Léa Mota Santos Neves, e não teve filhos.
Publicou grande número de trabalhos em defesa da livre iniciativa e da conciliação entre o capital e o trabalho, entre os quais As razões da ação; a defesa da pequena e média empresa (1982), A empresa comunitária (1985), Ética e técnica (1987), A revolução necessária (1989).