NEVES, Leopoldo
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Leopoldo Amorim da Silva Neves nasceu em Manaus no dia 24 de fevereiro de 1898, filho do coronel Cirilo Leopoldo da Silva Neves e de Maria Amorim da Silva Neves.
Fez o primário em escola particular e o secundário no Ginásio Amazonense Pedro II, ingressando em 1916 na Escola de Agronomia de Manaus, pela qual se formou em dezembro de 1921. Nessa época, demitiu-se do cargo que ocupava no Departamento de Correios e Telégrafos, para trabalhar como agrônomo, tendo percorrido o interior do estado como funcionário do Serviço de Demarcação de Terras.
Assumiu em seguida a prefeitura de Paratins (AM), de onde saiu para fazer parte da Assembleia Legislativa do estado e depois do Departamento de Municipalidades do Amazonas, cargo que deixou para retornar à prefeitura de Paratins. Por ocasião do dissídio entre o Amazonas e o Pará, foi chefe da Comissão de Limites. Em setembro de 1941 assumiu a diretoria da Fazenda Pública, e, ao deixar esse cargo, passou a se dedicar apenas ao cultivo da juta em terreno arrendado na ilha do Carreiro, nas proximidades de Manaus.
Com a deposição de Getúlio Vargas pelos chefes militares em 29 de outubro de 1945 e o retorno ao regime democrático, em dezembro seguinte Leopoldo Neves foi eleito deputado pelo Amazonas à Assembleia Nacional Constituinte na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), no mesmo pleito que elegeu o general Eurico Gaspar Dutra presidente da República. Participou dos trabalhos constituintes a partir de março de 1946 e, com a promulgação da nova Carta (18/9/1946), passou a exercer mandato legislativo ordinário.
Em janeiro de 1947, foi eleito governador do Amazonas na legenda da coligação formada pelo PTB e a União Democrática Nacional (UDN), mas teve sua vitória contestada na Justiça Eleitoral por seus adversários políticos. Entre fevereiro e maio o governo foi exercido por João Nogueira da Mata, presidente do Conselho Administrativo do estado, mas neste último mês, após obter ganho de causa, Leopoldo Neves deixou a Câmara e foi empossado na chefia do governo. Seis meses antes de concluir sua gestão, desincompatibilizou-se do cargo para disputar uma cadeira no Senado nas eleições de outubro de 1950 na legenda da coligação da UDN com o Partido de Representação Popular (PRP), sendo, todavia, derrotado pelo candidato do PTB, Vivaldo Palma Lima.
Amigo pessoal do presidente Dutra e do chefe do Gabinete Civil da Presidência da República José Pereira Lima, em dezembro de 1950 foi nomeado assistente técnico do Banco de Crédito Amazonense. Todavia, com a extinção do cargo pouco tempo depois, passou a escriturário do mesmo banco, apesar de ter vencimentos superiores ao restante da categoria. Ao longo de sua vida, trabalhou também como tipógrafo.
Faleceu em Manaus no dia 7 de novembro de 1953.
Foi casado com Cariné Maciel Jacob, com quem teve oito filhos.
Publicou os livros Estado atual da cultura da juta (1951), Retrospecto sintético do que foi a economia amazonense (Plano de reestruturação da região do baixo Amazonas), A mecano-cultura como fator por excelência da reestruturação econômica da Amazônia, A piaçaba-palmeira produtora de fibras e óleos, Pecuária - uma necessidade sem incentivo na Amazônia, A questão econômica da borracha, As madeiras - seu aproveitamento integral, O sentido econômico da Amazônia, Imigração - agente natural de progresso, Problemas de base na economia da Amazônia, Trabalho de equipe, Escolas experimentais de ensino prático de agricultura e pequenas indústrias, A situação econômica da Amazônia face a sua nova guerra, O poder aquisitivo do trabalho, O problema da alimentação da Amazônia, A função reestruturadora do Banco de Crédito da Amazônia, O confucionismo econômico e A Amazônia com problemas.