ATAÍDE, Aramis de
| Tipo | Biográfico |
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| Cargos |
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| Autor(es) | Lorenzo Aldé |
Aramis Taborda de Ataíde nasceu em Curitiba no dia 12 de dezembro de 1900, filho do capitão Aristides Ataíde e de Benedita de Jesus Taborda de Ataíde.
Fez os estudos primários na Escola Americana e no Colégio Júlio Teodorico, e os secundários no Ginásio Paranaense, todos em sua cidade natal. Em 1924 diplomou-se pela Faculdade de Medicina do Paraná com uma tese sobre o estudo clínico dos tremores.
Ingressou em seguida na Polícia Militar do seu estado no posto de primeiro-tenente médico, passando em 1925 a médico do Exército por concurso público. Em 1927 obteve a livre-docência da cadeira de medicina legal da Faculdade de Medicina do Paraná, com a tese Sinais de morte, e, no ano seguinte, o título de professor catedrático de patologia médica da mesma faculdade com as teses Icterícia hemolítica e Diagnóstico da insuficiência hepática.
Com o fim do Estado Novo em outubro de 1945 e a redemocratização do país, elegeu-se no pleito de dezembro do mesmo ano deputado à Assembleia Nacional Constituinte pelo Paraná, na legenda do Partido Social Democrático (PSD), que ajudou a fundar. Assumindo o mandato em fevereiro de 1946, participou dos trabalhos constituintes e, após a promulgação da nova Constituição em setembro desse mesmo ano, passou a exercer o mandato ordinário, participando da Comissão de Serviço Público Civil da Câmara dos Deputados. Ainda em 1946 chegou a major médico do Exército.
Em outubro de 1950, reelegeu-se deputado federal na mesma legenda, atuando na nova legislatura como membro da Comissão de Saúde da Câmara. Licenciou-se do mandato entre 1951 e 1954, para ocupar as pastas do Interior e Justiça e de Educação e Saúde do Paraná, durante o governo de Bento Munhoz da Rocha (1951-1955). Reassumindo o exercício do mandato em 1954, após o suicídio do presidente Getúlio Vargas em agosto daquele ano e a posse do vice-presidente João Café Filho na chefia do governo, foi convidado para o cargo de ministro da Saúde, em substituição a Mário Pinotti. Deixando a Câmara, assumiu aquela pasta ainda em setembro de 1954.
Em novembro de 1955, após o movimento militar do dia 11, liderado pelo general Henrique Teixeira Lott, que acarretou o impedimento de Carlos Luz e de Café Filho, substituídos na presidência da República por Nereu Ramos, exonerou-se do cargo, sendo substituído por Maurício Campos de Medeiros. Em outubro de 1962, tentou voltar à Câmara dos Deputados, disputando uma vaga na legenda do PSD, mas não foi bem-sucedido.
Em sua carreira militar alcançou o posto de tenente-coronel médico. Ao longo da sua vida exerceu ainda os cargos de secretário de Interior e Justiça e de Educação e Saúde do Paraná, fundou o Hospital da Cruz Vermelha no seu estado, dirigindo-o por vários anos, e foi um dos restauradores da Santa Casa de Misericórdia paranaense. Participou também de diversos congressos médicos no Brasil e foi membro de associações médicas do Paraná e do Rio de Janeiro. Colaborou nos periódicos A República, Diário da Tarde e Gazeta do Povo.
Faleceu no dia 27 de março de 1971.
Era casado com Maria Zorah da Rocha Ataíde, com quem teve três filhos.
Além das teses mencionadas e de colaborações em diversas revistas, publicou Aspectos médico-sanitários do Brasil (1949), O Paraná e a economia ervateira no Plano Salte (1950), Debate em torno do problema ervateiro (1951), Considerações sobre problemas sanitários da Amazônia (1955).