LEME, Acildon Pais

Acildon Pais Leme foi eleito presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) no 35º congresso da entidade, em dezembro de 1983, com o apoio do clandestino Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Sucedeu a Clara Araújo, também do PCdoB, no comando da entidade estudantil.

Durante seu mandato, no início de 1984, a UNE começou a participar ativamente da campanha pela aprovação da emenda Dante de Oliveira, que propunha o restabelecimento de eleições diretas para a presidência da República em novembro desse ano, prática extinta em outubro de 1965 pelo Ato Institucional nº 2, editado pelo marechal Castelo Branco, primeiro presidente do regime militar (1964-1985). De janeiro a abril daquele ano, os comícios em favor das eleições diretas em todos os níveis reuniram mais de 30 milhões de brasileiros nas praças das capitais e das principais cidades do país, convertendo-se num movimento nacional de rejeição ao regime militar.

A amplitude nacional da campanha das diretas e a projeção das lideranças políticas levaram o governo a endurecer. No dia 24 de abril, véspera da votação da emenda na Câmara dos Deputados, o presidente João Figueiredo (1979-1985) decretou estado de emergência em Brasília e em dez municípios de Goiás e designou como executor o general Newton Cruz, chefe do Comando Militar do Planalto. A justificativa para o cerco policial ao Congresso, impedindo as manifestações pró-diretas programadas, foi defender os parlamentares da “coação popular”. Cruz montou barreiras nas ruas e nas estradas de acesso à capital federal e cercou o prédio do Congresso. Durante uma passeata estudantil dissolvida pela polícia, Acildon Pais foi preso.

Deixou a presidência da UNE em dezembro de 1984, passando o cargo no 36º congresso da entidade, que elegeu Renildo Calheiros, também do PCdoB.