ATAÍDE, Válter

Válter Geraldo de Azevedo Ataíde nasceu em Barbacena (MG) no dia 23 de abril de 1910, filho de José Antônio de Azevedo Ataíde e de Dalila Guimarães de Azevedo Ataíde.

Fez seus estudos secundários no Instituto Lafayette no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, e formou-se em direito. Trabalhou como jornalista em Nova Friburgo (RJ) e, em 1939, transferiu-se para Belo Horizonte, onde tornou-se comerciante e industrial.

Em 1945, candidatou-se a deputado federal constituinte pelo Partido Social Democrático (PSD), mas não conseguiu se eleger. Transferindo-se para o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), no pleito de outubro de 1950 conquistou seu primeiro mandato federal por Minas Gerais, sendo empossado na Câmara em fevereiro do ano seguinte. Reeleito em outubro de 1954 na mesma legenda, na nova legislatura votou a favor do impedimento dos presidentes Carlos Luz, em exercício, e João Café Filho, licenciado, em decorrência do movimento político-militar de 11 de novembro de 1955. Liderado pelo general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra demissionário, o movimento visava barrar, segundo seus promotores, uma conspiração em andamento no governo para impedir a posse de Juscelino Kubitschek e João Goulart, eleitos, respectivamente, presidente e vice-presidente da República. Com a vitória do movimento, Válter Ataíde foi empossado na chefia do governo Nereu Ramos, que deu posse a Kubitschek em janeiro de 1956. Durante o novo governo, apoiou o pedido de cassação do mandato do deputado udenista Carlos Lacerda, um dos mais ativos líderes da oposição, indeferido pela Câmara dos Deputados em maio de 1957.

Em outubro de 1958 tornou a eleger-se deputado, ainda na legenda do PTB, tendo sido, nessa legislatura, favorável ao reatamento em novembro de 1961 das relações diplomáticas do Brasil com a União Soviética, rompidas desde 1947. Segundo o Correio Brasiliense, era partidário do intervencionismo do Estado na economia, apoiando o monopólio estatal da exploração dos minérios atômicos e do petróleo, e o controle da energia elétrica, das telecomunicações e dos transportes ferroviários e marítimos. Defendia, ainda segundo o jornal, a nacionalização dos bancos de depósitos, uma reforma agrária cooperativista acompanhada de total assistência social do Estado aos lavradores e uma reforma eleitoral que adotasse a cédula única em todos os pleitos, bem como medidas no sentido de coibir a influência do poder econômico nas eleições e de fortalecer os partidos políticos. Aceitava, ainda, as reformas tributária, administrativa e bancária, e a criação do Ministério do Planejamento Econômico e adoção de providências que dessem função social ao crédito.

Em outubro de 1962, candidatou-se ao Senado Federal pelo PTB de Minas mas não obteve sucesso. Ao terminar o seu mandato de deputado em janeiro de 1963 deixou a Câmara, não voltando a concorrer a partir de então a cargos eletivos.

Foi membro da Comissão Executiva Nacional do PTB e liderou o partido em Minas.

Faleceu no Rio de Janeiro em maio de 1967.

Era casado com Amélia Mota Ataíde.