PARAGUAÇU, Aleixo
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Aleixo Paraguaçu nasceu em São Miguel de Jequitinhonha, distrito do município de Araçuaí (MG), no dia 17 de julho de 1881, filho do militar e fazendeiro Marcelino Rodrigues de Sousa e de Ana Lisarda de Sousa Paraguaçu. Descendia, por parte de pai, de portugueses e, do lado materno, de índios da nação Aimoré capturados às margens do rio Paraguaçu (BA).
Começou a trabalhar em 1892 como auxiliar de escritório na firma comercial do coronel Antônio Hermano de Sousa, em São João da Vigia, no município de Jequitinhonha (MG). Em 1898 tornou-se sócio da firma Barbosa e Paraguaçu, em São João da Vigia, na qual trabalharia até 1905. Em 1907 já escrevia artigos em jornais preconizando a instauração de um regime ditatorial que extirpasse do país os governos oligárquicos. Alistando-se como voluntário no serviço militar em 1908, tornou-se no ano seguinte funcionário da Prefeitura de Belo Horizonte.
Em 1910, bacharelou-se pela Faculdade Livre de Odontologia, integrando a primeira turma formada naquela profissão. Naquele mesmo ano, durante a Revolta da Chibata, ocorrida em novembro, comandou, na condição de reservista do Exército, as forças legais provenientes de Minas Gerais que estacionaram nas pontes das barcas que faziam a ligação entre Niterói e o Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Liderados pelo marinheiro João Cândido, os marujos da Armada se rebelaram contra os castigos corporais que lhes eram infligidos como punição disciplinar e reivindicaram também melhoria de vencimentos. Seguida, dias depois, de uma revolta do Batalhão Naval, a insurreição foi reprimida com severidade. Nessa ocasião, Paraguaçu perdeu parcialmente a audição, em decorrência da explosão de uma granada da artilharia adversária.
Tendo iniciado o curso na Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais, em Belo Horizonte, começou em 1916 a colaborar com o escritório de um amigo naquela cidade em causas forenses. Em 1920 bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais e após deixar o serviço público, passou a se dedicar exclusivamente à advocacia em seu próprio escritório, logo um dos mais importantes da capital mineira.
Opositor dos governos de Epitácio Pessoa (1919-1922), de Artur Bernardes (1922-1926), a quem enviou em setembro de 1929 uma carta sugerindo que organizasse um golpe de Estado, e de Washington Luís (1926-1930), participou da campanha da Aliança Liberal e da Revolução de 1930. Após a vitória desse movimento, solidarizou-se com o interventor federal em Minas Gerais, Olegário Maciel, que em 1932 ensaiou apoiar a Revolução Constitucionalista de São Paulo, mas acabou por se colocar ao lado do governo federal. Ainda em 1932 integrou a comissão organizadora do Partido Progressista de Minas Gerais, em cuja legenda foi eleito, em maio de 1933, deputado à Assembleia Nacional Constituinte. Assumindo sua cadeira em novembro desse ano, participou dos trabalhos constituintes e, com a promulgação da nova Constituição (16/7/1934) e a eleição de Getúlio Vargas para a presidência da República no dia seguinte, teve o seu mandato prorrogado até maio de 1935. Em outubro de 1934, concorreu às eleições para a Câmara Federal mas obteve apenas uma suplência, não chegando a exercer o mandato parlamentar na legislatura que se seguiu. Ainda quando parlamentar, por nomeação de Vargas, instalou e presidiu a primeira Junta de Conciliação e Julgamento da Justiça do Trabalho criada em Belo Horizonte.
Após o golpe do Estado Novo, em novembro de 1937, voltou a dedicar-se apenas à advocacia, que viria a abandonar em 1955. Em 1946, colaborou na organização do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em Minas Gerais.
Ao longo de sua vida, colaborou na imprensa mineira e no Correio da Manhã, em O País e O Século, no Rio de Janeiro. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Conselho Penitenciário de Minas Gerais e da Liga Operária Mineira.
Faleceu em Belo Horizonte no dia 22 de janeiro de 1964.
Foi casado em primeiras núpcias com Belarmina Nogueira e pela segunda vez com Luísa Romero Paraguaçu.
Publicou as obras 50 léguas sobre o Jequitinhonha e Territórios incultos do sul da Bahia e do nordeste de Minas.